Sábado,
18 de Setembro de 2021

Mortes violentas sem motivo definido crescem 35% em 2019

Segundo Atlas da Violência, país registrou mais de 623 mil assassinatos entre 2009 e 2019. Desse total, 53% são adolescentes

Autor: ​SÃO PAULO | Do R7

Fonte: Do R7

Publicado em 31 de Agosto de 2021 (Atualizado Há 3 semanas atrás)

Legenda: País tem 623.439 vítimas de homicídio entre 2009 e 2019, diz Atlas

Autor da Foto: DIVULGAÇÃO

O país registrou um crescimento de 35% no total de mortes por causa indeterminada entre 2018 e 2019. O número pode refletir em uma subnotificação dos 45.503 homicídios registrados no país nesse período. De acordo com o Atlas da Violência deste ano, entre os anos de 2009 e 2019, 623.439 pessoas foram vítimas de homicídio no Brasil. Deste total, 333.330 vítimas eram adolescentes e jovens, o que equivale a 53%.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (31) no Atlas da Violência, publicação elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN).

Os números apresentados pela publicação foram obtidos a partir da análise dos dados do Sistema de Informações sobre a Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, num período anterior à pandemia de covid-19.

“O crescimento brusco desse índice nos últimos anos, como nunca antes observado na série histórica, acarreta sérios problemas de qualidade e confiabilidade das informações prestadas pelo sistema de saúde, levando a análises distorcidas, na medida em que geram subnotificação de homicídios”, aponta o presidente do Instituto Jones dos Santos Neves, Daniel Cerqueira.

Cerqueira aponta que em média 73% dos casos de mortes por causa indeterminada referem-se a homicídios, o que por si só já elevaria o número de mortes no país em 2019. Depois de cair por um período de mais de 15 anos, tendo alcançado 6% em 2014, essa proporção voltou a subir, atingindo 11,7% em 2019.

Os estados onde houve maior crescimento das MVCIs entre 2018 e 2019 foram o Rio de Janeiro (232%), Acre (185%) e Rondônia (178%). Para se ter uma ideia da dimensão do problema, pouco mais de uma em cada três mortes Rio foram registradas como MVCIs (34,2%); em São Paulo, esse percentual era de 19% e, no Ceará, de 14,5%.

Violência contra indígenas

Segundo o estudo, a violência letal contra os povos indígenas piorou nessa última década. Nos 11 anos entre 2009 a 2019, em números absolutos, houve 2.074 homicídios de pessoas indígenas.

A publicação mostra que as taxas de homicídios são maiores nos municípios com terras indígenas. Em 2019 a taxa de homicídios de indígenas em municípios com terras indígenas foi de 20,4 por 100 mil indígenas, já nos municípios sem terras indígenas a taxa foi de 7,7 por 100 mil”, explica Helder Ferreira, pesquisador do Ipea e um dos coordenadores do estudo.

As taxas de homicídios indígenas aumentaram na última década, ao contrário da taxa brasileira. A taxa de homicídio para o Brasil era de 27,2 por 100 mil em 2009, atingindo o pico em 2017, com 31,6 por 100 mil, e decaindo nos dois anos seguintes. A taxa de homicídio para os indígenas saiu de 15 por 100 mil em 2009, se elevando a 24,9 em 2017 e, mesmo reduzindo, se manteve em 2019 (18,3 por 100 mil) acima da taxa de 2011 (14,9 por 100 mil).

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