Autoridades questionam relatos de americanas resgatadas no Pacífico

Publicado em: 06 de Novembro de 2017
Foto Por: Jonathan Clay/US Navy/AFP
Fonte: G1
Foto divulgada pela marinha mostra Tasha Fuiava ao ser resgatada em 25 de outubro, no Oceano Pacífico

 

Autoridades americanas e especialistas em navegação têm colocado em dúvida o relato de duas navegadoras que dizem ter sido resgatadas após seis meses perdidas no Oceano Pacífico.

Jennifer Appel e Tasha Fuiava, acompanhadas por seus dois cães, foram resgatadas em 24 de outubro por um pesqueiro de Taiwan. Elas alegam ter saído em maio do Havaí em direção ao Taiti, numa viagem de 3.200 km, mas tiveram um problema no motor menos de um mês após a partida.

Contando com as velas da embarcação para prosseguir a viagem, as navegadoras saíram da rota e superaram o tempo estimado para chegar ao destino, decidindo então pedir socorro.

Autoridades da Guarda Costeira americana, porém, apontam inconsistências no relato apresentado para a comissão que investiga o caso. Por exemplo, o fato de o veleiro contar com um sinalizador de rádio (Emergency Position Indicating Radio Beacon, ou EPIRB, na sigla em inglês) operante.

O EPIRB é um dispositivo robusto, que raramente apresenta falhas e é capaz de enviar sinais de emergência mesmo de locais remotos do globo. Questionadas pela agência Associated Press, as navegadoras não mencionaram o sinalizador.

Após as alegações da comissão, Appel e Fuiava afirmaram que não usaram o EPIRB por não terem sentido suas vidas ameaçadas durante o percurso.

Outra parte contestada do relato foi uma suposta tempestade que o veleiro teria enfrentado logo nos primeiros dias após zarpar, por três dias e duas noites. Segundo a Guarda Costeira dos EUA, imagens de satélite da Nasa e registros de outras embarcações não mostram nenhuma adversidade climática do tipo na área.

Um outro ponto polêmico do relato é um ataque de tubarões que a embarcação teria sofrido. Em um programa de TV, Appel disse que um grupo de cinco tubarões-tigre investiram contra o veleiro à noite, aparentemente enquanto ensinavam filhotes a caçar. O “New York Times” ouviu um pesquisador do Florida Program for Shark Research, que classificou a história de “algo que você espera ouvir de crianças de quatro anos de idade”.

Segundo o George Burgess, a espécie não anda em bandos, não ensina filhotes e não são tão grandes quanto Apel estimou.

Também segundo o “New York Times”, especialistas em navegação acham improvável que o veleiro utilizado fosse incapaz de navegar até terra firme no período.

 

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