Cerca de 50 famílias ficam isoladas e perdem lavouras após enchente em Pium

Estradas viraram 'lago' e impediram alunos de irem à escola. Prefeito declarou situação de emergência depois que quatro rios transbordaram.

Publicado em: 17 de Fevereiro de 2018
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 TO
Fonte: G1 TO
Casas são tomadas pela água depois de enchente em Pium

A enchente em Pium continua provocando estragos para os moradores da zona rural. As estradas viraram ‘lagos’ e deixaram comunidades ilhadas. A prefeitura da cidade disse que cerca de 50 famílias que vivem num assentamento na região foram as mais atingidas pela chuva desde o começo do mês. Agricultores perderam as lavouras e lamentam os prejuízos. 

G1 acompanha a situação na cidade desde quarta-feira. Quatro rios transbordaram e encheram as 50 represas do município além da capacidade. O prefeito Valdemir Oliveira Barros (PSBD) declarou situação de emergência.

O secretário executivo da Coordenadoria de Defesa Civil, major Diógenes Madeira, explicou que isso acontece quando o município faz o remanejamento de recursos de outra área para fazer frente ao desastre e socorrer as pessoas. "A situação de emergência é a segurança jurídica que ele precisa para fazer esse remanejamento. Agora se ele precisar de um volume financeiro maior, ou de maquinário ou de pessoal, ele pede ao governo federal o reconhecimento dessa situação de emergência".

Equipes da Defesa Civil estão na região e vão acompanhar a prefeitura na entrega de cestas básicas, além de fazer um levantamento dos prejuízos.

A família do produtor rural Sílvio dos Santos mora perto do rio Pium, que está muito acima do nível normal. A água invadiu a casa, deixando uma marca nas paredes. A família teve que suspender os móveis e eletrodomésticos para que os equipamentos não estragassem. Na horta do pequeno produtor, os pés de feijão e de mandioca foram perdidos.

 “Isso aqui era feijão. Estava nos dias de colher. Acabou com tudo. Esse aqui era para o consumo, para a despesa e olha o que virou. Esse aqui não aproveita mais não”, lamentou Sílvio.

O major Diógenes afirmou que o mais preocupante são as pessoas que perderam as lavouras e as crianças que não estão conseguindo ir à escola.

A situação exige cuidado por parte de quem se arrisca para trafegar nas estradas de chão que estão tomadas pela água.

Quem passa de motocicleta se molha e corre o risco de cair em algum buraco. “Encher o motor de água, travar tudo, estragar. Está ruim para passar. A água passou e tirou as pedras”, conta o operador de máquinas Fernando Carvalho.

Outros tentam amenizar o problema. O motociclista João Gonçalves resolveu cavar a terra de improviso, na beira da estrada, para ajudar a escoar a água e ter mais segurança.

“Estou aqui tentando aliviar a água das estradas para a gente poder trafegar nesse trecho porque está muito difícil de a gente andar. Está muito difícil mesmo”.

Depois que a água baixou, a prefeitura começou a visitar as famílias do assentamento. A agricultora Jacy Pereira viu a água chegar a quase um metro dentro de casa e correram para salvar o que podiam, mas portas e móveis ficaram danificados. Algumas galinhas que ela e o marido criavam morreram. A agricultora reclama da demora para receber ajuda.

“Eu fiquei desse jeito, mas teve gente, com certeza, que mora mais perto que ficou pior do que a gente. A gente espera uma força melhor. Quando a água entrou foi tão rápido, não deu tempo para a gente salvar nada praticamente. Não tinha para onde sair, não tinha para onde correr. A única coisa que nós fizemos foi colocar geladeira e o freezer em cima da mesa e deixar a água tomar de conta do resto porque não teve jeito de salvar”, relatou.

O prefeito disse que esta é uma das maiores cheias no município em 38 anos.

“A gente está alertando eles para que fiquem atentos porque a enchente do período não passou. Mês de março ainda é um mês chuvoso”, disse.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.