Dois ouros olímpicos não são acaso: Pia Sundhage sabe o que está fazendo na seleção brasileira

Técnica completa um ano oficialmente no comando do Brasil; nesse período, chamou 44 jogadoras e deu palco ao talento de nomes, por vezes, escondidos em esquemas táticos no passado

Publicado em: 31 de Julho de 2020
Foto Por: Getty Images
Autor: Globo Esporte - Rio de Janeiro
Fonte: Globo Esporte
Pia Sundhage, técnica da seleção

 No dia 30 de julho de 2019, um novo capítulo era escrito no futebol feminino brasileiro. Pela primeira vez, uma estrangeira assumia o comando de uma seleção do país. E não qualquer estrangeira: uma bicampeã olímpica.

 

Com negociação conduzida diretamente pelo presidente Rogério Caboclo, Pia Sundhage era anunciada oficialmente em coletiva na sede da CBF como treinadora do Brasil. Desde então, foram 11 jogos, 6 vitórias, 4 empates (duas decisões por pênaltis perdidas) e uma derrota com 26 gols marcados e 5 gols sofridos.

 

Em suas listas, Pia chamou 44 jogadoras e fez questão de testar a equipe. Mas alguns dos nomes saíram na frente na preferência da treinadora e com justificada razão. Atleta do PSG, Luana esteve em 11 partidas com o elenco. Em nove delas, foi titular. Antes da parada em razão da pandemia de Covid-19, vinha sendo o nome da seleção brasileira por sua regularidade, discrição e eficiência em campo.

 

As características impressionaram tanto a técnica, que apostou nela também na lateral direita diante da Holanda no dia 4 de março. Vejo a meia, que também aparece como volante, como uma possível herdeira de Formiga, que, aos 42 anos, se mantém em alta com a técnica.

 

Sempre com a qualidade característica, ela apareceu como titular em todos os jogos que esteve, nove, no total – não foi nos amistosos diante do México por não ser data Fifa e o Paris Saint-Germain não ter obrigação de liberá-la. E ficou evidente: ainda não podemos viver sem Miraildes.

 

Em grande fase nos Estados Unidos, eleita a melhor da NWSL na última temporada e integrante da seleção da Challenge Cup, encerrada no último domingo, Debinha aparece como artilheira da era Pia com seis gols em 11 jogos, oito deles como titular. O papel dela não se resume em bola na rede.

 

A jogadora passou ser um dos centros de criação da equipe com a bola frequentemente passando pelos seus pés para levar perigo ao adversário. Sua mobilidade em frente à área fez a conexão com outro nome representativo: Bia Zaneratto.

 

A centroavante foi a “dona da Coreia do Sul” quando atuava pelo Incheon Hyundai Steel Red Angels, uma avante que se encaixaria entre os grandes clubes europeus. Mas quando chegava à Seleção, perdia seu brilho em meio a um emaranhado tático. Foi então que Pia assumiu e a fez voar no esquema com a naturalidade de seu grande futebol.

 

Foram 10 jogos, oito como titular e cinco gols marcados. E não só isso. Garantiu posicionamento para o papel de pivô que tão bem faz fora da área e ainda o auxílio às colegas nas assistências.

 

Nossa rainha Marta esteve em sete jogos sob o comando de Pia Sundhage, a quem conhece tão bem dos tempos de Suécia. Para ela, ainda espero um posicionamento que a coloque mais perto da área. Sua categoria de seis vezes melhor do mundo lhe permite o improviso, o chute qualificado.

 

Para isso, precisa e merece estar ali para que todo o seu diferencial de craque sirva por completo a nosso favor. Ainda temos mais evoluções: Ludmila com sua velocidade característica e agora combinada com o poder de decisão diante das defesas desmontadas, Thaisa com sua segurança no meio.

 

Há nomes que merecem mais testes como Maria Alves, Daiane, a goleira Natascha, e outros que precisam de tempo em campo como Rafaelle, que, em plenas condições, figura como uma das melhores zagueiras do mundo.

 

Há muitos outros nomes qualificados para integrar o elenco da seleção brasileira. As citadas acima serviram para mostrar que Pia Sundhage foi cirúrgica desde a sua chegada e, ponto a ponto, vai corrigindo nos detalhes para que possamos chegar aos Jogos de Tóquio – adiados para 2021 - em igualdade tática de condições, pois talentos temos muitos no país.

 

Nem o lado psicológico foi esquecido pela treinadora, que pediu à CBF uma psicóloga para trabalhar com o grupo depois de notar dificuldades em momento decisivos – com ela, o Brasil perdeu duas decisões por pênaltis.

 

Pia está atenta. Temos uma bicampeã olímpica conosco. Ela sabe o que fazer. Soube quando iniciou uma renovação até mesmo na fechada seleção americana. Não duvidem que ela terá coragem de fazer o mesmo por aqui. Se sentir a necessidade em seu planejamento a longo prazo, não se furtará em seguir o caminho que acreditar ser o melhor para nossa seleção brasileira.

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