Luan se despede do Atlético-MG, acerta detalhes da saída para o Japão e faz planos: "Ficar anos lá"

Luan se despede do Atlético-MG, acerta detalhes da saída para o Japão e faz planos: "Ficar anos lá"

Publicado em: 27 de Dezembro de 2019
Foto Por: Frederico Ribeiro
Autor: Frederico Ribeiro — Belo Horizonte
Fonte: Globo Esporte

Com um envelope do V-Varen Nagasaki-JAP debaixo do braço, o meia-atacante Luan foi até a sede administrativa do Atlético-MG, em Belo Horizonte, na tarde de quinta-feira, para acertar os últimos detalhes de sua transferência ao Japão. Luan passa o fim de ano no Brasil e viaja em definitivo no início da segunda semana de janeiro. O jogador, nestes últimos momentos em BH, conversou com o GloboEsporte.com sobre a decisão de sair do Galo e aceitar atuar na segunda divisão japonesa.

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Luan fecha um ciclo de sete temporadas pelo Atlético, conquistando dois dos três principais títulos do clube - Copa Libertadores 2013 e Copa do Brasil 2014. A reta final de 2019 fez Luan repensar a continuidade no clube. Com o desgaste natural da relação longa, o jogador elencou alguns fatores que o fizeram aceitar a proposta japonesa: pressão e críticas recentes, a necessidade de ir para uma cultura diferente, e o desafio de subir o V-Varen para a J-League (primeira divisão).

- Uma decisão bem pensada. Queria há muito tempo jogar em um país diferente. Tive algumas propostas de outros países, do Japão também. E não havia dado certo por algum motivo. Agora, graças a Deus, tudo correu bem. E o clube (Atlético) entendeu. Estava no meu momento de ir embora, de conhecer outras coisas, novas metas e desafios. Foi legal, e agora é esperar fazer os feitos lá que fiz aqui no Galo - disse o meia-atacante.

A ideia do jogador de 29 anos, que assinou contrato de quatro temporadas com o novo clube, é ter uma passagem igualmente longa na terra do sol nascente.

"Quatro anos de contrato, mas eu quero ficar uns sete anos lá, igual eu fiquei aqui (em Belo Horizonte)".

Luan irá no começo de janeiro para Nagasaki, fazer a pré-temporada e, no fim do mês, sua família (esposa e três filhos) irão o encontrar. O jogador já iniciou o processo de mudança em sua residência. O desafio será colocar o V-Varen na elite, depois de um ano modesto para o clube - apenas o 12º colocado da J2-League.

"Os clubes brasileiros não respeitam muito a sua história. Você é descartável. Essas coisas fazem você pensar em sair para um outro país. O brasileiro em si tem memória curta" - Luan.

Veja outros trechos da entrevista:

Como foi esta vista a Nagasaki? Você conheceu a estrutura do clube, da cidade, antes de assinar o contrato.
- Um povo educado. Lá eles prezam pela educação, um povo muito educado, limpo. Prezam a educação e a paz. Outra cultura mesmo. Eu já conhecia, porque já tinha viajado algumas vezes para lá, fazer jogos amistosos. Para mim é tranquilo, comida boa, cidade limpa e bonita. O clube tem um projeto que me cativou. Vou para lá e bater metas com o time. Eles querem coisas grandes. Porque é longe para caramba, são 27 horas de viagem. Cultura diferente, tem que ter metas na vida, e aceitei esse desafio. Agora vou lá em busca de fazer história também.

Qual foi a principal atração do V-Varen que te fez aceitar a proposta?
- Difícil sair de uma primeira para a segunda divisão. Mas o time está crescendo. E adoro esses tipos de projetos e desafios. Foi assim em Sorocaba, aqui no Atlético, e não será diferente lá. Estou focado para chegar, conhecer os companheiros, fazer a pré-temporada. O clube irá crescer muito, e serei muito feliz lá. Já conheci todo mundo e agora é ir em definitivo para fazer um bom trabalho.

E como foi a decisão de mudar de país para a sua eposa, para os filhos?
- A Jéssica (esposa) também queria ir. Ela queria sair daqui, até por algumas coisas, muita pressão aqui. Os clubes brasileiros não respeitam muito a sua história. Você é descartável. Essas coisas fazem você pensar em sair para um outro país. O brasileiro em si tem memória curta. Quando você vence, você é bom. Quando perde, é ruim. Foi isso também que me motivou a sair para um país diferente. Não pensei duas vezes. Mesmo sendo um time que tinha uma meta para subir, eu aceitei. Eles não conseguiram subir este ano, e agora, quem sabe ano que vem, fazendo um bom trabalho, Nagasaki possa subir para a primeira divisão e disputar ligas diferentes.

Você passou sete temporadas no Atlético, com títulos, identificação com a torcida. Mas há alguma mágoa nesta reta final? Você chegou a ser vaiado em 2019.
- Não. Há gratidão. Torcedor está ali para cobrar. Creio que foi uma minoria. O torcedor de verdade, a Galoucura, veio me apoiar, me motivar. A minoria vaia, porque sabe que você tem qualidade. Você é cobrado porque sabem que pode dar um pouco a mais. O momento foi estranho, mas superei, normal. Serve de crescimento. Na reta final, conseguimos livrar o clube do rebaixamento. Eu e meus companheiros. Fiz gols importantes também e ajudei a equipe a sair digna do Campeonato Brasileiro, pelo menos.

E como fica sua relação com o Belo Horizonte. É um adeus? Um "até logo"?
- Não sei. Talvez um adeus. Tenho metas de ficar muitos anos no Japão. Não é só passar por passar. Não é apenas o dinheiro em si. Eu estava bem estruturado aqui com a minha família. Abri mão de muitas regalias para um desafio diferente. Muito doido vai ser, porque até adaptar a família... Eu adapto muito rápido, fiquei seis dias lá e adorei.

Japão é um outro mundo, como será a adaptação?
- Até o sushi é outro (risos). As pessoas são diferentes também. É um povo muito educado. Isso me deixou muito feliz. Espero que a minha família possa ir o mais rápido possível comigo. Eu irei primeiro para a pré-temporada, conhecer os companheiros. Conhecer ainda mais a estrutura. E depois a família irá em seguida, arrumar a casa, ver escola para os meninos. Quatro anos de contrato, mas eu quero ficar uns sete, igual aqui (em Belo Horizonte).

 

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