Em carta, vítimas pedem fim da cultura de abuso sexual na Federação Americana de Natação

Oito integrantes são citados por diferentes motivos, desde o abuso sexual em si à negligência e acobertamento de casos

Publicado em: 03 de Julho de 2020
Foto Por: Maddie Meyer/Getty Images
Autor: GloboEsporte.com — Rio de Janeiro
Fonte: GloboEsporte.com — Rio de Janeiro
USA Swimming é acusada de acobertar casos de abuso sexual a nadadoras

Escrita pelo advogado Robert Allard em nome de seis vítimas, uma carta aberta pede o fim da cultura de abuso sexual na USA Swimming, a Federação Americana de Natação.

 

O documento quer ainda que a entidade expulse oito de seus integrantes por diferentes motivos, desde o próprio ato de abuso sexual à negligência e acobertamento de casos. A informação foi publicada pelo "Inside The Games".

 

São eles: Murray Stephens (técnico da natação americana nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996), Paul Bergen (técnico nos Jogos de 1980, 1984, 1988 e 2000), John Leonard (técnico da Associação dos Técnicos de Natação dos Estados Unidos), Mary Jo Swalley (ex-vice-presidente da USA Swimming) Mark Schubert, (descrito como técnico mais vitorioso da natação americana), Clint Benton e Mille Nygren (membros da diretoria da Pacific-Swimming) e Steve Morselli (técnico de natação).

 

- Estando profundamente envolvidos em casos de acusações de abuso sexual contra a USA Swimming há mais de uma década, fica claro para nós que ainda há uma profunda cultura enraizada em sua organização que envolve o crime de abuso sexual por parte de técnicos com atletas menores de idade. Isso precisa acabar agora - diz um trecho da carta, que alega que a entidade nada fez no combate à violência sexual.

 

+ Abusadas por treinadores, ex-atletas processam USA Swimming por ter acobertado casos

Mais sobre o caso

 

No início de junho, um grupo de seis ex-nadadoras entrou na Justiça contra a USA Swimming (Federação de Natação dos Estados Unidos) acusando a entidade de acobertar casos de abuso sexual. As seis, todas na faixa entre 40 e 50 anos, foram abusadas ainda na adolescência. As informações são do New York Times.

 

Nos processos, as mulheres afirmam que a USA Swimming permitiu que treinadores agredissem sexualmente as jovens atletas por anos. Os clubes e associações por onde elas passaram, bem como dois de seus ex-treinadores, também foram apontados como réus.

 

- Meu abuso sexual foi 100% evitável - disse Debra Grodensky, 51 anos, uma das vítimas.

Debra disse que foi abusada na década de 1980 por seu ex-treinador, Andrew King. Ele está cumprindo uma pena de prisão de 40 anos por abuso sexual de crianças.

 

As seis mulheres decidiram processar a USA Swimming aproveitando uma lei recente da Califórnia que abriu uma janela de três anos para que as pessoas podem registrar alegações de abuso sexual que expiraram sob o estatuto de limitações.

 

Outras vítimas identificadas na reportagem do New York Times foram Tracy Palmero, 46, e Suzette Moran, 53. Um dos treinadores acusados por elas é Everett Uchiyama, que teria abusado Tracy quando ela tinha 16 anos.

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