Menos pão, mais salada: Gabriel Jesus conta como virou um "novo atleta" no City e na Seleção

Atacante revela detalhes de sua preparação física pessoal e também da aflição do vestiário do Maracanã, depois da expulsão na final da Copa América contra o Peru: "Fiquei ajoelhado"

Publicado em: 13 de Julho de 2019
Foto Por: Ricardo Moraes/Reuters
Autor: Alexandre Lozetti — São Paulo
Fonte: Globo Esporte

Gabriel Jesus chegou à Copa América como reserva da Seleção e camisa 33 do Manchester City. Durante os quase 50 dias em que esteve concentrado, ganhou a posição, fez seus dois primeiros gols em Copas, na semifinal e na final, e de quebra passou a ser 9 também em seu clube. Uma volta por cima do atacante que, até pouco tempo atrás, falava muito da Copa do Mundo sem gols.

 

Agora, aos 22 anos, Gabriel Jesus já pode comentar uma retomada, que ele atribui, entre outros fatores, à presença do preparador físico André Cunha, que cuida pessoalmente do atacante em Manchester. Com muita conversa, com menos pão e mais salada.

 

– Eu não comia salada, nada disso, e hoje como mais. Não agora porque estou de férias, então falei para ele: “Esquece salada, só quando eu voltar” (risos). Ele está me ajudando bastante. É muito importante ter uma pessoa ao seu lado, que te conhece melhor até do que o preparador do clube, mas estão sempre conectados. Eu não faço nada a mais ou a menos, faço o que preciso – disse.

 

Gabriel Jesus atendeu veículos de imprensa por 10 minutos cada um, na manhã de quinta-feira, em São Paulo. Um dos últimos compromissos antes de viajar de férias, se reapresentar ao City e aguardar a próxima convocação da Seleção, em agosto. Ele certamente estará na lista de Tite.

 

Veja a entrevista de Gabriel Jesus ao GloboEsporte.com:

 

A CBF divulgou o vídeo de bastidores da final e mostra sua aflição depois da expulsão. Como foram aqueles minutos sem poder estar em campo, sabendo que você até então era o cara da partida, com um gol e uma assistência, e de repente poderia acabar sendo culpado por uma derrota?
Foi duro, uma mistura de vontade de ficar em campo e ajudar minha equipe a conquistar o título com o sentimento de que, no meu modo de ver (a expulsão) foi injusta. Acho que nem o primeiro cartão eu tinha que ter levado. Foi um momento complicado. Eu fiquei no corredor chorando e xingando, e me puxaram para o vestiário. Fiquei assistindo (ao jogo) da sala do doping e quando não fui sorteado, fui assistir do vestiário. Fiquei ajoelhado, só levantei quando saiu o gol de pênalti do Richarlison. Aí fui para o túnel, mais calmo. Foi difícil segurar porque jogar mais de 25 minutos com um a menos numa final é bastante complicado.

 

Já viu o GIF que fizeram com sua leitura labial, de brincadeira?
Já vi, que eu falei não sei o quê, da mãe, do Ben 10 (desenho norte-americano) (risos). É mentira. Eu me lembro de ter dito que ainda falaram que estava roubado para a gente e, caramba, olha como me expulsaram. Mas estou vendo a zoeira sim.

 

Acha que a frase do Messi, de que a Copa América estava armada para o Brasil, pesou na arbitragem da final?
Pode ser que sim, se trata do Messi, do melhor jogador do mundo, do peso que ele tem. Acho que ele se precipitou ao falar isso, não pega legal falar que uma seleção comprou um campeonato. Acredito que pesou um pouquinho sim, pela maneira que fui expulso. Eu bato muito nisso, porque se o árbitro tivesse me dado um cartão amarelo agora e depois de cinco minutos outro, beleza. Mas tomei um aos 20 minutos do primeiro tempo e depois só no segundo tempo, e o árbitro já sacou o vermelho, sem nem conferir antes. Por isso eu fiquei mais bravo, mas é vivendo e aprendendo, evoluindo para não acontecer de novo.

