Ex de jovem desaparecida há 8 anos é preso; família desconfiou ao vê-lo com outra nas redes sociais

Publicado em: 24 de Maio de 2019
Foto Por: Arquivo Pessoal e Polícia Civil/Divulgação
Autor: Filipe Barbosa e Ariane Marques, G1 — Região dos Lagos
Fonte: G1
Mãe de Jennifer Tifany fez uma montagem da foto da filha desaparecida, aos 15 anos, e da projeção digital, divulgada pela Polícia Civil, mostrando como a jovem estaria em 2019

Jennifer tinha 15 anos quando foi morar com o rapaz, em 2009, e foi vista pela última vez em 2011. Inquérito só foi aberto em 2017, quando testemunha revelou ter visto o companheiro da jovem e o irmão dele, que é PM, sujos de sangue. PM também foi preso nesta quinta (23).

O ex-companheiro de uma jovem desaparecida há oito anos e o irmão dele, que é Policial Militar da UPP do Morro dos Macacos, foram presos na manhã desta quinta-feira (23) em Rio das Ostras (RJ). Eles são suspeitos de ocultar o corpo de Jennifer Tifany Vei­ga Pires, que foi vista pela última vez em 2011, segundo investigação da Polícia Civil.

A família notou que algo poderia ter ocorrido com ela ao ver que o então companheiro postou foto nas redes sociais anunciando um novo relacionamento, em 2014. Mas o inquérito policial só foi aberto em 2017, depois que uma testemunha relatou ter visto o rapaz e o irmão dele com as blusas sujas de sangue, tendo um deles confessado que havia dado um sumiço na jovem, ainda segundo a polícia.

A mãe, Gláucia Pires, conta que peregrinou em busca da filha e disse que acredita na culpa dos suspeitos pelo fato deles nunca terem ajudado a procurá-la. A jovem saiu de casa em 2009, quando tinha 15 anos, para morar com o rapaz e teve dois filhos.

"Como que você vai procurar uma coisa que não existe mais. Certo? Eu não! Pra mim, eu sempre procurei com a esperança de que minha filha fosse aparecer. Sempre lutei pra isso. Só ele sabia. Ele e o irmão. Se não queria mais, que ele devolvesse a minha filha" , desabafou.

A mãe explicou que sempre teve dificuldade de falar com a filha, por isso, decidiu procurar a polícia ao vê-lo com outra pessoa nas redes sociais.

"Uma hora diziam que ela estava viajando. Outra hora, que não queria me ver. Minha filha vivia em cárcere privado. Só que eu não sou ninguém, não tenho muito estudo, não tenho formação, não tenho dinheiro, então, eu dependo de tudo público", desabafou.

Gláucia disse que, ao ir atrás da filha, foi comunicada que ela havia ido embora de casa sem dizer para onde iria. A mãe de Jennifer conta que ainda tentou a guarda das crianças e descobriu que já havia um pedido feito pela família paterna à Justiça.

O delegado titular da 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras, Ronaldo Andrade Cavalcanti, explicou que o relato da testemunha foi importante para desencadear o caso. Ele desconfia que o corpo da jovem foi jogado em um rio do município.

"Apreendi até arma na casa de um dos suspeitos. Os prendi para fazer as acareações necessárias e ouvir novamente a testemunha sem que ela se sentisse intimidada pelo fato de um dos suspeitos ser um policial", conta o delegado.

Ainda segundo a Polícia Civil, o PM vai ser levado para o Batalhão Prisional da Polícia Militar no Rio de Janeiro. Já o ex-companheiro da vítima vai ser encaminhado para um presídio de Campos dos Goytacazes, no interior do Estado do Rio.

Procurada pelo G1, a Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro informou que "não coaduna [não é conivente] e pune com o máximo rigor qualquer desvio de conduta em seus quadros, conduzindo os processos apuratórios com base na legislação vigente."

Ainda segundo a secretaria, o comando da corporação segue à disposição para colaborar com as investigações e disse que o policial permanecerá preso na Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niterói.

"Só quero saber o que aconteceu com a minha filha e que os culpados paguem pelo que fizeram a ela, porque ela não merecia", disse a mãe.

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