Análise: ainda sem rock and roll, mas mais afinado, Corinthians pode sonhar com o tetra

Mesmo em ritmo mais lento do que Tiago Nunes deseja e sem espetáculo, Timão evolui

Publicado em: 03 de Agosto de 2020
Foto Por: Marcos Ribolli
Autor: Bruno Cassucci — São Paulo
Fonte: Globo Esporte
Corinthians venceu os quatro jogos depois da quarentena

Antes da nona rodada do Paulistão, quando o Corinthians começava a se preocupar com uma possível eliminação na primeira fase, Tiago Nunes recorreu a um ritmo musical para explicar como gostaria de ver o seu time jogando: rock and roll.

 

Depois da analogia do treinador, apenas seis partidas se passaram, mas muito coisa mudou no Corinthians e no mundo desde aquele 6 de março, quando o Brasil registrava apenas 13 casos do novo coronavírus.

 

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A equipe de Tiago Nunes ainda não toca um ritmo parecido com o rock and roll cinco meses após aquela entrevista, mas está a duas partidas de um dos shows mais importantes de sua história: o possível tetracampeonato paulista sobre o maior rival. Na casa do rival (de novo).

 

Depois da quarentena, a banda corintiana segue sem dar espetáculo, mas mostra afinação e repertório que antes não eram vistos e que dão motivos para sonhar com o título. São quatro jogos sem sofrer gols e 100% de aproveitamento.

 

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Para chegar à final, o Timão tocou um ritmo bem menos envolvente e rápido do que idealiza seu treinador, mas conseguiu colocar o Mirassol na dança mesmo assim. Foram 677 passes trocados para abrir espaços na bem posicionada defesa adversária.

Em alguns momentos do primeiro tempo, o Corinthians conseguiu construir jogadas pelo lado esquerdo e inverter o jogo rapidamente, acionando Fagner na ponta direita. Também houve tabelas e infiltrações de Ramiro e Mateus Vital, que foram importantes, apesar de erros cometidos.

 

Faltou a guitarra de Luan, que ainda toca em ritmo diferente dos companheiros. Além de segurar demais a bola em alguns momentos, ele teve 16 passes incompletos. Mesmo tendo voltado melhor para o segundo tempo, o camisa 7 foi sacado por Tiago Nunes.

 

É lógico que Cássio pode pegar tudo ou Jô brilhar mais uma vez, mas Luan pode ser o fator desequilibrante da final. Ninguém no elenco corintiano tem a qualidade na bola parada e a facilidade para driblar que ele tem. As últimas atuações foram decepcionantes, mas o meia tem cinco gols e duas assistências no ano. Merece a confiança, mas também precisa "sentir" mais os jogos, chamar a responsabilidade.

 

Assim como Luan, Jô não fez grande apresentação no domingo, mas desempenhou papel tático brigando pela primeira bola, saindo da área para ajudar na construção e segurando os zagueiros para os companheiros terem espaço chegando de trás. Embora menos ágil do que a Fiel se acostumou a ver, ainda é útil.

 

Mesmo com mais de 70% de posse de bola, o Corinthians só conseguiu tocar sua música quando o Mirassol ficou com um homem a menos.

Com mais espaço após a expulsão de Juninho, Éderson fez uma das coisas que vinha faltando à equipe até então: arriscar de média e longa distância. Iluminado, o volante marcou seu terceiro gol no terceiro jogo seguido e não abriu espaço para dúvidas: Cantillo terá de esperar no banco.

 

Para o Brasileiro, Tiago Nunes pode até pensar numa equipe mais rock and roll com o colombiano ao lado de Éderson. Agora, porém, Gabriel é necessário para a banda tocar no Dérbi.

 

A entrada ou não de Cantillo é uma das poucas discussões possíveis entre torcedores corintianos sobre a escalação para a final. Quais outros jogadores poderiam ser pedidos? Isso ajuda a mostrar também como é limitado o elenco alvinegro. Pode ser suficiente para o título paulista, mas dificilmente será para o Brasileiro.

 

Mas isso é assunto para outra hora. Quarta-feira e sábado tem Dérbi. Pouca importa o ritmo, o corintiano quer dançar.

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