Peso do ouro: Isaquias domina, Milena dá boa esperança, e triatlo e Caio Souza no caminho certo

Canoísta dificilmente fica fora do pódio olímpico, lutadora mantém bom nível do Mundial, ginasta e equipe mista de triatletas precisam seguir bom trabalho para pensar em medalha em Tóquio

Publicado em: 30 de Julho de 2019
Foto Por: InfoEsporte
Autor: Rodrigo Breves
Fonte: Globo esporte

O desempenho do Brasil no Pan sempre dá esperança aos torcedores em relação às medalhas nas Olimpíadas no ano seguinte. Em 2020, a festa do esporte vai ser em Tóquio, no Japão. Pensando nisso, o GloboEsporte.com analisa cada medalha de ouro da delegação verde-amarela em Lima 2019 dando o peso que cada uma delas tem no cenário mundial. Em caso de esporte ou prova não olímpica, o atleta ficará sem avaliação.

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Isaquias é uma estrela do esporte brasileiro com muito merecimento. Medalhista olímpico e mundial, ele controlou a prova do Pan e a revelação cubana Fernando Jorge, que foi prata, para ser bicampeão no C1 1000m. Na canoagem velocidade, os tempos evoluem bastante de um ciclo olímpico para outro. O tempo de 3m47s631 seria ouro nas Olimpíadas do Rio, em 2016, e mesmo no Mundial de Montemor, em 2018, mas, para ser campeão mundial no fim do mês de agosto, na Hungria, são esperadas marcas ainda mais baixas, e o bom baiano está firme na briga.

 

Seus principais rivais, que já fizeram tempos na casa de 3m42s ou 3m43s, são o campeão olímpico e mundial da prova Sebastian Brendel, da Alemanha, e o tcheco Martin Fuksa. É difícil imaginar Isaquias fora do pódio em Tóquio 2020, a não ser por um imprevisto como aconteceu no próprio Pan de Lima com seu companheiro no C2 1000m Erlon Souza, que passou mal durante a prova. Com os três favoritos chegando em forma nas Olimpíadas, quem der o impulso final mais forte fica com o lugar mais alto do pódio, e Isaquias tem tudo para ser o cara na Terra do Sol Nascente.

 

O taekwondo brasileiro provou sua evolução no Pan com campanha histórica de sete pódios, e um dos destaques é justamente Milena Titoneli. A paulista não teve vida fácil em Lima e precisou se desdobrar para superar a americana Paige McPherson, que é a número seis no ranking mundial. No caminho, ela passou ainda pela surpresa cubana Arlettys Acosta e pela colombiana Katherine Dumar, 40 do mundo, justamente as duas medalhistas de bronze, que bateram rivais mais bem ranquedas do que elas como a mexicana Victoria Tamez, 25ª, e a canadense Ashley Kraayeveld, 27ª.

 

Milena, que é 16ª no ranking, já havia feito uma campanha excelente ao conquistar o bronze no Mundial de Manchester, em maio deste ano. McPherson não foi a única top 10 que a brasileira venceu em 2018, já que a croata Matea Jelic (5ª) e a sul-coreana Kim Jan-Di (8ª) também não resistiram aos golpes certeiros da brasileira, que só foi parada na semifinal pela atual número 1 do mundo Nur Tatar, da Turquia. O caminho para a medalha olímpica é bem possível pelo que Milena Titoneli tem feito até agora, mas, se estiver no dia perfeito, como aconteceu no Pan, tudo pode acontecer.

 

Foi um ouro inédito para a ginástica artística brasileira que mostra a evolução de Caio Souza. O atleta dominou a pressão, fez ótimas apresentações no salto, na barra fixa e nas argolas, mas precisa melhorar as notas nas paralelas, no solo e, principalmente, no cavalo com alças, se quiser pensar em medalhas numa competição de nível mundial como os Jogos Olímpicos. Russos e chineses dominam o cenário no momento e são os ginastas mais completos e próximos para chegar ao pódio do individual geral em Tóquio 2020.

 

Por outro lado, chegar à final olímpica está bem ao alcance de Caio. Ele vem de uma cirurgia no tornozelo há menos de três meses e pode evoluir bastante até o ano que vem. A nota de 83.500 garantiria uma posição entre os top 10 do mundo com a nona colocação na final do Mundial de Doha, em 2018. Medalhista de prata em Lima, Arthur Nory já tem a experiência da final na Rio 2016, quando foi 17º colocado. Os dois brasileiros estão no caminho certo para cravar mais bons resultados em todos os níveis.

 

triatlo brasileiro encerrou no Pan com o segundo ouro em três possíveis em prova que vai estrear nos Jogos Olímpicos de Tóquio: o revezamento misto. As potências do esporte são Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, mas as americanas não trouxeram sua equipe principal para Lima, que poderia ter dado trabalho ao time formado por Luisa Baptista, Vittoria Lopes, Manoel Messias e Kauê Willy.

 

O tempo não é o mais importante no triatlo, já que as condições climáticas influenciam bastante no rendimento dos atletas em cada prova. No entanto, as 2h20m34 de Lima estão bem dentro do que fizeram as grandes equipes nos últimos dois anos. Na final do revezamento em Edmonton, em 2018, o time do Pan seria sétimo colocado, enquanto na etapa disputada na mesma cidade canadense em julho deste ano, subiria para quarto lugar. A equipe brasileira é competitiva, mas precisa provar que pode enfrentar de igual para igual as principais forças do esporte nos eventos do circuito mundial que vão anteceder as Olimpíadas de Tóquio.

 

Confira as demais avaliações:

27/07 - Luisa Baptista (triatlo) e Bruna Wurts (patinação artística)
28/07 - Equipe masculina (ginástica artística) e Netinho Marques (taekwondo)

O Pan de Lima reúne cerca de 6.580 atletas de 41 países das Américas. Dos 39 esportes, 22 valem como classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020. No total, o Brasil terá 485 atletas em ação na capital do Peru. E os canais SporTV transmite ao vivo os principais eventos até o dia 11 de agosto.

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