Isolados em comunidade, quilombolas se arriscam ao atravessar rio em balsa improvisada

Sem ponte, moradores da Comunidade Boa Esperança precisam usar balsa feita com galões e madeira. Defensoria Pública entrou com ação para pedir construção de ponte sobre o rio Sono.

Publicado em: 11 de Julho de 2018
Foto Por: Divulgação
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Sem ponte, moradores atravessa rio Sono em balsa improvisada

Os quilombolas que vivem na comunidade Boa Esperança, a 75 km de Mateiros, no Jalapão, estão isolados. Na região não tem uma ponte. Para sair do lugar, eles se arriscam ao atravessar o rio Sono em uma balsa improvisada. A estrutura é precária, construída com galões e madeira. Por causa do problema, a Defensoria Pública do Tocantins entrou com uma ação contra o município de Mateiros e o Governo do Tocantins para que seja construída uma ponte.

 

O Governo do Tocantins disse que ainda não foi citado. O G1 busca contato com a Prefeitura de Mateiros.

Quem vive na comunidade se preocupa com a situação. O acesso à balsa é difícil e ela só permite a travessia de no máximo 10 pessoas, por vez. A estrutura é controlada por cordas amarradas em cada lado do rio. As crianças chegam a ficar sem ir à escola quando o cabo de aço usado para puxar a balsa fica debaixo da água.

O escoamento da produção agrícola, como farinha, feijão e hortaliças, também fica prejudicado. Segundo a Defensoria, muitos dos produtos perecíveis são estragados por não ser possível a travessia para vender a produção fora da comunidade.

Na época da chuva, a situação piora. A balsa não pode ser utilizada, pois aumenta o volume das águas do Rio Sono.

Na ação, a Defensoria pede à Justiça que o município de Mateiros e o Governo do Tocantins realizem o conserto da balsa em no máximo 15 dias, para garantir o acesso da comunidade ao município de São Félix e às demais regiões. Pede também que os entes apresentem um projeto e um cronograma para a construção da ponte de acesso à comunidade.

 

Outros problemas

 

Conforme a Defensoria Pública, a comunidade não tem serviços básicos de saúde, já que os moradores não recebem visitas regulares de equipes do Programa Saúde da Família, médicos, enfermeiros, dentistas, farmacêuticos e ambulância.

Os moradores vivem em casas de tapera, sem acesso a água encanada, energia elétrica, saneamento básico e transporte.

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