Domingo,
01 de Agosto de 2021

Tocantins investe em estudos científicos na área do agronegócio

O Estado tem diversos cientistas trabalhando com apoio dos governos federal e estadual em prol do desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação no segmento da agricultura tocantinense

Autor: Geórgya Laranjeira Corrêa

Fonte: Ascom

Publicado em 16 de Junho de 2021 (Atualizado Há 2 meses atrás)

Legenda: A soja tocantinense também tem sido um dos alvos dos estudos científicos dos pesquisadores das instituições de ensino do Tocantins

Autor da Foto: Katriel Fernandes 

As descobertas científicas na área da Ciências Agrárias no Tocantins, tem viabilizado o uso sustentável do solo e dos recursos naturais visando soluções para a agricultura familiar. Desta forma, o Governo Federal através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) com contrapartida do Governo do Tocantins por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) tem viabilizado a estruturação de diversos projetos de base rural de Norte a Sul do Estado.

Um investimento total de R$ 11 milhões, tendo sido gasto nos últimos dez anos, um montante de R$ 9 milhões, sendo que o restante do recurso está em execução. A verba é destinada a melhoria da infraestrutura dos laboratórios de Universidades de Ensino Superior do Estado, que consequentemente tem viabilizado o desenvolvimento de estudos científicos nas áreas de fitoterápicos, uso de efluentes, plantas medicinais, plantas do cerrado, agropecuária, resíduos orgânicos, agroenergia, aquicultura, os quais vem sendo desempenhados por mais de 300 pesquisadores tocantinenses.

Para o presidente da Fapt, Márcio Silveira, é de fundamental importância o investimento em ciência, tecnologia e inovação. "O Tocantins tem grande potencial para o agronegócio, desta forma a Fapt tem contribuído e apoiado o trabalho dos pesquisadores de diversas áreas e inclusive aos projetos de base rural desenvolvidos em Palmas, Araguaína e Gurupi. Os valiosos estudos viabilizam a transferência de tecnologia, a capacitação técnica e humana, a geração de renda, a inclusão social, além de contribuir com a qualidade dos produtos, e contribui com o baixo impacto ambiental para agricultura familiar", destacou o gestor.

Projeto Agroenergia

Como fruto do convênio entre os governos, a Fapt viabilizou a infraestrutura e a construção do projeto: "Centro de Pesquisas em Agroenergia" na Universidade Federal do Tocantins (UFT), o que favoreceu a aprovação do Mestrado no mesmo segmento, visando o desenvolvimento de estudos que objetivam a sustentabilidade e o processo de produção de biocombustíveis pela agricultura familiar, bem como a implementação do manejo sustentável de biomassas regionais no Tocantins, como a batata doce, a mandioca e o pinhão manso. O projeto ainda fortalecerá o desenvolvimento de pesquisas direcionadas à obtenção de etanol a partir de fontes amiláceas pelo grupo de pesquisa em Energias Renováveis (LASPER).

Segundo a professora doutora em Zootecnia, Flávia Tonani, atual coordenadora do curso de Agroenergia da UFT, a consolidação do Centro de Agroenergia com seus diferentes laboratórios temáticos tem possibilitado significativos impactos científicos, econômicos, sociais e ambientais. "O Programa atribuiu à UFT, a responsabilidade de ser uma das referências em Ciência e Tecnologia na Agroenergia para a região norte do país devido ao apoio financeiro recebido que favoreceu a estruturação física e dos laboratórios. Vale destacar que o desempenho dos cientistas e dos acadêmicos envolvidos foi de fundamental importância", destacou.

Projeto Plantas Medicinais

A Fapt também contribuiu com a implantação do Laboratório de Pesquisas em Produtos Naturais da Universidade Federal do Tocantins (LPPN-UFT), que tem viabilizado o estudo da constituição química de plantas medicinais através da identificação de compostos ativos com propriedades capazes de atuar no organismo humano de maneira profilática ou terapêutica, sendo as principais: anti-inflamatório, antimicrobiano, hipoglicemiante e antioxidante. Outro escopo de indagações do laboratório é o desenvolvimento de biocombustíveis e aproveitamento de seus resíduos, bem como pesquisas com a reutilização dos detritos do processamento de camarão, para produção de biocombustível. Os resultados preliminares dessa pesquisa geraram a primeira patente internacional do Estado do Tocantins.

Na UFT, o convênio com a Fapt contribuiu para a melhoria da infraestrutura do Centro de Pesquisa em Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares (CEPLAMAC), o que permitiu a estruturação dos laboratórios com modernos equipamentos e também a aquisição de casa de vegetação, viveiro para a produção de mudas, sistema de irrigação, veículo tipo pick-up e insumos. As atividades do projeto são desenvolvidas em dois Laboratórios com área construída de aproximadamente 600 m² nos Campus de Gurupi e Palmas. Uma estrutura que conta com modernas instalações de laboratório que viabilizou mais de 40 pesquisas científicas.

