'Vou continuar correndo atrás do meu sonho', diz jogador que sobreviveu ao incêndio no CT do Flamengo

Kayque Soares Campos chegou ao aeroporto de Palmas e foi recebido com aplausos. O zagueiro contou que na noite anterior iria dormir no quarto, onde morreram três jogadores.

Publicado em: 11 de Fevereiro de 2019
Foto Por: Reprodução/Instagram
Autor: Jesana de Jesus — Palmas, TO
Fonte: Globo Esporte TO
Kayque estava no CT, mas sobreviveu ao incêndio

Ao chegar ao aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues em Palmas na manhã deste sábado (9), o jogador Kayque Soares Campos, de 15 anos, que sobreviveu ao incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, foi recebido com aplausos. Dezenas de pessoas o aguardavam ansiosas por um abraço. Um dia depois da tragédia que matou 10 pessoas no Ninho do Urubu, como é chamado o CT do clube carioca localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o zagueiro tocantinense relatou os momentos de pavor que viveu.

- Na verdade, eu ia dormir em outro quarto, onde morreram três. Aí [na noite anterior] eu falei: 'Eu vou dormir com esses meninos aqui hoje e amanhã eu volto'. Graças a Deus, todo mundo desse quarto conseguiu sair - contou.

Kayque contou que o fogo começou no ar-condicionado do primeiro quarto e foi passando para os outros cômodos. O quarto onde ele estava dormindo era o terceiro e fica perto da porta de saída. Na madrugada do incêndio, ele acordou com os gritos de socorro.

- Eu estava dormindo e só escutei o barulho. Pulei da cama e saí pela porta. Olhei atrás, estava tudo com fogo, queimei um pouco minha perna, mas está tudo tranquilo. Escutei alguns pedindo socorro - lembrou.

No quarto onde ele estava, dormiam seis meninos e todos conseguiram sair a tempo. Kayque chegou ao aeroporto com a roupa do corpo e com um tênis que foi comprado pelo clube. Um supervisor do Flamengo o acompanhou na viagem, mas não quis comentar o caso. Os pertences do zagueiro foram queimados.

Kayque passou no teste do Flamengo no fim de 2017 e se mudou para o Rio de Janeiro, em fevereiro de 2018. Morava numa pensão até que surgiu uma vaga e se mudou para o CT na última terça-feira (5).

Apaixonado por futebol, ele joga bola desde os seis anos e sonha em ser um jogador. Apesar do trauma que viveu no incêndio, não vai desistir do sonho. "Todo mundo era quase irmão, era nossa família lá dentro. Cada um ajudando o outro sempre. Vou continuar correndo atrás do meu sonho. Eles se foram e eu vou homenageá-los, vou correr atrás por eles. Eles não tiveram a chance e o sonho deles acabou".

Para ele, chegar em casa e abraçar a família é um alívio.

- Deus me deu uma segunda chance.

Tragédia

O incêndio atingiu o alojamento no Ninho do Urubu, na Zona Oeste do Rio, no início da manhã desta sexta-feira. Jovens atletas do Flamengo estão entre os dez mortos.

As chamas atingiram as instalações onde dormiam jogadores entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio. Às 9h50, a polícia chegou ao Ninho do Urubu para fazer a perícia. Um inquérito foi instaurado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar as causas do desastre.

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