Análise: escolhas não surtem efeito, e Flamengo sofre com apagão na zaga e pontas pouco efetivos

Mudanças de Dome não funcionam, e seis minutos de desatenção decidem partida. Ainda é possível perceber desnível na adaptação ao esquema entre alguns atletas

Publicado em: 14 de Setembro de 2020
Foto Por: Alexandre Vidal / Flamengo
Autor: Felipe Schmidt — Rio de Janeiro
Fonte: GE
Michael em ação: novamente titular, atacante atuou aberto pela direita, mas não foi efetivo

Domènec Torrent fez seis mudanças no Flamengo para a partida contra o Ceará - três delas técnicas, as outras por força maior. A causa da derrota não foi o rodízio, em si. Mas as escolhas do treinador acabaram por não surtir o efeito imaginado no que se tornou um tropeço rubro-negro.

 

Dome manteve o esquema das últimas partidas e levou o Flamengo a campo no 4-2-3-1. Desta vez, optou por privilegiar dois velocistas pelos lados: Michael abriu pela direita, e Vitinho, pela esquerda. A estratégia ficou clara no primeiro tempo. A ideia era rodar a bola para que os pontas recebessem em boas condições de definir a jogada, seja com finalização ou passe decisivo.

+ Domènec Torrent lamenta derrota do Flamengo: "Em cinco minutos o jogo nos escapou"

 

O time executou o planejado, mas a parte derradeira não funcionou. Vitinho foi o mais acionado, mas errou muito nas tomadas de decisão e pareceu sem confiança para ser mais assertivo. Michael, sem espaço para correr e atacar a última linha, também ficou encaixotado na marcação e pouco contribuiu.

As mudanças de Dome

Entrou

Saiu

Motivo

César

Gabriel Batista

Opção

Léo Pereira

Rodrigo Caio

Opção

Willian Arão

Gerson

Suspensão

Michael

Diego

Opção

Vitinho

Arrascaeta

Desgaste muscular

Renê

Filipe Luís

Desgaste muscular

 

Não bastasse isso, esta rearrumação colocou Everton Ribeiro centralizado. E o meia, um dos pilares técnicos do Flamengo, sentiu a diferença. Se pela direita ele vinha se destacando nas últimas partidas, ao atuar por dentro não foi decisivo. Anteriormente, quando Dome ainda tentava implantar um 4-3-3, Everton já tinha rendido abaixo do esperado jogando pelo meio.

 

Muitas vezes no primeiro tempo, o camisa 7 esteve afundado demais, quase como um segundo atacante, sem participar tanto da organização das jogadas - com exceção de um contra-ataque em que serviu Gabigol.

 

Apagão na defesa

Se o ataque não funcionou - Gabigol perdeu duas chances no início que poderiam ter mudado a história da partida -, a defesa também teve sua parcela, especialmente no segundo tempo.

 

Após um primeiro tempo sem tantas chances criadas, mas com o adversário controlado, o Flamengo viu tudo mudar em seis minutos. Com dois cruzamentos na área, o Ceará marcou duas vezes no início do segundo tempo.

 

É difícil apontar apenas um culpado. No primeiro gol, Luiz Otávio subiu entre os dois zagueiros para cabecear. No segundo, Charles se antecipou no primeiro pau para ampliar. Em suma: num curto período de tempo, um apagão de toda a defesa definiu a partida.

 

O Flamengo não teve forças para reagir depois disso. A volta para o Rio de Janeiro será amarga, mas com a lição de que é preciso evoluir defensivamente.

 

E, principalmente: ainda é necessário um equilíbrio maior no nível de entendimento do sistema de Dome por parte dos atletas: sem algumas referências, como Rodrigo Caio, Filipe Luis e Arrascaeta, a evolução vista nas últimas partidas se perdeu. Basta ver como o time não se movimentou tanto contra o Ceará, tendo Vitinho e Michael.

 

Dome aposta que o rodízio vai solucionar isso e equiparar o elenco, mas a derrota para o Ceará mostrou que este ponto ainda não chegou.

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.