Projeto Tecnorte

Outro projeto que contou com o apoio do convênio Estruturante da Fapt, foi o Tecnorte | Polo de Tecnologia Agropecuária do Tocantins desenvolvido na Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) que contou com a estruturação de laboratórios e de veículos automotores para a execução dos projetos de base rural. Atualmente são mais de 60 projetos em andamento realizados por pesquisadores de diversas cidades do Tocantins onde há presença da instituição. O que tem contribuído com a geração de produtos tecnológicos e favorecido a atualização de docentes e discentes com descobertas inovadoras que viabilizem a transferência de tecnologia.

Para o Doutor em Fitotecnia, mestre em Ciências Agrárias, atual Diretor de Pesquisa Agropecuária e pesquisador/professor da UNITINS e Inspetor de Recursos Naturais, Expedito Cardoso, o projeto tem como objetivo principal o fortalecimento da estrutura de pesquisa em agricultura familiar. "O foco do trabalho tem o desenvolvimento rural sustentável com o aumento da diversificação das propriedades rurais com produções alternativas de plantas fitoterápicas, medicinais, condimentares, plantas para produção de biocombustível, aproveitamento de resíduos orgânicos para adubação, piscicultura e melhora na qualidade do leite. O que tem resultado na geração de emprego e renda na zona rural proporcionando o bem-estar social e a qualidade de vida digna", explicou

Projeto Resíduos Orgânicos

A Fapt viabilizou ainda, a implantação do Laboratório de Análise de Resíduos Orgânicos da UFT campus Gurupi – To, que tem favorecido o desenvolvimento de estudos científicos sobre produção sustentável e disponibilizado tecnologias inovadoras para realização de práticas agrícolas a pequenos agricultores familiares. Ou seja, alternativas de uso racional como efluentes de fossa séptica biodigestor, resíduos vegetais provenientes de plantas de cobertura, bagaço de cana e lixo composto. Fórmulas simples de baixo custo que através dos estudos científicos, a matéria prima tem gerado adubo orgânico para sistemas de produção de culturas.  

Fitoterápicos

Na UFT de Gurupi- TO, a Fapt contribuiu de forma significativa com a estruturação do projeto de Fitoterápicos a partir do cultivo de plantas do cerrado (Fitotec), que viabilizou a ampliação do conhecimento sobre a biodiversidade e valorização das espécies vegetais do Estado do Tocantins, com descobertas de plantas com potencial terapêutico das espécies selecionadas e substâncias isoladas além de desenvolver formas de cultivo e transferência de tecnologia para a comunidade, que possibilitem o desenvolvimento socioeconômico regional por meio de seu cultivo e manufatura.

Projeto uso de efluentes de fossa séptica biodigestor para fertilização de solos

A Universidade de Gurupi (Unirg) também contou com o apoio da Fapt, na estruturação de laboratórios científicos que acelerou o desenvolvimento de várias pesquisas, como o estudo de Impactos do uso de efluentes de fossa séptica biodigestor para fertilização de solos nas propriedades da agricultura familiar (FitoUnirg).  A inovação do adubo gerado a partir de efluentes foi utilizado na produção de hortícolas visando à melhoria do saneamento rural e valorizando as práticas da agricultura orgânica. Além de contribuir para redução do uso de fertilizantes químicos e destinação ambientalmente mais adequada para o resíduo humano.

Projeto Laboratório de Referência Animal de Araguaína

Na região Norte do Estado, na cidade com grande potencial econômico, está sendo concluído o Laboratório de Referência Animal de Araguaína (Lara). Um projeto de grande importância para o setor agropecuário que vai alavancar o desenvolvimento da região, além de viabilizar a disseminação de conhecimentos científicos, tecnológicos e de inovação ao Tocantins. O laboratório permitirá a realização de 18 exames e sorologias que atualmente tem sido realizado em outros Estados vizinhos, o que encarece o produto, mas a chegada do laboratório local, agilizará a logística do produtor rural.

O professor doutor em Ciências Veterinárias que atua na Unitins de Araguaína, Cláudio Fernandes, declara que o empreendimento vai trazer custo benefício na realização de exames de brucelose, raiva, febre aftosa, mormo, tuberculose, diarreia bovina a vírus (BVD), leptospirose, dentre outros.

"O laboratório será coordenado por pesquisadores e terá uma função acadêmica de pesquisa e iniciação científica e possui um recurso oriundo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com contrapartida do governo do Tocantins por meio da Fapt", ressaltou.  

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