Laudo conclui que represa se rompeu por causa de chuva intensa e falhas estruturais, em Pontalina

Acidente destruiu a casa de um casal e deixou família ilhada. Dono da represa, ex-prefeito foi multado em quase R$ 100 mil.

Publicado em: 10 de Janeiro de 2020
Foto Por: Vanessa Martins/G1
Autor: Vanessa Martins, G1 GO
Fonte: G1 GO
Água destrói casa de chácara após rompimento de barragem em Pontalina

O laudo da perícia feita na represa que se rompeu em uma fazenda de Pontalina, no centro de Goiás, foi divulgado nesta sexta-feira (10) e apontou que o acidente foi resultado da soma de vários fatores: chuva intensa, falta de manutenção e estrutura feita sem engenheiros. O dono da propriedade é um ex-prefeito e foi multado em quase R$ 100 mil.

 

G1 tenta contato com o proprietário da fazenda São Lourenço das Guarirobas,Edson Guimarães, para que se posicione sobre o resultado do laudo.

 

A represa se rompeu na manhã do último sábado (4). Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), a água que saiu da barragem destruiu a casa de um casal, que foi levado pela correnteza e se salvou se agarrando a uma árvore. Outra família chegou a ficar cerca de cinco horas ilhada.

 

A barreira foi construída no leito do Córrego do Jataí para irrigar a plantação da propriedade. No dia do rompimento, Pontalina registrou 192 milímetros de chuva em 12 horas - 76% do esperado para o mês. O laudo lista os seguintes pontos para o rompimento da represa:

 

Chuva muito volumosa e rara;

 

A barragem foi feita, provavelmente, sem planejamento técnico de engenheiros e "por mão de obra não habilitada ou, se legalmente habilitada, imperita na atividade";

 

A estrutura usada para impedir que a represa transbordasse era menor do que o necessário e tinha uma adequação que impedia o funcionamento correto e adequado dessas estruturas.

 

Sem cadastro

 

O Superintendente da Secretaria do Meio Ambiente, Robson Disarz, explicou que há três documentos necessários para que a represa seja legal. Destes, um não foi feito pelo responsável, segundo ele.

 

"É preciso ter a outorga pelo uso da água, que havia. É preciso de uma licença para barramento, que foi dado pelo município. Por fim, o cadastro que é nacional para avaliar riscos e estratégias de fiscalização, que não havia sido feito pelo proprietário", explicou.

 

Sobre este problema, o ex-prefeito disse que não foi possível fazê-lo por causa de problemas com o site do órgão. “No começo de dezembro, nossa técnica tentou diversas vezes registrar [a represa no cadastro de segurança]. Não só no meu caso, mas de diversos outros clientes dela, ela não conseguiu porque o site não funcionou.”, explicou.

 

A Semad, no entanto, rebateu a reclamação do ex-prefeito. Segundo a secretaria, Edson não iniciou o cadastro no sistema e que, portanto, não deu informações básicas que demonstrariam a intenção dele de iniciar o cadastro.

 

Estragos

 

Também segundo Robson, o dono da propriedade já foi autuado em R$ 96 mil. "Os danos estão sendo apurados" e pode ser que o ex-prefeito também tenha que arcar com essas perdas.

 

Edson afirma que a destruição da casa dos lavradores e os estragos em duas pontes não aconteceram por causa do rompimento da represa dele.

 

“Ela foi levada pela agua do córrego, que eu tenho notícia de que ela começou a desabar entre 6 horas e 8 horas da manhã. A represa nossa que rompeu, infelizmente, foi por volta de 11 horas.”, defendeu-se.

 

Apesar dessa defesa, o ex-prefeito disse que assumirá os prejuízos das vítimas se ficar comprovado que foi o rompimento da represa dele que causou os estragos.

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