Na feira do livro de Ribeirão Preto, professor pós-graduado carrega cartaz com pedido por emprego

Sem conseguir oportunidade após concluir o mestrado, Victor Oliveira voltou a morar com a mãe. Educador critica 'descaso com educação' e 'falta de oportunidade para juventude'.

Publicado em: 11 de Junho de 2019
Foto Por: Chico Escolano/EPTV
Autor: G1 Ribeirão Preto e Franca
Fonte: G1
Na Feira do Livro de Ribeirão Preto, Victor Oliveira faz apelo por trabalho

Com um cartaz nas mãos e sentado em um banco onde havia a inscrição “empatia”, um homem chama a atenção de quem passa pela Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto (SP). Educador físico e pós-graduado, o paraense Victor Oliveira, de 27 anos, pede uma oportunidade de trabalho.

 

“Como todo trabalhador brasileiro, quero sobreviver. Infelizmente, me sinto frustrado em saber como a educação está desvalorizada, porque a minha condição é mesma da educação. Pode faltar professor em escola, mas não há vaga suficiente para a demanda”, desabafa.

 

Victor conta que se formou em educação física na Universidade Federal do Pará (UFPA), em 2014. Logo depois, foi aprovado em um concurso público, mas abriu mão da vaga para cursar o mestrado em educação. Pós-graduado, o rapaz sentiu mais dificuldade em se recolocar no mercado.

 

“Decidi tentar o mestrado achando que abriria as portas. Acabou que as portas não se abriram como imaginei. As condições materiais me levaram para a casa da minha mãe, que mora em Ribeirão. Tive que morar com a minha mãe de novo, não estou trabalhando”, afirma.

 

Em meio a milhares de estudantes e professores que visitavam os estandes das livrarias na feira, o cartaz que Victor carrega é também uma forma de protesto ao que ele chama de “descaso com a educação” e “falta de oportunidade para a juventude”.

 

“Muita gente para e oferece apoio, uma palavra de conforto. Um menino sentou e disse que ficou desesperado em me ver nessa situação, porque ele está terminando o curso psicologia e tem medo de também não conseguir emprego. Realmente, é angustiante”, diz.

 

Victor recebeu dois convites para processos seletivos: o primeiro, para uma vaga de telemarketing, e outro para atuar como educador em uma fundação, em um município vizinho a Ribeirão Preto. O educador ainda aguarda as confirmações para as entrevistas.

 

“É um apelo, porque a gente estuda, quer alcançar um trabalho, e ao mesmo tempo é um protesto, porque a minha condição é só uma expressão da falta de oportunidades para a juventude de hoje. Estou otimista e não vou desistir”, finaliza.

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