PM escolta carro para família salvar bebê com transplante de coração em SP

Pais de Heitor tinham 2h30 para chegar ao hospital para autorizar o transplante do menino, de dois anos. Polícia escoltou o carro para liberar o trânsito e garantir que eles chegassem a tempo.

Publicado em: 04 de Fevereiro de 2020
Foto Por: Arquivo pessoal
Autor: Isabella Lima, G1 Santos
Fonte: G1 Santos
Heitor, de dois anos, após transplante de coração dar certo em SP

A família de Heitor Stevanatto Lima, de dois anos, conseguiu chegar a tempo para autorizar e acompanhar o transplante de coração do menino após ter a ajuda da Polícia Militar. Os pais da criança estavam em Guarujá, no litoral de São Paulo, quando receberam a notícia de que tinham 2h30 para chegar em um hospital na capital paulista e autorizar o transplante do filho. O trânsito estava congestionado e o final feliz da família só se tornou possível graças à ação da PM, que escoltou o veículo em todo o trecho da rodovia.

O vídeo da escolta só foi divulgado na página oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo neste domingo (2). Porém, o caso ocorreu no início do ano. Conforme apurado pelo G1, equipes faziam patrulhamento pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no dia 2 de janeiro, quando a família revolveu parar e pedir ajuda para uma equipe que estava com uma viatura estacionada na altura do km 274, em Cubatão.

Na parada, o massoterapeuta Renato Lima, de 45 anos, relatou temer não chegar a tempo ao Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, onde o filho estava internado, e ele e a mulher precisavam chegar para autorizar o transplante do coração em até 2 horas e 30 minutos.

"O pai e mãe do Heitor pararam com o carro deles e pediram ajuda na minha viatura, que estava em um ponto de estacionamento na rodovia. Como era dia 2 de janeiro, pós Ano Novo e na temporada de verão, estava um trânsito horrível. Eles estavam muito alterados, chorando muito. Acalmei os dois e solicitei o apoio da Rocam", conta a soldado Castilha.

Transplante

Heitor nasceu com atresia tricúspide, uma má formação que prejudica a circulação de sangue no coração. Ao longo desses dois anos, ele passou por diferentes procedimentos cirúrgicos na expectativa de ter uma melhor qualidade de vida.

Algumas das cirurgias permitiram que o menino vivesse normalmente por meses, mas, depois, a criança passou a apresentar pioras no estado de saúde. "Até que em uma consulta de rotina no Incor, pela insuficiência cardíaca dele, o colocaram na listagem de espera por um transplante", conta o pai de Heitor.

Heitor ficou internado para ter acompanhamento médico. Ele já estava havia dois meses e meio na fila do transplante. "No final de ano, depois de passarmos muito tempo no hospital, o meu irmão falou que ficava com o meu filho no Incor para eu e minha mulher irmos para o litoral descansar um pouco", diz Renato.

A família veio então para o Guarujá, onde ficaram os dias 31, 1 e 2. "Já no dia 2, recebemos a notícia que tinha chego um coração para ser transplantado. Meu filho já havia passado por quatro cirurgias de peito aberto e a equipe médica nos informou que o tempo máximo que o coração poderia esperar antes do transplante era de 2h30. Precisávamos chegar para autorizar e acompanhar o procedimento a tempo", relembra o massoterapeuta.

Ajuda

Na data que a família recebeu a notícia que poderia transformar a vida de Heitor, o trânsito para retornar à capital paulista estava totalmente congestionado. "Ficamos desesperados. Estava um trânsito horrível para subir, tudo parado, veio aquele medo de não chegar a tempo e dar tudo errado", destaca Renato.

Foi quando a família teve todo o apoio da Polícia Militar. O cabo Ferreti e os soldados Renno, Diemes e Mathias se deslocaram para auxiliar a família e abriram caminho pela rodovia para que conseguissem chegar até o hospital, escoltando o carro durante todo o trajeto nas rodovias Padre Manoel da Nóbrega e Imigrantes.

Segundo o soldado Renno, após a equipe escoltar o veículo, eles orientaram Renato que caso travasse o trânsito novamente entrasse em contato com eles ou via 190, que também ajudariam. "O sentimento é imensurável. Só quem tem um filho sabe. Ajudar essa família deu aquele sentimento de dever cumprido e é isso que nos dá força para cada dia continuar nos dedicando ao nosso trabalho", diz o PM.

"Se não fosse a Polícia Militar, não tínhamos chego em tempo recorde. Eles permitiram que tudo fosse possível. Foi uma emoção muito forte ter esse apoio. O momento foi algo cinematográfico. Não há como descrever. Deu tudo certo e agora o Heitor tem um mês e dois dias de transplantado, estando cada dia melhor e com previsão de estar em casa em até um mês. É uma felicidade indescritível", finaliza Renato.

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