Federação Paulista e CBF dialogam, falam em sacrifício e esforço em conjunto. Mas haverá impasse

Entrevista de Reinaldo Carneiro Bastos a André Hernan e de Rogério Caboclo ao jornal O Globo expõe ideias que parecem complementares, mas vão se chocar

Publicado em: 07 de Julho de 2020
Foto Por: Reprodução / CBF
Autor: Globo Esporte - Rio de Janeiro
Fonte: Globo Esporte
Rogério Caboclo, presidente ds CBF, na reunião do Conselho Técnico

Reinaldo Carneiro Bastos deu uma entrevista sóbria a André Hernan . Falou o tempo inteiro sobre a necessidade de diálogo. "Somos os porta vozes dos clubes", diz o presidente da Federação Paulista de Futebol.

 

Como poucas federações, a Paulista acompanhou com absoluta coerência, com comando e harmonia com os clubes, que, em raros casos, quebraram a corrente solidária. Só quando se descobriu que o Bragantino foi treinar, com autorização da prefeitura de Bragança Paulista.


A voz dos clubes paulistas é contrária à da CBF, que fala em começar o Brasileiro da Série A necessariamente no dia 9 de agosto. Em princípio, os quatro grandes de São Paulo preferem o dia 16, porque o Paulistão não terminará antes do dia 12. Dos vinte times da Série A, 19 aceitaram mudar de cidade para jogar pelo Brasileiro se não houver autorização em seu próprio município.

 

Só o Athletico foi contra.

 

No início, o Grêmio também era favorável a só iniciar o Brasileirão no dia 9, mas a dificuldade de datas autorizadas pelo governo do Rio Grande do Sul já o fez mudar de ideia. "Vai haver sacrifício de todos", diz Reinaldo Carneiro Bastos.

 

Não está claro se, ao dizer isso, Reinaldo admite que o Paulista use quartas-feiras posteriores ao início do Brasileiro. Mas tudo leva a crer que haverá impasse para que o Brasileirão se inicie no dia 9.

 

Não espere do presidente da CBF a ruptura do calendário. Ele fala em manutenção dos estaduais, mas admite atropelar o reinício deles, porque a temporada nacional tem de começar em tempo de entregar todos os jogos de 2020 e 2021 e começar o ano da Copa em mais harmonia. Quando, e se um dia houver um presidente de CBF que pregue a ruptura, ele não dirá isso. Trabalhará em silêncio.

 

Não é o caso de Rogério Caboclo. Ele, de fato, preza os estaduais.

 

A ruptura deste calendário dos campeonatos de cada estado só se dará pelo estrangulamento econômico, se não houver contratos de TV nem financiamento de outra forma, ou pelos clubes. Todas as grandes rupturas da história foram iniciadas pelos clubes. Seja a criação da Premier League ou de La Liga, , na Inglaterra e Espanha, sejam as ligas concorrentes formadas no Brasil e que até hoje não nos permitem saber quem foi o campeão carioca de 1936 -- Vasco ou Fluminense? --, paulista de 1935 -- Santos ou Portuguesa -- ou brasileiro de 1987 -- Flamengo ou Sport.

 

Não pense que a ruptura se dará pela CBF.

O que ainda parece é que pode haver impasse para que o Brasileirão comece no dia 9 de agosto.

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