Análise: John Kennedy se torna esperança em um Fluminense que ainda peca por falta de equilíbrio

Joia entra no segundo tempo do empate por 3 a 3 com Coritiba e aumenta poder de fogo de um time que tenta transformar posse de bola em criação e segue sofrendo muitos gols

Publicado em: 21 de Janeiro de 2021
Foto Por: Matheus Sebenello / NeoPhoto
Autor: Thiago Lima — Rio de Janeiro
Fonte: GE
John Kennedy entrou e melhorou produção ofensiva do Flu

Fluminense evitou o pior, arrancou o empate por 3 a 3 com o Coritiba nos acréscimos e se livrou da até então iminente derrota no Couto Pereira. Resultado, porém, que não agradou nem um pouco a torcida, mesmo sendo fora de casa. Perder pontos diante do então penúltimo colocado do Campeonato Brasileiro pode custar caro na corrida pela Libertadores.

 

Até teve sensação de alívio para os tricolores, mas não foi com o gol de Caio Paulista aos 45 minutos do segundo tempo, e sim com o cartão de visitas de John Kennedy. Ainda é cedo para uma avaliação mais aprofundada, mas a primeira impressão deixada pela estreia do garoto de 18 anos foi para lá de animadora. Bastou entrar no segundo tempo para aumentar o poder de fogo de um time que patina e escorrega nas tentativas de transformar posse de bola em criação.

 

Com a mesma formação e peças da má atuação na vitória por 1 a 0 sobre o Sport no Nilton Santos – exceto por Egídio no lugar do poupado Danilo Barcelos –, o Fluminense repetiu seu domínio ilusório no primeiro tempo: 65% de posse de bola, seis finalizações, duas chances de gol (com Lucca e Calegari) e 2 a 0 no placar para o adversário.

 

Marcão voltou do intervalo com John Kennedy no lugar do apagado Luiz Henrique – que desde que retornou machucado da seleção sub-20 ainda não readquiriu ritmo. O técnico fez ainda uma segunda linha com Michel Araújo, Yago, Martinelli e Lucca e encostou o garoto mais perto de Fred. Só na etapa final, o Fluminense teve 14 finalizações e seis chances de gol.

 

Metade dessas oportunidades foram nos pés de John Kennedy. Na primeira ele já mostrou estrela e marcou no rebote de Wilson em chute de Michel Araújo. Na outra, por pouco não alcançou na segunda trave uma bola desviada de cabeça por Matheus Ferraz em escanteio. E na terceira, nos minutos finais, recebeu de Nenê na área e errou a mira, deixando Felippe Cardoso louco pedindo o passe.

 

As outras chances foram as convertidas por Fred, de cabeça após falta cobrada por Egídio; e Caio Paulista, contando com um frango por baixo das pernas de Wilson. E ainda teve uma oportunidade clara de Wellington Silva, que foi fominha e isolou um chute da entrada da área nos acréscimos, enquanto John Kenedy pedia livre na área com um ângulo melhor para a finalização.

 

Scout - Coritiba x Fluminense

Quesito

Coritiba

Fluminense

Posse de bola

42%

58%

Finalizações

8

20

Chances de gol

3

8

Passes certos

270

411

Passes errados

59

91

Desarmes

33

22

Faltas sofridas

10

21

Impedimentos

1

1

Fonte: ge

Se a produção ofensiva tem evoluído, embora em passos de tartaruga, a defensiva ainda carece de ajustes emergenciais de posicionamento. Em três ataques do Coritiba, o Fluminense conseguiu sofrer três gols de um adversário que até então tinha o pior ataque do Brasileiro, com 23 gols em 30 jogos.

 

A cabeça de área com dois volantes leves precisa de um maior entrosamento para funcionar. No primeiro gol do Coritiba, Martinelli foi dar um bote na saída de bola, Yago estava no campo de ataque, e ambos deixaram um enorme buraco onde Luiz Henrique recebeu livre e teve toda a liberdade do mundo para chutar a 29 metros do gol tricolor.

 

No segundo, Egídio foi quem não marcou Natanael, e Luccas Claro bobeou na linha de impedimento. Enquanto o terceiro nasceu de uma saída errada de bola com Marcos Felipe, que ainda não havia falhado dessa forma. Seja por erros individuais ou mérito dos adversários, o Fluminense continua sofrendo muitos gols desde a saída do técnico Odair Hellmann para o mundo árabe.

 

O próximo desafio do time de Marcão será contra o lanterna e virtual rebaixado Botafogo, às 20h30 (de Brasília) de domingo, em São Januário, pela 32ª rodada do Brasileirão. Clássico em que o Tricolor não tem desculpas: terá a obrigação de vencer para recuperar os pontos perdidos em Curitiba e voltar a igualar a pontuação do primeiro turno a seis partidas do fim. Os jogadores retornam ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira e se reapresentam na manhã de sexta no CT Carlos Castilho.

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