Domingo,
24 de Outubro de 2021

Dadá Maravilha foi rei na primeira vez da Seleção em Manaus. Hoje, torce por Gabigol: Adoro ele

Em 1970, na inauguração do antigo Vivaldão, demolido para virar Arena da Amazônia, seleções A e B venceram por 4 a 1 jogadores locais. Dario fez quatro para delírio de 50 mil pessoas

Autor: Raphael Zarko e Rômulo Almeida — Manaus

Fonte: GE — Manaus

Publicado em 13 de Outubro de 2021 (Atualizado Há 2 semanas atrás)

Legenda: Dario, camisa 9, faz um dos quatro gols na preliminar da seleção principal. Atacante foi reserva em 1970

Autor da Foto: Reprodução Jornal do Brasil

Edu vai na ponta, levanta e Dadá Maravilha coloca para dentro. A jogada levou ao delírio milhares de pessoas há 51 anos, em Manaus, e pode inspirar a Seleção de Tite nesta quinta-feira, contra o Uruguai. Em 5 abril de 1970, na primeira vez da seleção brasileira na capital amazonense, a festa era de Pelé, Carlos Alberto, Jairzinho e cia, mas o rei foi Dario.

Dadá Maravilha abriu os trabalhos e com muita autoridade. O então ídolo e atacante do Atlético-MG, convocado pelo novo técnico Zagallo, que substituíra João Saldanha apenas duas semanas antes, fez quatro gols na partida preliminar da Seleção contra combinado de times do Amazonas. Veja imagens raras acima

Brasil e Uruguai jogam nesta quinta-feira, na Arena da Amazônia, às 21h30 - horário de Brasília, com transmissão ao vivo da Globo, do SporTV e do ge. O time de Tite faz o último treino nesta tarde no campo de jogo. A provável escalação: Ederson, Emerson, Lucas Veríssimo, Thiago Silva, Alex Sandro; Fabinho, Fred, Lucas Paquetá; Raphinha, Gabriel Jesus e Neymar

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Era a inauguração do estádio Vivaldo Lima, o antigo Vivaldão, que foi demolido para a construção da Arena da Amazônia. O público estimado na época foi de 50 mil pessoas - uma enormidade numa cidade que não tinha 300 mil habitantes. Palco da partida entre Brasil e Uruguai pelas Eliminatórias da Copa de 2022, o novo estádio custou mais de R$ 600 milhões em obras que duraram quatro anos.

Aos 75 anos, Dadá Maravilha lembrou ao ge desta partida em Manaus. Nos anos 1980, longe da melhor fase da carreira, ele ainda defenderia o Nacional de Manaus.

- Recordo que foi uma festa maravilhosa, mas uma confusão também. Era muita gente. Eu estava fazendo muitos gols. Mas jogar com o Edu era covardia. Ele ia no fundo e cruzava para Dadá, o maior cabeceador do planeta Terra. Fiz 500 gols assim - conta, com seu estilo exagerado, Dario.

O Vivaldão

Construído em 1970, o estádio foi demolido em 2010. A seleção brasileira jogou no estádio em 1970 - os dois jogos amistosos contra seleções do Amazonas. Também atuou em 1995 (3 a 1 sobre a Colômbia, em amistoso), em 1996 (amistosos com 1 a 1 com a Croácia e 1 a 0 em cima da Bósnia), depois em 2003, com 1 a 0 sobre o Equador, em 2003, pelas Eliminatórias da Copa da Alemanha de 2006. A última vez foi em 2016, com vitória sobre a Colômbia por 2 a 1, nas últimas Eliminatórias

Hoje comentarista da TV Alterosa, em Minas Gerais, Dadá acompanha à distância a seleção brasileira de Tite. Gosta, claro, do craque Neymar, mas fica feliz de ver mais chances a Gabigol. O atacante do Flamengo foi titular da equipe brasileira em sete jogos nas Eliminatórias - fez um gol, de pênalti. Mas fica no banco contra o Uruguai, na Arena da Amazônia.

- Eu adoro o Gabigol. Ele tem personalidade forte, igual o Dadá tinha. Vejo ele falando e penso nisso, tem a minha personalidade. Ele diz que gosta de ser amado, gosta de torcida contra, de vaia e ele sabe fazer gols. Eu em qualquer lugar falava isso e diziam que eu era louco. Os caras quando me xingavam, eu ficava nervoso. Era um leão ferido - lembra Dadá.

Compras e política na capital amazonense

A motivação para a inauguração do estádio com a seleção brasileira era política. Os veículos de imprensa da época contam que João Havelange, que foi presidente da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD, que se chama CBF desde os anos 1980), buscava votos pela reeleição.

E levou convidados estrangeiros. A delegação brasileira, que desembarcou no aeroporto de Ponta Pelada, em Manaus, com forte esquema de segurança, tinha 64 pessoas - 24 jogadores, 10 integrantes da comissão técnica e simplesmente 30 convidados especiais - entre eles, "sir" Stanley Rous, o inglês que precedeu Havelange entre 1961 e 1974 na presidência da Fifa. Também acompanhava a comitiva ao Amazonas o ex-árbitro Ken Aston, inventor dos cartões amarelo e vermelho no futebol.

Uma das atrações mais esperadas da visita dos jogadores da Seleção em Manaus era a Zona Franca de Manaus, polo industrial criado em 1957, com isenção de impostos de diversos produtos. Um ônibus levou os atletas e a comissão técnica para as compras.

Os jogadores e o técnico Zagallo saíram com sacolas e mais sacolas do passeio. Modernos relógios importados - japoneses e suíços de preferência -, calça Lee (de veludo!) da moda, camisas italianas e americanas, gravadores, rádios... Um saldão total para os jogadores antes da partida.

Em campo, foram dois resultados iguais. A seleção B jogou às 14h - 15h do horário de Brasília. Venceu por 4 a 1 com quatro gols de Dario com a seguinte escalação: Leão, Zé Maria, Piazza (Catita), Joel e Zé Carlos; Dirceu Lopes, Arilson (Pompeia), Rogerio (Evandro) (Pretinho), Dario, Tostão e Edu (Arilson, que entrou de novo). Pelo time local, o gol foi de Laércio.

No jogo principal, às 16h - 17h de Brasília -, a seleção A de Zagallo jogou com Ado, Carlos Alberto, Brito, Fontana e Everaldo; Clodoaldo, Rivellino (Piazza); Jairzinho, Roberto, Pelé e Paulo Cesar Caju. Os quatro gols foram marcados Carlos Alberto, Paulo Cesar Caju, Rivellino e Pelé. Mario fez o gol do Amazonas.

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