Análise: Santos, com dedo de Sampaoli, vira líder com solidez e competitividade

Vitória sobre o Avaí tem alma latina e evidencia o controle do treinador sobre o elenco; entrada de Felipe Jonatan mostra visão de jogo do argentino

Publicado em: 29 de Julho de 2019
Foto Por: Ricardo Moreira/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Autor: Alexandre Alliatti — São Paulo
Fonte: Globo esporte
Jorge Sampaoli comanda a liderança do Santos: time competitivo, muita visão de jogo

O Santos virou o líder do Campeonato Brasileiro em um jogo que ilustra muito bem por que isso aconteceu. A vitória de 3 a 1 sobre o Avaí, neste domingo, na Vila Belmiro, foi uma espécie de síntese das características que alavancaram o Peixe para a ponta da competição após 12 rodadas. E essas características passam pelo trabalho brilhante de Jorge Sampaoli.

 

Para ser o primeiro colocado, o Santos teve que vencer o último colocado, e até nisso há certo simbolismo. Embora a figura de Sampaoli convide a pensarmos em seus times como equipes extravagantes, excepcionais, não é por isso que o Santos é líder: ele é líder porque, antes de mais nada, é um time seguro.

 

A atuação e o resultado contra o Avaí ajudam a mostrar isso – um Santos que constrói vitórias sólidas, que não tem placares extravagantes (só venceu um jogo por mais de dois gols no campeonato: 3 a 0 no Vasco).

 

Contra o Avaí, mesmo obviamente superior, o Santos não foi avassalador: foi competitivo. Assim, soube ler um adversário que se mostrou mais agressivo do que o esperado, soube ser oportunista para sair na frente, soube reagir depois de levar o empate, soube controlar o jogo até matá-lo com o terceiro gol. Nada espetacular: mas efetivo, cirúrgico.

 

Até por isso, o Santos alcança a liderança do Brasileirão sem ter o melhor ataque do campeonato (Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG e Athletico-PR fazem mais gols), e tampouco a melhor defesa (Palmeiras, Corinthians e São Paulo levam menos). Mas é quem mais vence.

 

A nova vitória teve alma latina, a marca de um elenco recheado de estrangeiros, muitos deles pedidos por Sampaoli (casos do colombiano Aguilar e do venezuelano Soteldo, titulares contra o Avaí). Mas é interessante que os dois primeiros gols do Santos na partida tenham saído dos pés de gringos que já estavam no clube antes do treinador. Ele não pediu a contratação de Derlis González e de Carlos Sánchez. Mas sabe usá-los.

 

No primeiro gol, Sánchez cobrou falta, a zaga do Avaí deu rebote, e Derlis fez; no segundo, Soteldo criou linda jogada, passou por três marcadores e cruzou para Sánchez marcar. Já o terceiro foi de Felipe Jonatan, e esteve neste jogador a principal participação do treinador na partida.

 

Sampaoli, no intervalo, tirou o volante Alison (que estava amarelado) e colocou Felipe Jonatan, um lateral-esquerdo. Parecia não fazer o menor sentido. Mas logo fez. Com a mudança, o treinador posicionou Diego Pituca à frente dos defensores e, logo depois dele, montou uma linha de quatro meias. Felipe Jonatan entrou ali, pendendo para a esquerda, entre Marinho (que entrou no lugar de Soteldo) e Carlos Sánchez.

 

A modificação moldou o segundo tempo. O Avaí ficou amarrado, e o Santos controlou o jogo como quis. E mais: viu Felipe Jonatan se destacar. Aos 23 minutos, em um chute dele, de fora da área, quase saiu o terceiro gol: o goleiro Lucas Frigeri deu rebote, Eduardo Sasha mandou na trave, Sánchez não conseguiu aproveitar a sobra.

 

A bola não entrou, mas entraria dez minutos depois, novamente com Felipe Jonatan, em conclusão pela esquerda. Ele deu um chapéu em Betão e contou com um desvio em Pedro Castro para ver a bola encobrir o goleiro.

 

O gol foi uma vitória pessoal de Sampaoli e garantiu ao Santos a vitória e, consequentemente, a liderança. O Peixe agora tem dois pontos à frente do Palmeiras. Em junho, quando o Brasileirão parou para a disputa da Copa América, tinha cinco pontos a menos que o rival. Foram sete pontos de diferença em apenas três rodadas.

 

Cabe a ressalva, claro, de que toda a empolgação carregará também a precocidade: foram disputadas apenas 12 rodadas, menos de um terço do campeonato. Mas as perspectivas são interessantes para o Santos. Palmeiras e Flamengo, segundo e terceiro colocados, estão envolvidos em competições paralelas. O Santos só tem o Brasileirão.

 

A próxima rodada pode deixar o clube ainda mais confortável. No domingo, o Santos volta a jogar na Vila Belmiro: recebe o Goiás às 11h. Palmeiras e Flamengo têm jogos teoricamente mais duros: clássico com o Corinthians em Itaquera e duelo fora de casa com o Bahia, respectivamente.

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