Análise: derrota mostra que maior desafio de Luxa será manter Palmeiras criativo sem Dudu

Time perde Dérbi, mas melhora e mostra alternativas com Lucas Lima e Raphael Veiga

Publicado em: 23 de Julho de 2020
Foto Por: Felipe Zito
Autor: Fabricio Crepaldi — São Paulo
Fonte: Globo Esporte
Weverton participando da saída de bola, com os zagueiros abertos

O primeiro jogo do Palmeiras sem Dudu, na derrota por 1 a 0 para o Corinthians, deixou duas impressões até certo ponto antagônicas: a primeira é que o maior desafio de Vanderlei Luxemburgo será fazer o time ser criativo sem seu principal jogador nos últimos anos. A segunda é que a solução pode estar dentro do próprio elenco.

 

O Palmeiras teve dois tempos bem distintos em Itaquera, nesta quarta-feira. A etapa inicial mostrou uma equipe presa, com criatividade quase nula, sem conseguir encontrar espaços na defesa adversária. Já com as mudanças para o segundo tempo, o Verdão dominou o jogo e só não conseguiu um resultado melhor por conta das várias defesas de Cássio.

 

O time apresentou novidades desde o início. Weverton passou a participar mais ativamente da saída de bola com os pés - e isso deve ser uma tendência no Palmeiras daqui em diante. Dessa maneira, os zagueiros abriam e os laterais ficavam bem avançados. Matías Viña, por exemplo, apareceu diversas vezes no ataque antes de sair machucado - quase fez um bonito gol de perna direita.

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Essa deve ser uma alternativa importante, sobretudo com Viña pela esquerda. Ele tem ótimo poderio ofensivo e ainda não conseguiu demonstrar isso no Palmeiras. Com liberdade para atacar, pode ser uma peça interessante em um setor ofensivo que não tem mais Dudu, que era a maior referência, procurado o tempo todo.

 

Mas no primeiro tempo o meio de campo não funcionou. Zé Rafael esteve apagado. Seja pelo meio ou aberto pela direita, pouco pegou na bola. Willian também fez um papel mais recuado, para ajudar na armação, sem sucesso. O Palmeiras produziu pouquíssimo, Luiz Adriano só tocou na bola fora da área. Faltou alguém pra criar e organizar o ataque.

 

Isso mudou no segundo tempo. A entrada de Lucas Lima deu justamente essa organização ao setor ofensivo. Ele passou a ser o cara da criação, colocou a bola no chão, e o Palmeiras passou a chegar tocando a bola. Com o camisa 20, as posições se fixaram, e a equipe passou a andar. Foi nítida a evolução já nos primeiros minutos.

 

Raphael Veiga entrou e se alternou entre jogar aberto pelo lado e também fechando pelo meio, ao lado de Lucas Lima, ajudando nessa criação. Ele produziu boas chances e quase fez dois belos gols, com um chute de cada lado do ataque. O Palmeiras ficou mais compacto, teve mais aproximação nos passes e assim chegou com facilidade ao gol de Cássio.

 

O goleiro do Corinthians fez pelo menos cinco ótimas defesas e garantiu a vitória em Itaquera. Luxemburgo se disse satisfeito com a atuação do time após o jogo, e o segundo tempo lhe dá motivos para isso. O Palmeiras foi muito melhor do que o rival na etapa final.

 

O Palmeiras era muito dependente de Dudu. A missão agora é encontrar vida sem ele. Pelo primeiro teste, a solução pode estar em ter alguém para pensar e organizar o jogo, fazer a bola rodar, sem a "loucura" que Luxa queria no esquema com quatro atacantes.

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