Domingo,
24 de Outubro de 2021

Campeão pelo Flamengo desde o berço, preparador físico prata da casa abre o baú das crias do Ninho

Filho de Robertinho, atacante do tri brasileiro em 1983, Betinho está no clube desde 2007, fez parte da comissão técnica de todas as categorias do sub-11 ao profissional, e relembra causos com joias da base

Autor: Redação do Ge — Rio de Janeiro

Fonte: Ge — Rio de Janeiro

Publicado em 25 de Setembro de 2021 (Atualizado Há 4 semanas atrás)

Legenda: Renato Gaúcho, Alexandre Mendes e Betinho em treino do Flamengo

Autor da Foto: Alexandre Vidal / CRF

A relação com o Flamengo vem literalmente do berço. Betinho não tinha noção do que acontecia no Maracanã naquela tarde de 1983, mas cresceu ouvindo a história do cruzamento de seu pai, Robertinho, para Adílio mergulhar de peixinho e garantir o tricampeonato brasileiro contra o Santos. E foi assim, de maneira natural, que estabeleceu a relação com o clube que transformou em sua casa desde que resolveu que seria preparador físico.

O termo prata da casa é utilizado para jovens talentos. No caso de Betinho, no entanto, também se encaixa perfeitamente. Há 14 anos no clube, percorreu todo caminho até o profissional. Começou no Sub-11, subiu categoria por categoria até o Sub-20, e ganhou espaço na comissão técnica multicampeã nos profissionais.

Tempo de sobra para levantar troféus de campeão brasileiro como o pai, mas, principalmente, testemunhar o nascimento das mais variadas gerações de talentos que brotaram na base rubro-negra. De Paquetá a Reinier, de Adryan a Vini Jr, de Luiz Antonio a Lázaro, Betinho tem conteúdo para escrever um livro sobre causos que viveu no Ninho do Urubu. E o preparador físico é dos que gosta de uma resenha:

- Sinto orgulho de ter acompanhado a formação de muitos atletas que hoje são realidade. É gratificante ver a evolução deles, porque a gente se envolve, vira praticamente um familiar durante o processo. Ajudamos no desenvolvimento e ao mesmo tempo tomamos conta, somos responsáveis.

"Estou no profissional desde 2016, mas a essência da base nunca saiu de mim. Foi uma época espetacular da minha vida"

A convite do ge, Betinho deu uma trégua na correria do calendário do time profissional e abriu o baú de recordações das categorias de base. Afinal, quem cresceu ouvindo sobre o famoso cruzamento do pai para o gol de Adílio sabe bem como contar história.

Esconde o Paquetá!

"Quando ele chegou para fazer teste no clube, o treinador era o Mauro Félix e o Paquetá era pequenininho, muito menor que os outros. Mas sempre teve muita qualidade, e o Mauro olhava sempre a parte técnica. Quando foi aprovar, perguntou o ano que nasceu. Ele respondeu 1997, só que a idade limite do campo era para nascidos em 1995. Aí, ele escondeu o Paquetá por alguns meses, disse que estava trabalhando o menino. Quando pediam o documento, ele dizia: "Espera que estou avaliando". Virou o ano e ele brigou para ter a categoria mais nova para não perder o Paquetá para outro clube".

Vini Jr. e a dancinha da geração 2000

"Eles adoravam passinho, funk, ficar dançando. Era uma forma de desestressar, porque o time era muito acelerado. Estávamos em uma final de campeonato em Minas, começou um funk no ônibus e me disseram: "Hoje nem precisa aquecer muito, já aquecemos no passinho". O treinador começou a brigar comigo e os meninos disseram: "Gilmar, fica tranquilo que no campo a gente resolve". Ganharam por 3 a 0 do Cruzeiro e fomos campeões".

Reinier puxa a fila do "BOPE" rubro-negro

"Teve um ano que mudou o comando do Flamengo e o treinador sugeriu que entrássemos em campo com o time reserva. Estávamos ganhando de todo mundo, goleando todo mundo, e o objetivo era observar outros nomes. Enfrentamos o Madureira na Gávea, começamos perdendo, eles fizeram 1 a 0, 2 a 0... No banco estavam Lázaro, Reinier, Daniel Cabral, Noga... Até que o treinador disse: "Betinho, aquece o BOPE! Vamos botar o BOPE em campo!". Mudamos ainda no primeiro tempo e ganhamos por 6 a 2".

Promessa para tirar Reinier do Fluminense

"Reinier era o camisa 9 do Fluminense no sub-11. Eu já conhecia o pai dele, Mauro Brasília, que ficava p da vida do filho jogar naquela posição. Segundo ele, só era escalado ali por ser alto, mas a posição dele era meia. O Lázaro já era o camisa 10 do nosso time, mas eu e o Tiago, preparador de goleiros, convencemos o Mauro a levar o Reinier para o Flamengo. Ele só exigiu que o filho não seria usado como centroavante. Como íamos garantir isso? Conversamos com o coordenador da base e deu certo. Assim que o Reinier foi para o Flamengo".

Vini Jr: bastou um drible para ser aprovado em teste

"Eu estava no teste do Vinícius Júnior. Lembro que ele deu um drible que o marcador caiu no chão, se enrolou todo e foi parar no alambrado. O treinador aprovou na hora. Estava do lado de fora e lembro bem. O treinador era o Eduardo Jr. Vinícius levou a bola na ponta, driblou um, driblou dois e esticou. Quando ele foi cruzar, deu um corte para dentro. O zagueiro foi dar um carrinho e passou direto. Tivemos que tirar o menino de cima da tela do alambrado, ficou todo enrolado na rede de proteção que fica atrás do gol".

Ganha o Fla-Flu e paga o churrasco!

"Uma das melhores histórias de churrasco envolve a Geração 2000. Nunca conseguíamos vencer o Fluminense, que era considerado o melhor time, e combinamos: se vencer em Xerém, vou bancar um churrasco para toda família. Vencemos por 5 a 0, três do Vinícius e dois do Lincoln. Quando acabou, todo mundo falou: "Agora, vamos para sua casa!". Só que eu não sabia que o pai de um dos meninos tinha uma van. Foi o time todo, pai, mãe, mais de 50 pessoas, uma doideira. A piscina ficou verde mais de um mês. Depois desse 5 a 0, virou tradição. Sempre que ganhávamos, íamos fazer o churrasco. Ficamos anos sem perder para o Flu, até que os meninos (Vini Jr. e Lincoln) subiram para o profissional".

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