Quarta - Feira,
21 de Abril de 2021

Análise: Inter se impõe como líder, mas recua mais do que deveria em vitória sobre o Vasco

Inter vence o Vasco em São Januário

Autor: Eduardo Deconto — Porto Alegre

Fonte: GE — Porto Alegre

Publicado em 15 de Fevereiro de 2021 (Atualizado Há 2 meses atrás)

Legenda: Sem Legenda

Autor da Foto: Ricardo Duarte/Divulgação Inter

O Inter venceu o Vasco por 2 a 0 em São Januário, neste domingo, pela 36ª rodada do Brasileirão, e garantiu:

 

  • a liderança do Brasileirão com 69 pontos;

  • a vaga direta na fase de grupos da Libertadores 2021;

  • a vantagem de um ponto para o Flamengo na briga pelo título;

  • a chance de ser campeão com uma vitória no duelo direto com o Flamengo no Maracanã.

 

São motivos suficientes para dar razão a Abel Braga caso ele tivesse repetido a famosa frase "foi lindo, cara" na entrevista após a partida. O técnico de fato viveu um dia especial a ponto até de levar a bola do jogo para casa por ter se isolado como treinador que mais comandou o Inter na história.

 

Mas a vitória em São Januário teve uma boa dose de sofrimento desnecessário. A equipe quase complicou um jogo que parecia fácil graças a uma mudança de postura, mais por opção do que por imposição do rival.

 

Um alerta do que a equipe deve fazer e também não fazer para conquistar o tetra no próximo domingo, no duelo direto e decisivo com o Flamengo.

 

Porque o Inter que abriu o placar cedo com marcação alta e agressividade em um início de jogo avassalador parecia prestes a atropelar o Vasco fora de casa. Como fez dias atrás na goleada sobre o São Paulo para assumir a liderança em pleno Morumbi.

 

Mas o Inter que recuou a partir dos 24 do primeiro tempo e se fechou ainda mais depois do intervalo convidou o Vasco a atacar e entregou o controle das ações ao adversário. Quase pagou caro por isso. A conta pode vir bem mais alta no próximo domingo no Maracanã, contra um adversário que sabe se aproveitar disso para ser letal.

 

Neste domingo, o Inter precisava acima de tudo de uma resposta para apagar as incertezas que vieram com a derrota por 2 a 1 para o Sport e o fim de uma invencibilidade de 12 jogos. A equipe entrou em campo jogando futebol para isso.

+ Inter garante G-4 e fica a uma vitória sobre o Flamengo do título
+ Cuesta recebe o terceiro amarelo e desfalca o Inter contra o Fla

 

E se impôs como o líder deveria se impor diante de um rival em crise na briga pelo Z-4. Com Mauricio na vaga de Patrick e Caio Vidal deslocado para o lado esquerdo, o Inter engoliu o Vasco assim que o apito inicial soou.

 

A equipe tomou para si o campo do adversário e o sufocou com linhas adiantadas, pressão alta e agressividade. Não raro, se via seis colorados apertando a saída de bola cruz-maltina.

 

Foi assim até a parada técnica para reidratação, aos 24 minutos do primeiro tempo. Só o Inter jogou: teve 54% de posse de bola, empilhou sete finalizações e – o mais importante – abriu o placar com Rodrigo Dourado.

 

Um gol logo aos 9 minutos, na bola aérea, arma mais letal sob o comando de Abel Braga. E fruto de um cruzamento perfeito de Moisés. O lance gerou polêmica devido a uma falha no VAR na checagem de impedimento na jogada. Prevaleceu a marcação de campo.

 

Paradoxalmente, a parada técnica para repor energias sugou toda a agressividade que sobrava ao Inter até então. A equipe até manteve a intensidade para emperrar o meio-campo do Vasco e morder especialmente o meia Benítez.

 

Mas fez tudo isso com linhas mais baixas, congestionando as cercanias da área. A estratégia era tão evidente quanto pragmática: fechar espaços na defesa e explorar os mesmos espaços deixados pelo Vasco com a velocidade de Caio Vidal, Edenílson, Maurício e Yuri Alberto.

 

O Inter contra o Vasco:

 

  • Em 24 minutos até a parada técnica:
    7 finalizações e 54% de posse de bola

  • Nos 90 minutos:
    16 finalizações e 42% de posse de bola

 

Na prática, não foi bem assim. Por um lado, o Inter praticamente não correu riscos e de fato neutralizou as investidas de um Vasco pouco criativo e que abusou das jogadas pelo lado. A entrada de Rodrigo Lindoso no lugar de Maurício no intervalo recheou ainda mais o meio-campo.

 

Mas a equipe também atraiu o adversário para uma pressão desorganizada e que poderia ter sido evitada. Isso, sem conseguir respirar ou levar perigo em contra-ataques, pouco articulados com Edenílson pela direita e Caio Vidal pela esquerda.

 

O Inter quase pagou caro por isso, em um pênalti polêmico assinalado pela arbitragem de Víctor Cuesta em Cano. O zagueiro recebeu o terceiro amarelo e desfalca a equipe contra o Flamengo. O atacante, para a sorte colorada, mandou para fora a cobrança.

 

Abel mexeu no time com as entradas primeiro de Thiago Galhardo e Nonato nas vagas de Caio Vidal e Praxedes. Depois, com Peglow e Johnny nos lugares de Yuri Alberto e Dourado.

 

Bastou sangue novo e um lampejo do que foram os primeiros minutos de partida para o Inter matar o jogo, já no finalzinho. A equipe adiantou as linhas, pressionou a saída do Vasco e roubou a bola. Com três jogadores dentro da área, Galhardo definiu a vitória.

 

O Inter sai de São Januário com exemplos do que fazer e do que evitar a alguns poucos quilômetros dali no próximo domingo, às 16h, no Maracanã. Onde enfrenta o Flamengo pela 37ª rodada do Brasileirão no jogo que pode decidir o campeonato.

 

Basta uma vitória colorada. Porque o Inter é líder com 69 pontos e um de vantagem para o Flamengo, vice-líder com 68.

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