Análise: Rafinha cobre “buraco”, mas Flamengo sofre para criar e tira lição para enfrentar o Emelec

Lateral faz a diferença em atuação impositiva do Rubro-Negro pela técnica, mas que expõe necessidade de meias lesionados para decisão pelas oitavas de final da Libertadores

Publicado em: 29 de Julho de 2019
Autor: Cahê Mota — Rio de Janeiro
Fonte: GE

Em um Flamengo soberano, mas longe de ser criativo, foi o camisa 13 que botou o clássico com o Botafogo debaixo do braço e decidiu em cenário similar ao que espera o Rubro-Negro quarta-feira diante do Emelec. Copo meio cheio para quem precisa buscar alternativas para que a supremacia técnica não dependa da qualidade individual no jogo que vale a vida na Libertadores.

 

Com qualidade técnica consideravelmente superior ao Botafogo, o Flamengo se impôs no campo ofensivo no clássico de domingo no Maracanã. A carência de um nome que pensasse o jogo pelo meio, no entanto, se fez evidente e se não fosse o talento Rafinha os 56% de posse de bola (que chegaram a ultrapassar a casa de 60 ao longo dos 90 minutos) pouco teriam feito a diferença diante do buraco entre defesa e ataque.

 

Aberto pela direita, Gérson teve sua melhor atuação com a camisa rubro-negra. O Flamengo tinha praticamente quatro homens de frente ao lado de Gabriel, Bruno Henrique e Lincoln, mas carecia de quem pensasse o jogo. A missão caia nos pés de Cuéllar e Arão, facilitando as ações defensivas do Botafogo.

 

Intenso nos dez minutos iniciais, o time de Jorge Jesus foi incapaz de transformar a superioridade em gol e viu o adversário abrir o placar na primeira investida em bola aérea. Diego Alves falhou, e Cícero abriu o placar.

 

Este era o panorama: o Botafogo dava impressão de que só assustaria em bolas paradas. E para isso acabou contando com o vacilo do goleiro rubro-negro em duas ocasiões. Na maior parte do jogo, porém, foi ataque contra defesa, e pelos lados o Flamengo encontrou caminhos que pareciam engarrafados no centro de ataque.

 

A vitória não pode maquiar a urgência de que Éverton Ribeiro e/ou De Arrascaeta estejam à disposição para dar um toque de criatividade a um time que soube fazer valer a melhor qualidade técnica e pressionar o Botafogo, mas sofreu para criar chances claras. Menos mal que Rafinha fez a diferença.

 

O lateral foi o sopro de criatividade de um time que, mais uma vez, teve em Gabriel uma figura incansável, mas venceu mais pela insistência do que pela criatividade. Lição para quarta-feira, quando um gol de diferença não será suficiente.

 

Vendo a parte meio cheia do copo, a vitória enalteceu o valor de Rafinha e reforçou a importância de ao menos um dos dois lesionados ir para o sacrifício na Libertadores. Tecnicamente, o Flamengo é muito melhor do que o Emelec (como contra o Botafogo), mas é preciso ir além da lateral direita para seguir vivo na competição mais importante das Américas.

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