Marcha Para Jesus em São Paulo reuniu 4,5 mil caravanas; veja o que agradou e o que não agradou aos fiéis

Público elogiou organização dos shows e acesso pelo Metrô, mas houve muita fila para os banheiros. Presença de políticos dividiu opiniões.

Publicado em: 21 de Junho de 2019
Foto Por: Celso Tavares/G1
Autor: Patrícia Figueiredo, G1 SP
Fonte: G1

Os organizadores da Marcha Para Jesus informaram que o evento evangélico reuniu 4,5 mil caravanas de todo o país e estimaram um público total de 3 milhões de pessoas ao longo das 12 horas de caminhada e shows de música gospel na Zona Norte de São Paulo nesta quinta-feira (20).

O evento contou ainda com a participação do prefeito Bruno Covas (PSDB), do governador João Doria (PSDB) e do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Foi a primeira vez que um presidente participou da Marcha Para Jesus, que realizou a sua 27ª edição.

Veja fotos da Marcha Para Jesus

O G1 acompanhou a marcha e conversou com os fiéis sobre a avaliação dos serviços oferecidos. Veja:

Metrô

O Metro de São Paulo foi o principal meio de transporte usado pelos fieis para chegar à região da Luz, onde teve início a caminhada, até a Praça Heróis da FEB, em Santana, onde foi montado o palco para shows. As estações estavam sinalizadas com placas orientando o público da Marcha Para Jesus. Havia muita fila nas bilheterias da estação Portuguesa-Tietê, que está no percurso da caminhada, mas a companhia não registrou ocorrências graves na Linha 1-Azul, que atende a região.

Trânsito

Apesar dos bloqueios e interdições o trânsito ao redor da Praça Heróis da FEB estava tranquilo durante a manhã e o início da tarde.

Postos de vacinação

Por conta do surto de sarampo que acontece este ano na cidade de São Paulo a Prefeitura organizou uma campanha de vacinação durante a Marcha Para Jesus. Foram montados seis postos que distribuíram vacinas contra o sarampo para o público alvo, composto por jovens de 15 a 29 anos. Também estavam disponíveis vacinas contra a febre amarela. Mas o movimento nos postos foi pequeno.

“O pessoal tem muita resistência, eles falam que não tomaram ainda a vacina mas que também não querem tomar agora durante o evento”, diz Tatiana Silva, agente de saúde. “Muita gente vem perguntar sobre a vacina da gripe, mas essa a gente não tem aqui.”

A vacinação deveria ocorrer das 10h até às 17h mas, às 16h30, alguns postos já estavam desmontados.

Banheiros

A quantidade de banheiros químicos no trajeto foi considerada insuficiente por muitos fiéis. Em alguns trechos da caminhada cobrava-se até R$ 5 pelo uso de banheiros em estabelecimentos particulares. Em um posto de gasolina e em um supermercado, ambos na rua Voluntários da Pátria, havia muita fila para usar o sanitário. “Podia ter mais banheiro, especialmente pra gente que vem com criança pequena”, avalia Sheila Andrade, 55, frequentadora.

Segurança

A segurança em geral funcionou bem, mas houve registros de furto de celulares dos fiéis. Três colombinas e um casal de venezuelanos foram presos em flagrante pela Polícia Militar (PM) por suspeita de furtarem 11 celulares de pessoas que participaram da Marcha para Jesus.

De acordo com a PM, as colombianas foram detidas na Avenida Santos Dumont. Após denúncia anônima, as mulheres foram abordas por policiais que disseram ter encontrado nove aparelhos telefones móveis com elas.

Shows

Os fiéis aprovaram as apresentações de música gospel durante a Marcha Para Jesus. Houve grande variedade de estilos, como sertaneja, eletrônico e pop gospel. Nomes como Aline Barros, Raquel Santiago, Gabriela Rocha, Ao Cubo, Daniela Araújo e Priscilla Alcântara se apresentaram no palco e encantaram o público.

“Não é qualquer show. É o show que você vem, adora, canta, realmente sente lá no coração”, disse a estudante Katellyn Fernandes.

Políticos e autoridades

A presença de políticos e autoridades como o presidente Jair Bolsonaro, o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas dividiu opiniões. Bolsonaro foi aplaudido ao subir no palco, sob os gritos de 'mito'. Doria discursou em um trio elétrico da Igreja Renascer em Cristo e Covas recebeu algumas vaias quando foi discursar. Todos usavam a camisa do evento evangélico.

Sheila de Andrade, 55 anos, frequenta a Marcha Para Jesus há cinco anos. Sheila acompanhou os trios elétricos na caminhada, inclusive aquele onde o governador João Doria estava presente, mas foi embora do evento antes do pronunciamento de Jair Bolsonaro, marcado para as 15h. Para ela, a presença de políticos na caminhada é bem-vinda, mas a marcha não deve virar palanque político.

"Eu acho que todos são seres humanos, independente do seu cargo, e como Jesus é para todos nós não podemos julgar [os políticos que vieram]. Mas eu particularmente acho que tinha que ser mais separada a política da religião", diz. "A influência religiosa na política, ao meu ver, não é positiva. Ainda mais nesse momento de conjuntura política que a gente vive porque as pessoas acabam se influenciando."

 

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