Morte de jovem baleado pela PM completa um mês e família pede justiça

Mãe e irmãos estão passando por dificuldades, já que Wilque Romano era o único da família que tinha um emprego. Inquérito sobre o caso ainda não foi concluído.

Publicado em: 05 de Fevereiro de 2018
Foto Por: Arquivo Pessoal
Autor: G1 TO
Fonte: G1 TO
Wilque Romano foi baleado pelas costas

morte do jovem Wilque Romano da Silva, de 19 anos, completa um mês neste sábado (3). O rapaz foi baleado por policiais militares durante uma abordagem em Formoso do Araguaia, no sul do Tocantins. A mãe e os irmãos contam que estão passando por dificuldades, já que o Wilque era o único que trabalhava na família. Eles pedem por justiça e querem que o trabalho de investigação seja mais rápido.

"Tá sendo difícil, até porque eu amanheço o dia e eu vou lá na cama dele e não vejo ninguém. A falta é muito grande." diz a mãe do jovem, Valdirene Romano. Ela manteve o quarto do filho arrumado como era antes da morte dele. "Até para comer é ruim. Não tem ele para comer mais eu", diz ela.

A Polícia Civil afirma que a investigação está em fase final e que aguarda laudos da perícia para concluir o caso. Já foram ouvidos mais de 10 testemunhas, além dos policiais envolvidos na operação.

"Eles tiraram um cidadão trabalhador, eles tiraram um filho de família. Não pode ficar como eles querem não, tem que ir pra frente", diz ela.

O caso

O caso aconteceu em Formoso do Araguaia no dia 3 de janeiro. A polícia afirma que Silva apontou uma arma para a viatura antes de ser baleado, mas a família negou que o jovem fosse dono da pistola supostamente encontrada com ele. Além disso, o exame pericial feito no corpo mostra que o tiro que causou a morte foi dado pelas costas da vítima.

A delegada informou ainda que ouviu oito testemunha que presenciaram os momentos seguintes a morte do jovem e todos afirmaram que a vítima não estava com arma. Um vídeo mostra o momento em que um dos policiais usa luvas para mexer no corpo da vítima.

Em depoimento a Polícia Civil, a mãe de Wilque Romano, contou que o filho tinha saído de casa para ir ao supermercado quando acabou sendo morto por policiais militares. Nas redes sociais, o jovem possuía fotos mostrando manobras feitas por ele em motocicletas. Esse inclusive, teria sido o motivo da polícia iniciar a perseguição contra ele.

Segundo Valdirene Romano da Silva, o filho pode não ter obedecido à ordem de parada porque a motocicleta estava com o documento atrasado e a carteira de habilitação que possuía era provisória.

Segundo a PM, a vítima estava no Setor Aliança em uma motocicleta e fugiu quando foi abordado. Ainda segundo a PM, Silva apontou uma arma em direção à viatura e fez um disparo, momento em que os policiais revidaram e o atingiram.

Equipes de socorro do município foram chamadas, mas o jovem não resistiu aos ferimentos e morreu no local. A Polícia Civil informou que a vítima não tinha passagem pela polícia.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.