Pesquisa aponta aumento de 53% em duas semanas na proporção da população que tem ou já teve a Covid-19

Velocidade com que a doença se espalha pelo país preocupa pesquisadores. Estudo realizado em 133 municípios do Brasil estima ainda que número do novo coronavírus é seis vezes maior do que a estatística oficial.

Publicado em: 12 de Junho de 2020
Foto Por: Daniela Xu/UFPel
Autor: Gabriela Caesar, G1
Fonte: G1
Pesquisadores retiram uma gota de sangue para identificar anticorpos contra a Covid-19

Um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revela um aumento de 53% em apenas duas semanas na proporção da população com anticorpos para o novo coronavírus no Brasil.

 

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Para calcular esse aumento, a equipe de pesquisadores considerou as 83 cidades que registraram pelo menos 200 testes e entrevistas nas duas fases da pesquisa. A proporção da população com anticorpos pulou de 1,7% (primeira fase) para 2,6% (segunda fase). Com a margem de erro, a taxa varia de 1,5% a 1,8% na primeira fase e de 2,4% a 2,8% na segunda.

 

A segunda fase da Epicovid19 fez 31.165 testes e entrevistas de 4 a 7 de junho. A primeira fase foi realizada duas semanas antes, de 14 a 21 de maio, com 25.025 testes e entrevistas.

 

"Se fosse uma corrida de Fórmula 1, infelizmente, o Brasil é, de todo o autódromo, o carro que está acelerando com maior velocidade nessa expansão do novo coronavírus", diz o coordenador-geral do estudo e reitor da Ufpel, Pedro Hallal.

 

Os dados da pesquisa foram coletados em 133 municípios do Brasil. Desse total, em 120 cidades foi possível testar pelo menos 200 pessoas, todas selecionadas por sorteio. O aumento de 53% em apenas duas semanas na proporção da população com anticorpos preocupa os pesquisadores pela velocidade com que a doença continua se espalhando pelo país.

 

Na segunda fase, a estimativa é que haja seis vezes mais casos da Covid-19 do que o dado oficial registrado nessas cidades. Antes, na primeira fase, a Epicovid19 apontou que o Brasil tem sete vezes mais casos do novo coronavírus do que apontam as estatísticas oficiais.

 

"Se a gente quer ter uma ideia do número total de pessoas infectadas, a gente pega o número oficial e multiplica por seis. E a gente vai ter uma boa estimativa de quantos brasileiros têm os anticorpos contra o novo coronavírus", afirma Hallal.


A pesquisa revela ainda que 1,9 milhão de pessoas estão ou já estiveram infectadas pelo novo coronavírus nas 120 cidades onde vivem 32,7% da população do Brasil (68,6 milhões de pessoas). Com a margem de erro, o número de infectados nessas cidades fica entre 1,7 a 2,1 milhões de pessoas.

 

Esses dados já consideram a taxa de falsos positivos e também de falsos negativos do teste rápido.

 

Na véspera do início da pesquisa, em 3 de junho, essas 120 cidades somadas contabilizavam 296.305 casos confirmados. O estudo aponta, portanto, que há uma grande disparidade entre o número revelado pela pesquisa e a estatística oficial.

 

Ranking: taxas de anticorpos

 

A pesquisa Epicovid19 alerta ainda para a prevalência de cidades das regiões Norte e Nordeste no ranking de municípios com as maiores taxas de anticorpos da Covid-19. Em Boa Vista, capital de Roraima, por exemplo, o estudo estima que uma a cada quatro pessoas estão ou já estiveram infectadas pelo novo coronavírus.

 

Das 20 cidades com as maiores taxas, 12 estão localizadas no Norte, sete no Nordeste e uma no Sudeste. O Rio de Janeiro é a única cidade do Sudeste a aparecer no ranking.

 

 Capitais: taxa de anticorpos

 

A segunda fase do estudo coletou dados em todas as capitas, exceto em Curitiba (PR) – que não alcançou o número de 200 testes e entrevistas. A taxa de anticorpos cresceu bastante em capitais como Boa Vista (RR), Fortaleza (CE), Maceió (AL) e Rio de Janeiro (RJ).

 

Em São Paulo (SP) e Rio Branco (AC), as taxas da segunda fase da pesquisa foram inferiores às da primeira fase. Hallal afirma, porém, que as quedas "não foram substanciais", principalmente se considerada a margem de erro.

 

Segundo Hallal, isso significa que não há um "aumento descontrolado da doença" nessas cidades. Além disso, ele diz que a variação pode ser um sinal de que o isolamento social está ajudando a desacelerar o número de casos ou de que a curva de casos pode começar a cair.

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