Patinadora de freestyle slalom faz 'vaquinha' para participar de Campeonato Sul-Americano

A jovem está entre as três melhores patinadoras do Brasil e luta por reconhecimento no cenário esportivo nacional e internacional

Publicado em: 16 de Julho de 2019
Foto Por: Janderson Cordeiro
Autor: GloboEsporte.com — Araguaína, TO
Fonte: GloboEsporte.com — Araguaína, TO
Nathalia Ellen durante a competição no Sul-Americano em São Paulo

A patinadora Nathália Ellen se prepara para duas competições importantes nos próximos dias: uma em Salvador e outra em Santiago, no Chile. Ela é maranhense de nascença, mas araguainense de coração. A jovem aprendeu a patinar sozinha no norte do Tocantins, vendo referências na internet e praticando todos os dias. Para manter o sonho vivo, a jovem agora busca apoio por meio de uma 'vaquinha' virtual.

 

A jornada da campeã teve início em setembro de 2017, quando começou a assistir vídeos sobre patinação e aos poucos foi se apaixonando pela modalidade de Freestyle Slalom. A falta de um professor foi uma barreira que ela precisou superar.

 

- No início chegou a ser bem difícil para aprender, principalmente estando sozinha e sem ninguém para me ensinar. Em Araguaína tem muitos patinadores, eles conhecem a minha modalidade, mas nenhum praticava esse estilo. Então para aprender eu assistia tutoriais na internet e reproduzia quando ia treinar. Foram muitas quedas e chegava a até ficar dolorida. Até hoje isso ainda acontece, mas com o tempo fui aprendendo a cair.

 

A evolução de Nathália aconteceu graças à rotina de treino diária nos parques de Araguaína, principalmente no Parque Cimba. A jovem costuma passar horas praticando as manobras, visando um lugar no ranking nacional e mundial. Porém, Nathália diz que falta apoio e locais apropriados para a modalidade.

 

- Eu pratico em um parque público e não posso treinar pela parte da manhã pois ajudo a minha mãe nos afazeres de casa. Geralmente vou no finalzinho da tarde quando o sol está menos quente. Já fui assaltada duas vezes de noite enquanto treinava, então é perigoso ficar no parque até mais tarde. A falta de apoio também me atrapalha, pois as peças de patins são caras e por estar desempregada isto me afeta bastante.

 

A atleta sonha em participar de um mundial e conhecer a patinadora russa Sofia Bogdanova, que lhe incentivou a começar na modalidade por meio de um vídeo. Durante sua recente trajetória, Nathália conquistou vários títulos como atleta. Entre eles, três nacionais e um Sul-Americano, onde ficou com um terceiro lugar. Ela explica como foi a participação em suas primeiras competições.

 

- Competi contra atletas de nível avançado. No começo eu ficava bastante insegura por ter apenas oito meses de Slalom e enfrentar garotas que tinha quatro a seis anos de patinação, mas me surpreendeu muito a maneira como todas me deram forças para continuar e superar a timidez.

 

Por conta da dificuldade financeira, Nathália está fazendo uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para a viagem. A atleta conta que tentou de tudo para juntar o valor necessário para seguir a jornada e mostrar seu talento no cenário nacional.

 

- A vaquinha veio em um momento de dificuldade por não ter mais nenhum tipo de opção para arrecadar o dinheiro que preciso para competir. Eu já tentei de tudo: rifa, bombons, feijoada. Tudo para participar dos campeonatos. A rifa, no começo, foi para frente, mas hoje não mais. Por isso tentamos inovar com a vaquinha.

 

As duas próximas competições serão realizadas em agosto e até lá Nathália espera arrecadar o máximo que puder no tempo restante.

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