 

Outra coisa que o vídeo da CBF mostra é o gesto dos jogadores ficando sobre um joelho, em retribuição ao que o Tite costuma fazer para vocês. Em que momento ele faz isso, o que isso simboliza?
Ele faz isso direto, nos treinamentos, nos jogos. Ele explicou que é uma forma de nos respeitar muito, de se colocar não só como técnico, porque todo mundo fala do técnico, do “hómi” (expressão utilizada por jogadores e comissão técnica da Seleção para se referir a Tite), mas como um representante dentro de campo, respeitando a gente. Ele é um cara que dispensa comentários, quem o conhece sabe. E o Dani também é um grande capitão, um grande cara.

 

Tite havia sofrido críticas em 2018 por não te tirar do time, e dessa vez houve críticas por ele ter te colocado. Como é ter um técnico que enfrenta críticas por um jogador?
Eu o agradeci porque é um cara que confiou, bancou, e eu disse que estava disposto a ajudar da melhor forma. Foi o que aconteceu. Não joguei de centroavante, mas joguei na ponta e acredito ter ajudado bastante.

 

Embora você tenha jogado na ponta, sua função foi muito diferente da do Everton, ou do que faz o Sané no City, por exemplo. Essa versatilidade tática é um trunfo para seu futuro?
Sou muito abençoado de poder jogar em mais de uma posição. Centroavante ou nas duas pontas. Isso faz com que eu trabalhe mais e tenha mais oportunidades. No City vai existir briga como centroavante, ponta, é o ciclo que sempre há ali, o rodízio. Esse ano vai ser muito bom porque todos estarão muito preparados, alguns com mais tempo de férias, isso é muito importante. Estarei com um pontinho de interrogação na cabeça, mas vou tentar fazer meu melhor onde o Guardiola me colocar para jogar.

 

Você estreou na Seleção em 2016 e logo marcou cinco gols em seis jogos. Em 2019 já foram sete gols em nove partidas. Em que momento você está melhor? Naquele ou agora?
Os dois foram muito importantes, assim como a Copa também foi. É que os gols saíram antes e estão saindo agora, meu futebol prevalece um pouquinho mais. Estou muito feliz por ajudar a Seleção com gols e assistências, isso me dá mais confiança.

 

Gabriel Jesus tem 18 gols em 35 jogos na seleção brasileira. Em 2019, já marcou sete.

Mas não se sente mais bem preparado agora, mais maduro?
Claro, eu falei antes da Copa América que estava mais preparado como jogador e também na cabeça. É a vida, você tem que evoluir, eu foquei muito no City, evolui dentro e fora de campo. Tenho uma bagagem de três anos de Seleção, experiências incríveis, momentos muito bons, bons, outros não tão bons assim. Acho que isso fortalece muito minha qualidade como jogador e como pessoa. Isso me tornou um pouquinho mais experiente.

 

E nessa evolução, qual o tamanho da participação do profissional que você levou para Manchester, do seu preparador físico pessoal?
O André me ajudou bastante, é um preparador físico graduado, mas também me ajuda na alimentação, conversa no dia a dia. Foi um pouquinho duro para o City aceitar, porém eles viram que melhorei bastante. Eu não comia salada, nada disso, e hoje como mais. Não agora porque estou de férias, então falei para ele: “Esquece salada, só quando eu voltar” (risos). Ele está me ajudando bastante. É muito importante ter uma pessoa ao seu lado, que te conhece melhor até do que o preparador do clube, mas estão sempre conectados. Eu não faço nada a mais ou a menos, faço o que preciso. Ele me ajudou a melhorar como atleta de futebol e pessoa.

 

A salada você acrescentou na dieta, e o que você tirou? O que teve de cortar e foi mais difícil?
O pão eu diminuí bastante. Não tirei, mas diminuí muito. Eu como muito pão, arroz, feijão, carne. Se deixar, como isso o dia inteiro, então cortar essas coisas, o pão de queijo, foi duro.

 

A Seleção pode fazer até 40 jogos até a próxima Copa do Mundo. O que você espera da equipe, como vê seu futuro nesse contexto?
Eu espero que a Seleção faça bons jogos, amistosos e competições até a Copa e também na Copa. Acredito e tenho muita confiança na comissão técnica, no treinador e nos atletas. Óbvio que alguns jogadores vão chegar, talvez alguns possam sair, mas confio muito na Seleção.

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