Suspeitos da morte de grávida após aborto em clínica clandestina na Zona Oeste do Rio vão a júri popular

Sessão ocorre nesta quinta-feira (9) no 4º Tribunal do Júri do TJ-RJ. Corpo de Jandira Magdalena dos Santos Cruz foi carbonizado.

Publicado em: 09 de Agosto de 2018
Foto Por: Divulgação
Autor: G1
Fonte: G1
Jandira Magdalena dos Santos Cruz, 27 anos, entrou em um carro branco, no terminal rodoviário de Campo Grande, supostamente para ser levada a uma clínica para fazer aborto

No dia 26 de agosto de 2014, Jandira Magdalena dos Santos Cruz, então com 27 anos, entrou em um carro na Rodoviária de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, em direção a uma clínica ilegal. O objetivo era realizar um aborto, no quinto mês de gestação.

Jandira acabou morta durante o procedimento, e seu corpo foi encontrado carbonizado em um carro em Mangaratiba, semanas após o desaparecimento. Quase quatro anos depois, oito suspeitos do crime serão levados a júri popular nesta quinta-feira (9) no Rio.

A sessão ocorrerá na 4° Tribunal do Júri, às 10h. As investigações da 35ª DP (Campo Grande), comandada à época pelo delegado Hilton Alonso, ajudaram a prender nove pessoas.

São suspeitos de homicídio doloso, associação criminosa, ocultação de cadáver e por aborto provocado com a autorização da gestante:

 

  • Carlos Augusto Graça de Oliveira (preso)

  • Rosemere Aparecida Ferreira (preso)

  • Vanusa Vais Baldacine (preso)

  • Carlos Antonio de Oliveira Junior

  • Monica Gomes Teixeira

  • Marcelo Eduardo de Medeiros (preso)

  • Jorge dos Santos Pires (responde em liberdade por ocultação de cadáver)

  • Luciano Luis Gouvêa Pacheco (responde em liberdade por ocultação de cadáver)

 

Uma das acusadas foi retirada do processo. A juíza Elizabeth Machado Louro alegou na sentença "a insuficiência dos indícios apurados".

A decisão pelo júri popular foi dada em outubro de 2015, e só agora concretizada. As testemunhas e as provas, segundo a juíza, demonstraram que os réus funcionavam como uma organização criminosa.

"Fica suficientemente demonstrado que todos prestavam sua valorosa contribuição para o funcionamento da atividade e que, mais que isso, tinham pleno conhecimento das condições precárias do local onde era realizada, a induzir tivessem ciência de que a morte de alguma gestante seria um risco da atividade, risco este aparentemente por todos assumido", determinou a juíza.

 

'Queria ter feito mais', disse mãe

 

Em entrevista ao G1 em agosto de 2015, um ano após a morte da filha, a mãe de Jandira lamentava não ter feito mais pela filha, principalmente no dia do crime.

"Devia ter feito mais para impedir que ela fosse. No entanto, muitas deixaram de morrer depois de verem o que aconteceu com ela. Ela lidou com bandidos, que não podem estar fora da cadeia", afirmou Maria Angela dos Santos.

No dia 26 de agosto, Jandira saiu de casa para fazer um aborto e não voltou mais. Maria Ângela Magdalena contou que a filha estava com cerca de 5 meses de gestação e que teria decidido abortar por "desespero".

"A gente é muito unido. Eu sabia [que ela estava grávida] e queria muito. Doze ou treze semanas. Ela estava muito preocupada, no desespero mesmo. Tanto que ela confiou na primeira pessoa que apareceu", disse a mãe logo após a sumiço da jovem. Jandira pagou R$ 4,5 mil para fazer o aborto.

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