Direção dividida, contrato firmado e cancelado, mudança meteórica: bastidores da (quase) ida de Thiago Neves ao Atlético-MG

Meia de 35 anos era um desejo de Jorge Sampaoli, mas pressão da torcida fez a diretoria atleticana cancelar negócio; pré-acordo já estava assinado pelo jogador

Publicado em: 15 de Setembro de 2020
Foto Por: Reprodução/GrêmioTV
Autor: Guilherme Frossard — Belo Horizonte
Fonte: GE
Thiago Neves

O Atlético-MG chegou a fechar a contratação do meia Thiago Neves, 35 anos. As conversas, que vinham acontecendo nos últimos dias, chegaram a um desfecho na manhã dessa segunda-feira.

 

Um pré-contrato - que ainda tinha detalhes pendentes - foi assinado pelo jogador (com a condicionante dos resultados dos exames médicos), e Thiago viajaria na manhã desta terça-feira em Belo Horizonte. A informação vazou. A torcida se revoltou nas redes sociais. O negócio foi cancelado. E o ge conta os bastidores dessa história.

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Capítulo #1: o pedido e o convencimento

Assim como fez com dezenas de outros jogadores desde que chegou ao Atlético, Jorge Sampaoli solicitou à diretoria a contratação de Thiago Neves. O treinador entende que o meio-campo criativo do elenco é carente e que o jogador agregaria valor. 

 

O primeiro impacto na direção foi extremamente negativo. A maior parte dos dirigentes era contra. O treinador insistiu e convenceu uma parte dos cartolas, mas não todos. Sette Câmara, o presidente, foi convencido. Os investidores do clube também.

 

Capítulo #2: o martelo batido

As partes chegaram a um acordo: o contrato elaborado tinha validade até o fim do Brasileirão. O salário na carteira de trabalho era consideravelmente mais baixo do que aquele que Thiago Neves recebia no Cruzeiro (mais de R$ 500 mil) e no Grêmio, mas havia a previsão de bônus por produtividade e metas. Uma fonte disse ao ge: "Jogou bem? Produziu? Ganhou. Se não, não".

 

Um pré-acordo chegou a ser assinado pelo jogador, o que é perfeitamente possível de acontecer antes dos exames médicos. Como? As partes costuram um pré-contrato, já com validade jurídica, mas com a condicionante dos exames. Nele, já é possível estabelecer até o valor de multa pelo distrato e a não assinatura do contrato principal. A prática é muito comum, por exemplo, em negociações internacionais. O Atlético, que ainda negociava alguns detalhes, não chegou a assinar o documento.

 

Capítulo #3: o vazamento e a revolta da torcida

O relógio marcava 20h47 (horário de Brasília) quando o jornalista Cadu Doné, na Rádio Itatiaia, noticiava o acerto encaminhado entre Atlético e Thiago Neves.

 

O ge foi atrás da confirmação, que veio minutos depois. Estava, de fato, tudo certo entre as duas partes. Na sequência, mais uma informação importante: o jogador, que está no Rio, preparava as malas e chegaria a BH já na manhã desta terça-feira. A notícia, em poucos minutos, atingiu milhares de atleticanos pelas redes sociais.

 

A repercussão não foi nada positiva. Muito pelo contrário. Em todas as enquetes promovidas pelos veículos de imprensa, a maioria esmagadora da torcida votava contra a contratação. A maior torcida organizada atleticana chegou a postar um comunicado dizendo que "esse pilantra não veste a camisa do Galo". A pressão ficou insustentável.

 

Capítulo #4: a reviravolta

Às 22h21, o repórter Túlio Kaizer, do portal Superesportes, noticiava que o Atlético havia desistido da contratação. Minutos depois, ao ge, outro dirigente garantiu: "Assunto encerrado. Não vem". O Galo tinha, de fato, mudado de ideia. A pressão da torcida fez efeito. A diretoria percebeu que Thiago Neves não seria bem-vindo no Atlético, e Jorge Sampaoli foi comunicado.

* Atualizada às 8h52 de terça, dia 15/9

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