Como que faz pra distrair três crianças, sendo que tem que ganhar o nosso pão?, diz avó que vive em comunidade pobre de BH

Maria Aparecida Brito mora no Alto Vera Cruz, tem três filhas e oito netos. Foi dispensada do trabalho, não tem renda e seu pedido de auxílio emergencial está sob análise.

Publicado em: 18 de Maio de 2020
Foto Por: Maria Aparecida Brito/Arquivo pessoal
Autor: Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte
Fonte: G1 Minas 
Maria Aparecida (sentada ao centro) com suas filhas e netos

Em março, Maria Aparecida Brito fazia faxina em pelo menos dez casas diferentes. “Trabalhava de segunda a sábado, cada diária saía por R$ 150”, disse ela. Ela mora no Alto Vera Cruz, comunidade pobre da Região Leste de Belo Horizonte, com uma das três filhas, que trabalhava com transporte escolar. Três netos, de 4, 8 e dez anos, que também vivem com a faxineira, estavam na escola.

 

Semanas depois, com o avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil, Maria Aparecida foi dispensada de todas as casas em que trabalhava. A filha, mãe solteira, também parou de receber salário porque, com as aulas suspensas, o transporte escolar também parou. As três crianças agora ficam em casa sem estudar.

 

Não há ensino online ou outro tipo de material didático oferecidos pela Secretaria Municipal de Educação. Por enquanto, não há uma definição sobre a retomada das aulas, segundo a pasta.

 

“E com que internet? A gente não tem como pagar. Virou supérfluo. E como que faz pra distrair três crianças dentro de casa, sendo que a gente tem que ganhar o nosso pão de todo dia? É o caos”, contou Maria Aparecida, de 50 anos, diabética.

 

Segundo ela, as saídas de casa são poucas. Na maioria das vezes acontecem apenas para fazer alguns “bicos” e compras. “Tudo subiu, né? Luz, gás. Internet mesmo a gente não tem como pagar. Minha neta até brinca de boneca, sozinha, tranquila. Agora um dos meninos fica muito inquieto. E eu não posso permitir que eles brinquem na rua com essa doença aí”, contou a avó.

 

A família recebeu uma cesta básica da Prefeitura de Belo Horizonte e aguarda o auxílio emergencial de R$ 600. “Está sob análise", contou a faxineira.

 

Maria Aparecida ainda tem outras duas filhas que são casadas e moram em outras casas. Ela ainda tem outra cinco netos, um deles nasceu no dia 10 de maio.

 

“A gente se vira como Deus quer. Deus ajuda, né?”, contou.

Alto Vera Cruz

 

O Alto Vera Cruz fica na Região Leste de Belo Horizonte. A favela reúne hoje mais de 47 mil moradores e é uma das maiores da capital.

 

A ocupação começou nos anos 50, quando terras de três fazendas da região foram compradas e depois abandonadas pela então Companhia Mineradora de Belo Horizonte.

 

População: 47.530 pessoas

Localização: Região Leste de Belo Horizonte

Origem: Ocupação começou em 1950 em uma área abandonada pela Companhia Mineradora de Belo Horizonte

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