Operação mira braço financeiro da maior milícia do RJ

Polícia Civil e MP cumprem 36 mandados de busca e apreensão. Condomínio da Caixa Econômica tomado pelos paramilitares é um dos alvos.

Publicado em: 23 de Agosto de 2019
Foto Por: Reprodução/TV Globo
Autor: Ana Paula Santos e Leslie Leitão, Bom Dia Rio
Fonte: G1
Morador registrou tomada do Conjunto da Marinha pela milícia

Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do RJ cumpre nesta sexta-feira (23) 36 mandados de busca e apreensão contra o Bonde do Ecko, a maior milícia em atividade do estado.

 

Equipes da 56ª DP (Comendador Soares) e de delegacias especializadas estão em endereços em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, com o objetivo de atacar o braço financeiro do grupo paramilitar, que surgiu na Zona Oeste do Rio.

 

Parte dos mandados da Operação Octopus é cumprida no Conjunto da Marinha. O empreendimento foi financiado pelo governo federal e pela Caixa Econômica para beneficiar famílias de baixa renda.

 

Segundo as investigações, os criminosos expulsaram diversos moradores que tinham a posse legítima dos imóveis no conjunto e os negociaram com terceiros de forma ilícita. Os novos ocupantes tinham de pagar taxas regulares à milícia.

 

Tentáculos

 

As investigações começaram em junho, quando milicianos fortemente armados com fuzis, liderados por Wellington da Silva Braga, o Ecko, invadiram diversas comunidades de Nova Iguaçu:

  • Conjunto da Marinha;
  • Dom Bosco;
  • Estrada de Madureira;
  • Grão-Pará;
  • Marapicu;
  • Pantanal.

 

A investigação da 56ª DP descobriu ainda que o grupo paramilitar vem ampliando as formas de atuação:

  • Agiotagem;
  • Clonagem de cartões;
  • Comercialização de internet e TV a cabo;
  • Comércio clandestino de gás;
  • Comércio de cigarros contrabandeados do Paraguai;
  • Extorsão de comerciantes;
  • Transporte público irregular;
  • Venda irregular de imóveis e exploração imobiliária.

Na operação foram localizados 11 pontos de distribuição de sinal de televisão a cabo. A polícia apreendeu 13 equipamentos no valor de R$ 20 mil cada um.

 

Durante as investigações apurou-se que o grupo criminoso exige que os moradores e comerciantes locais adquiram botijões de gás unicamente fornecidos pelos pontos de distribuição determinados pelo grupo.

 

Cada botijão é comercializado com ágio de 20% acima do valor regular de mercado e o percentual é distribuído entre os integrantes da quadrilha.

 

Locais de distribuição localizados na Estrada de Madureira foram fiscalizados pelos policiais civis, e aqueles que não seguiram as normas estabelecidas pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, gás natural e biocombustíveis) foram interditados.

 

Reforço de ex-traficantes

 

As investigações também apontam que integrantes do Comando Vermelho que atuavam na região foram “recrutados” pelos milicianos e passaram a apontar quem teria envolvimento com o tráfico de drogas e seus familiares.

 

Os traficantes que não aceitaram ingressar na milícia se refugiaram na Vila Kennedy, em Bangu.

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