Quarta - Feira,
26 de Janeiro de 2022

Análise: Atlético-MG é campeão brasileiro para enterrar jejum com pás de lágrimas e competência

Após 50 anos do primeiro título, clube volta ao topo do país liderando os pontos corridos desde a 15ª rodada; Cuca e Hulk já são (fortes) candidatos à seleção de todos os tempos do Galo

Autor: Fred Ribeiro — Belo Horizonte

Fonte: GE — Belo Horizonte

Publicado em 03 de Dezembro de 2021 (Atualizado Há 2 meses atrás)

Legenda: Atlético-MG festeja a conquista do Campeonato Brasileiro

Autor da Foto: Jhony Pinho/AGIF

Tinha que ser 50 anos depois. Meio século, que separam gerações, um verdadeiro abismo entre décadas, mas a espera cria ansiedade, segura o grito, constrói angústia para a explosão final. O Atlético-MG é campeão brasileiro de 2021. O Atlético alcança o objetivo mais perseguido desde que Dadá parou no ar em 1971. Desde que Jota Júnior (ou foi Vilibaldo Alves) chorou ao vivo na Rádio Itatiaia em pleno Maracanã.

Ao vencer o Bahia (3 a 2) nessa quinta-feira, o Galo chegou a um patamar inalcançável na tabela dos pontos corridos. Lá está: 81 pontos em 36 jogos. Melhor defesa, não é o melhor ataque, mas tem o artilheiro da competição, Hulk. E comandado pelo técnico mais importante da existência do CAM, feitos um para o outro (e Cuca irá completar a promessa de Telê em 1971).

Mais do que consagrado na história do Galo, o camisa 7 se tornou o rosto de um troféu, coloriu o Mineirão com uma nova cor, do super-herói que só não atuou por duas rodadas até agora. Fez os gols e tirou lágrimas de Reinaldo.

O maior ídolo da história do Atlético é campeão brasileiro, como bem disse Casagrande. Não em campo, não fazendo gols. Passou perto demais em 1977, como o melhor jogador do Brasil. Mais um vice-campeonato em 1980, sem contar semifinal de 1983 e 1985.

O título do Atlético será contato por lágrimas de quem viu 1971 e achou que iria morrer sem ser bicampeão. De quem foi ao Maracanã de Caravana há 50 anos, e não está mais presente para abraçar filhos, netos, bisnetos. De quem ainda não havia chegado ao mundo para acompanhar o Galo vencendo o São Paulo e Botafogo no quadrangular final, mas que nasceu com uma estrela dourada no peito.

O título será contato pelo "meme" do "E o Galo? O Galo ganhou!". E foram 25 vitórias. Da perseguição pela pontuação máxima, de atualizar a página do departamento de matemática da UFMG e ver a probabilidade chegar em 90%, 98%, 99,9%. E 100%.

César Luis Menotti, técnico campeão mundial com a Argentina em 1978, uma vez disse: "Quando o futebol é jogado da maneira correta, tende a ser uma coisa bonita, como a pintura, a música". Ver o Atlético ser campeão brasileiro, com gols em jogadas trabalhadas, proposta definida de jogo, e destaques individuais, foi uma orquestra completa, uma galeria inteira.

A história reserva, quase sempre, local para os vencedores. É possível afirmar que o Atlético é o que é muito pelas derrotas. No filme "Lutar, Lutar, Lutar", lançado há poucas semanas, mas finalizado em 2014, o DNA do clube é destrinchado a partir de injustiças. Mas hoje não. Hoje é o capítulo vitorioso, um dos maiores, dos 113 anos do clube.

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