Quarta - Feira,
21 de Abril de 2021

Análise: paciente até demais, Flamengo acha espaços para vencer e seguir vivo no Brasileirão

Gabigol comemora com Rogério Ceni em Flamengo x Corinthians, no Maracanã, pelo Brasileiro

Autor: Cahê Mota — Rio de Janeiro

Fonte: GE — Rio de Janeiro

Publicado em 15 de Fevereiro de 2021 (Atualizado Há 2 meses atrás)

Legenda: Sem Legenda

Autor da Foto: André Durão

Na falta de espaços, é preciso ter paciência. E foi assim que o Flamengo conseguiu vencer o Corinthians na tarde de domingo, no Maracanã, para seguir vivo na caça ao Inter pelo sonho do título do Brasileirão.

 

Um relato sucinto do jogo até poderia indicar uma superioridade ao ponto de o time de Rogério Ceni construir sem dificuldades a vitória por 2 a 1: o Flamengo teve maior posse de bola, empurrou o Corinthians para seu campo e foi senhor da partida. A questão, no entanto, está no que os cariocas conseguiram fazer nos 66% (estatística que chegou a superar 75%) do tempo em que ditaram as ações quase sempre rondando a baliza de Cássio.

 

O Flamengo ter a bolas nos pés não era algo que preocupasse o Corinthians. Com linhas bem definidas e próximas, os visitantes formavam um paredão na frente da área e reduziam o jogo a praticamente um terço do campo do Maracanã. O cenário era claro: um time trocava passes em busca de espaços e o outro apostava em uma saída bem encaixada. Estratégia que deu certo para ambos no primeiro tempo.

 

Com todo time no campo de ataque, o Flamengo fazia a bola girar com velocidade pelos pés de Diego e Gérson para levar perigo em jogadas pelos lados. Se o meio estava congestionado, a equipe de Ceni encontrava soluções, mas acabava se vendo obrigada a alçar muitas bolas na área. Foram 21 cruzamentos em todo o jogo.

 

Em um deles, Willian Arão abriu o placar de cabeça. Logo depois, Bruno Henrique carimbou o travessão. O roteiro indicava uma vitória tranquila, e não foi. O passe bem feito por Araos após se desvencilhar da marcação de Diego encontrou Léo Natel nas costas de Willian Arão. Um chute, um gol e o Flamengo novamente se via obrigado a "inventar" espaços na defesa corintiana, a esta altura já ciente de que o Inter vencia sua partida em São Januário.

 

Flamengo x Corinthians

 

Posse de bola: 66% x 34%
Finalizações: 14 x 11
Faltas cometidas: 21 x 16
Passes trocados: 594 x 305
Cruzamentos: 21 x 11

 

As jogadas pelos lados seguiram sendo as melhores para levar perigo, mas a dinâmica já não era a mesma do início do jogo. As estocadas demoravam mais para acontecer, os passes laterais se multiplicavam e o Corinthians foi para o intervalo com o empate controlado.

 

Os cartões de Fagner e Fábio Santos indicavam ao Flamengo que as jogadas em profundidade seguiam como caminho mais viável, e na volta para o segundo tempo Bruno Henrique resolveu entrar no jogo. Longe de ser o atacante que a torcida está acostumada, mas suficiente para levar perigo pela esquerda e participar do lance do gol.

Foi um chute do camisa 27 que Cássio espalmou para Everton Ribeiro servir Gabigol no rebote: 2 a 1 e promessa de meia hora de jogo mais aberto. Na luta por uma vaga na Libertadores, o Corinthians se soltou, por mais que os ainda apostasse mais em contra-ataques do que em presença no campo ofensivo.

 

Em vantagem, o Flamengo se arriscou pouco, e Rogério Ceni optou por simplificar e dar fôlego ao time nos minutos finais. Ciente da pressão que o Corinthians tentava esboçar, colocou Gustavo Henrique, adiantou Arão para volante e povoou os arredores da grande área. Deu certo.

 

Pelo alto, Rodrigo Caio e Gustavo Henrique eram soberanos, e pelo chão o Flamengo conseguia conter as jogadas corintianas quase sempre na intermediária. Pepê teve participação importante com desarmes e foram os rubro-negros que tiveram as melhores chances, desperdiçadas por Vitinho e Pedro.

 

No jogo de paciência e estratégia, o Flamengo fez valer o clichê do "saber sofrer" e chega vivo para o confronto direto com o Inter, domingo, no Maracanã.

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