Quarta - Feira,
05 de Maio de 2021

Lutador de boxe morto após nocaute passou 40 minutos sendo reanimado em hospital; 4 pessoas são indiciadas

Polícia aguarda a publicação do laudo cadavérico para responsabilizar os envolvidos da morte. Por enquanto, profissionais de saúde que assistiam à luta foram indiciados por crime contra a saúde pública

Autor: Redação do ge e Rede Clube — Teresina

Fonte: GE — Teresina

Publicado em 04 de Maio de 2021 (Atualizado Há 1 dia atras)

Legenda: Lutador morre após passar mal durante luta

Autor da Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Piauí ouviu até o momento mais de 20 pessoas no inquérito policial que investiga a morte do lutador de boxe Jonas de Andrade Carvalho Filho, de 34 anos. Durante um evento, dentro de uma academia em Teresina, Jonas, o “Guerreiro da Luz”, passou mal após sofrer um nocaute, com vários golpes na cabeça, e morreu no hospital. O delegado Menandro Pedro afirmou não ter dúvida que o evento era ilegal, sem nenhum equipamento de atendimento emergencial e espera o laudo cadavérico – que aponta a causa da morte do lutador – para responsabilizar os envolvidos. Quatro pessoas, porém, foram indiciadas.

Em entrevista à Rede Clube, Menandro Pedro relatou novas situações sobre a morte do lutador. Um delas, é a falta de estrutura médica de atendimento. No local do combate, havia apenas um oxímetro (aparelho que mede a saturação de oxigênio no sangue), que estava na bolsa de uma expectadora.

Quando Jonas saiu desmaiado do evento, carregado nos braços, as pessoas do evento que o socorreram, segundo o delegado, informaram a policiais militares de plantão no Hospital do Buenos Aires, onde Jonas recebeu o atendimento de urgência, que ele havia caído de moto.

Antes de morrer, Jonas passou 40 minutos sendo reanimado no hospital, em estado grave. Preliminarmente, a causa da morte é traumatismo craniano.

- O evento tinha 300 pessoas, 10% usavam máscaras, não tinha álcool em gel, não tinha medidor de temperatura. O único equipamento que tinha era um oxímetro, que uma enfermeira que mora no interior do Piauí (estava no local), estava na bolsa dela. Ela utilizou para aferir a saturação de Jonas, e estava com 61%, 62% (o normal seria uma taxa de 98%) - explicou o delegado.

- O organizador e outro auxiliar vamos indiciar também. Temos depoimentos que na hora que chegaram correndo no hospital, eles deram a primeira versão aos policiais militares que tinha caído de moto e bateu a cabeça no chão. Ou seja, já mostra que eles sabiam que Jonas estava com traumatismo. A médica de plantão passou 40 minutos tentando reanimá-lo, mas ele foi a óbito – completou.

Quatro profissionais de saúde que estavam no momento da luta, assistindo ao evento, foram indiciados por crime contra a saúde pública. O campeonato não poderia acontecer por causa do decreto do governo do estado que proíbe eventos com aglomerações, em locais públicos e fechados.

- Mais de 20 pessoas foram ouvidas. Tinha vários profissionais de saúde (no evento). Enfermeiros, radiologista, fisioterapeuta. Esses, de imediato, foram indiciados por estarem em um local que não poderia acontecer, estavam presenciando um evento que não tinha distanciamento, nenhum equipamento de segurança e primeiros-socorros - detalhou o delegado.

A Polícia Civil espera concluir o inquérito até o dia 26 de maio. Um lutador, envolvido no evento, e o organizador serão ouvidos.

CREF-PI diz que evento foi clandestino e não houve atendimento digno

O Conselho Regional de Educação Física (CREF-FI) classificou o evento como ilegal e questionou a qualidade do atendimento recebido pelo lutador. Danys Queiroz, presidente do CREF-PI, afirmou que a academia não tinha registro do conselho e, por isso, não poderia funcionar. A federação de boxe do estado também havia dito que a competição era clandestina.

O responsável pela academia de boxe relatou à Rede Clube, sem gravar entrevista, que as lutas se tratavam de um “evento-teste” e que havia aparato médico. O CREF-PI rebateu.

- Quem faz evento tem que preparar para o inesperado, eventos de lutas pode acontecer traumatismos, mal súbito, uma fratura, tenho que preparar para isso. Você responsável tem que se preparar para essas situações. Cadê a maca? Tem que ter logística de apoio, material no local material para prestar um socorro digno. Nas imagens, aparecem quatro pessoas carregando ele no meio de uma multidão – disse o presidente.

"Seu fraco", grita torcida

Nas imagens da luta, transmitida em redes sociais e viralizada na web, Jonas de Andrade Carvalho foi golpeado na cabeça por várias vezes e chegou a cair no chão. O árbitro abriu a contagem, mas o lutador manifestou que estava tudo bem. O combate seguiu, mas Jonas foi acertado novamente na região da cabeça e caiu nocauteado.

O árbitro interrompe o duelo. Quem assistia à luta, ainda grita "seu fraco".

Depois do nocaute, Jonas mal conseguiu ficar em pé. Depois de receber atendimento de quem estava no local, ele foi carregado nos braços, desmaiado. Essa foi a última imagem do lutador, que chegou a ir ao hospital. Segundo relatou a família, o competidor sofreu uma lesão no crânio.

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