Homicídios que se repetem em Gurupi ressaltam a necessidade de convocação dos aprovados no concurso da PC

Publicado em: 19 de Janeiro de 2018
Foto Por: Divugação
Autor: Ascom
Fonte: Ascom

De dezembro a janeiro, a maior cidade do Sul do Tocantins, Gurupi, registrou quatorze homicídios e duas tentativas de assassinato. Foram dez registros no mês de dezembro e quatro apenas na madrugada da última quarta-feira, 17.

Em dezembro do ano passado a suspeita da Polícia era de que grupos rivais estivessem brigando pelo controle do tráfico de drogas. Os casos estão sendo investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, mas a Polícia não descarta nenhuma linha de investigação.
 

Com a população assustada e em alerta, o clima de violência tomou conta dos moradores que presenciam frequentemente homicídios na cidade. Uma cena que virou rotina no Município são motoqueiros encapuzados que atiram nas pessoas em bares ou que estão na porta de suas casas.

Geovane Miguel da Silva (18 anos), Marcos Túlio Sousa da Silva (24 anos), Elizair Querino Maciel (49 anos), Israel Barros de Aguiar (29 anos), Kleber Gomes de Sousa (33 anos), Rodrigo Alves Barros (31 anos), Francisco Nunes Ferreira (40 anos), Bonfim Kaio dos Santos de Oliveira (16 anos), José Bonfim Guilherme da Silva (34 anos), Thais Fernandes Lima (17 anos), Welton Pereira Pinto (31 anos) e mais três vítimas não identificadas engrossam a lista de crimes não solucionados pela Polícia.

E enquanto a cidade vive momentos de pânico e desespero, o governo do Estado continua a ignorar a importância da convocação dos candidatos aprovados no último concurso da Polícia Civil e o reforço emergencial na Segurança Pública do Estado.

O certame que se iniciou em 2014 tem ainda 175 candidatos aptos a entrarem em exercício, com formação pela Academia de Polícia em 2016. No ano passado o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), se comprometeu a convocar mais cinco peritos, trinta escrivães e 15 delegados. A promessa ainda não foi cumprida e mesmo diante de tantos crimes para serem investigados, o secretário estadual da Administração, Geferson Barros, afirmou recentemente em entrevista que só vai voltar a discutir possíveis nomeações a partir do mês de maio.

No entanto, deixar de investir no aumento de pessoal e consequentemente no reforço efetivo das investigações implica em aumento da criminalidade em diversos lugares do Tocantins, como em Gurupi. Ou seja, com casos de homicídios que assustam a cidade e não tem inquérito concluído, por isso a necessidade urgente da convocação dos aprovados remanescentes. 

 "Não adianta fechar os olhos para a violência que vivemos. Homicídios vão continuar acontecendo se não há polícia científica e investigativa para chegar ao fim destes crimes e ainda policias qualificados e peritos criminais para entregar à Justiças inquéritos consistentes que coloquem estes criminosos atrás das grades de uma vez por todas. A população precisa e merece paz! E todos sabemos do déficit de profissionais que há hoje na Polícia Civil tocantinense. O governo necessita dar um reforço e convocar, de uma vez por toda os aprovados que ainda estão aguardando", afirma o candidato aprovado no concurso da Polícia Civil para o cargo de perito oficial Heyder Monteiro. 

Numa cidade como Gurupi, em uma madrugada violenta como a da última quarta-feira, fica impossível para os profissionais que já integram o quadro da Segurança Pública responderem aos chamados de tantos crimes. E se de um lado está a ação rápida dos bandidos, do outro há profissionais sobrecarregados, que aguardam reforços de um quantitativo maior. 

"Sabemos que nossos colegas peritos e de outras áreas, têm excelente treinamento e capacidade para atuar na resolução destes e de outros crimes. Mas sabemos também que a falta de pessoal prejudica demais o trabalho, que muitas vezes poderia ser concluído num espaço de tempo curto e acaba sendo estendido por conta da deficiência de profissionais. Nós queremos ser convocados para trabalhar, contribuir e e solucionar estes crimes", ressalta o candidato aprovado para o cargo de perito oficial, Jorge Addad.

Nomeações
Na primeira chamada, em maio de 2017, o governo convocou 53 candidatos para o provimento dos cargos de delegado, 13 médicos legistas, 35 peritos, 63 escrivães, 44 agentes e 26 necrotomistas.

Já no segundo semestre, o Estado nomeou cinco peritos, 31 delegados e 50 escrivães. No entanto, conforme o edital, o governo ainda deve convocar os 175 aprovados remanescentes. 

Desta forma, ainda aguardam a nomeação final mais 88 escrivães, 47 delegados e 40 peritos.

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