Análise: convincente e dominante, Flamengo vai além do empate ao amassar o Inter no segundo tempo

Gol no fim fez justiça no placar, mas atuação na etapa final, com quase 80% de posse de bola e 12 finalizações diante de um rival direto acuado em casa, diz muito da força do atual campeão

Publicado em: 27 de Outubro de 2020
Foto Por: Marcelo Cortes / CRF
Autor: Cahê Mota — Rio de Janeiro
Fonte: ge
Ribeiro, Pedro e Vitinho do Flamengo contra o Inter

 Não venceu, mas convenceu. E muito.

A atuação da noite de domingo no Beira-Rio mostra porque em um campeonato onde três times chegam ao fim do primeiro turno equilibrados na tabela, o Flamengo tem bola, elenco e competitividade para ser favorito ao bicampeonato do Brasileirão. O gol de Everton Ribeiro nos acréscimos fez justiça ao time que deixou seu principal rival acuado dentro de casa, apesar de cinco desfalques de peso.

 

Quem viu a atuação dominante do segundo tempo no Beira-Rio não pode esquecer que Diego Alves, Rodrigo Caio, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol foram ausências em um Flamengo que se encontrou no decorrer da competição e joga cada dia melhor. No próprio 2 a 2 com o Colorado foi assim: o time demorou a entender a intensidade do Inter, mas soube assumir as rédeas da partida com o passar do tempo.

 

Os erros técnicos de Isla e Gustavo Henrique permitiram que os gaúchos abrissem vantagem em um primeiro tempo onde tiraram o Flamengo da zona de conforto, principalmente na saída de bola. O Inter era intenso e compacto, mordia muito no campo de ataque e mereceu ir para o intervalo com o 2 a 1.

 

Por mais que o Flamengo tenha equilibrado as ações a partir dos 20 minutos, o Inter foi inteligente ao fazer bem o balanço da bola de um lado para o outro e explorar os espaços nas costas de uma defesa com linhas mais altas do que de costume. Com Heitor pelo lado direito, foram criadas boas oportunidades.

 

O Flamengo também explorava a direita com Isla, mas carecia da mesma dinâmica na movimentação da bola no meio de campo. Gérson aberto pela esquerda ficou muito isolado, funcionou pouco. E foi a peça que fez a diferença no segundo tempo.

 

A troca de papéis de Gérson e Vitinho, somado ao desgaste natural de um Inter que correu a vida no primeiro tempo, fez do Flamengo senhor absoluto da etapa final.

 

 Os colorados podem até lembrar da bola na trave de Marcos Guilherme e da finalização para fora de Patrick. Frutos de contra-ataques em espaços normais permitidos por um Flamengo que se expôs em busca do empate.

 

O segundo tempo foi um massacre, e os números exemplificam isso. O Flamengo teve 77% de posse de bola, finalizou 12 vezes contra as duas já citadas do Inter e trocou 299 passes contra 66.

 

Mais do que estatísticas, a equipe apresentou repertório. As jogadas com Isla pela direita seguiram sendo o ponto forte, mas houve criação por dentro com Pedro imparável no papel de pivô, e subidas de Filipe Luís pela esquerda.

 

Lomba fez grandes defesas, Heitor tirou bolas em cima da linha, o travessão ajudou, mas seria injusto o Flamengo voltar para casa com a derrota. E o gol de empate aos 49 saiu dos pés de quem fez a diferença para tamanho domínio no segundo tempo.

 

Centralizado, Gérson teve liberdade para flutuar a partir da intermediária ofensiva e deu dinâmica ao time. No lance do gol, saiu da esquerda (onde se apagou no primeiro tempo), puxou para dentro e achou Everton Ribeiro de cabeça no meio da área.

 

A justiça do empate vai muito além do resultado. Se o Flamengo por vezes nessa série invicta de 11 partidas venceu "na marra", no Beira-Rio empatou com a convicção de que é melhor, sim, do que o time que hoje é seu principal adversário.

 

Em uma disputa tão acirrada como indica a tabela, uma superioridade tão grande como a do segundo tempo não é normal. Escancara a capacidade de quem tem bola, elenco e competitividade para fazer a diferença na luta pelo título. E ainda faltam Diego Alves, Rodrigo Caio, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol.

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