Parentes de vítimas do massacre de Realengo mandam mensagens a famílias dos mortos em Suzano

Mães e avós das vítimas da chacina em 2011 desejaram força e fé para familiares da tragédia em Suzano. Em entrevista, elas afirmaram que reviveram a dor de quando perderam seus filhos e netos.

Publicado em: 15 de Março de 2019
Foto Por: Marcos Serra Lima/G1
Autor: Matheus Rodrigues, G1 Rio
Fonte: Ascom
Adriana Silveira, mãe de Luísa Paula Silveira, morta no massacre de Realengo em 2011

Familiares das vítimas do massacre de Realengo – onde 12 jovens foram mortos por um atirador dentro de uma escola da Zona Oeste do Rio – mandaram mensagens para os parentes dos adolescentes assassinados em Suzano na última quarta-feira (13).

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As palavras de solidariedade pediam força e fé para as pessoas que sofreram a perda de seus parentes na tragédia recente. Adriana Silveira, mãe de uma das adolescentes mortas no Rio e presidente da ONG Anjos de Realengo, afirmou que gostaria de abraçar as famílias afetadas.

“Nada que eu venha falar vai amenizar a dor daquelas mães e daquelas famílias. Eu só gostaria de estar lá para dar um abraço em cada mãe, em cada pai, em cada família. Eu digo que elas não estão sozinhas e que meu coração está lá junto ao delas. Eu sei a dor que elas estão sentindo. As minhas orações, desde ontem, têm sido diretamente pra elas. Eu deixo meu abraço para eles”, disse Adriana.

Sônia Moreia Torres, de 61 anos, é avó de Larissa dos Santos Atanásio, que morreu aos 13 anos em 2011. Ela disse que a única forma de seguir em frente é através da fé. Ao G1, ela contou ainda que torce pelas famílias da chacina da última quarta-feira (13).

“Eu pedi a Deus para confortar o coração deles, embora demore muito para a gente cair na realidade. Pedi a Deus para dar força a todas as famílias como deu para gente. Eles têm que se apegar com Deus porque só ele pode dar força para eles caminharem”, disse Sônia Moreira Torres.

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Mães e avós afirmaram que, ao ficarem sabendo da tragédia onde oito pessoas foram mortas, sentiram novamente a dor de quando perderam seus filhos e netos em abril 2011. Em entrevista ao G1, elas contaram que não conseguiram dormir e ficaram em estado de choque.

Maria José Martins, de 55 anos, disse que a notícia da chacina dentro da escola de Suzano “doeu no coração”. Ela disse que não conseguiu acompanhar todas as notícias e ficou sem dormir pensando nas mães das vítimas.

“Do mesmo jeito que aconteceu com a gente, aconteceu com eles lá. Repetiu a mesma coisa, a mesma dose. Aquilo [a tragédia em Suzano] doeu muito no meu coração. Essa noite eu não dormi pensando nas mães de lá. Meu coração muito apertado. Eu vi um pouco a televisão e depois não consegui mais ver. Parecia que eu não estava em mim, estava em outro mundo. Foi muito doloroso mesmo”, disse a mãe de Larissa Silva Martins, que foi morta em 2011.

Nilza Candelária da Cruz, de 69 anos, é avó de Karine Chagas Oliveira, que foi morta no massacre da Zona Oeste do Rio. Ela disse que sofreu junto com os familiares da tragédia de São Paulo e entrou em estado de choque.

“Sobre a tragédia de ontem, eu me vi nela. Aquilo ali repetiu para mim. Eu vivi aquilo junto com o pessoal de lá. Eu tenho pavor quando escuto um carro de bombeiro, eu tenho pavor de carro de bombeiro, pavor quando vejo uma sirene de polícia porque foi tudo que vi aqui. Ainda é traumatizante”, disse Nilza da Cruz.

“Com a tragédia de ontem, eu fiquei em estado de choque e ainda estou. Porque [a dor] ameniza, mas nunca se esquece”, completou a avó de Karine.

Relembre o massacre de Realengo

Doze jovens foram mortos após Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrar na escola municipal Tasso da Silveira em Realengo, na Zona Oeste do Rio, e atirar contra os alunos. O episódio aconteceu na manhã do dia 7 de abril de 2011.

Outras treze pessoas ficaram feridas no episódio. O atirador se suicidou após ser atingido por um policial. As vítimas tinham idades entre 12 e 14 anos. Wellington Menezes era ex-aluno da escola e não tinha antecedentes criminais.

A polícia disse, na época, que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Quatro anos depois, as 12 crianças assassinadas em abril de 2011, na Escola Municipal Tasso da Silveira, ganharam um memorial batizado de Anjos da Paz

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