Menina vira fenômeno após viralizar com desabafo e comove técnica da seleção e Marta: "Tenha coragem"

Larissa Vitória, mais conhecida como Lari Gol, ganhou as redes sociais e a atenção de referências no futebol ao publicar um vídeo sobre o bullying por querer ser atleta

Publicado em: 13 de Agosto de 2020
Foto Por: Marcelo Cabral / TV Globo
Autor: Camila Alves, Carla Wings, Juan Torres, Marcelo Cabral, Nathália Dielú, Renato Ramos e Terni Castro — Recife
Fonte: Globo Esporte
Larissa Vitória, a Lari Gol, no campinho do bairro do Vasco da Gama

Larissa Vitória, também conhecida como Lari Gol, viralizou nas redes sociais ao publicar um desabafo sobre o bullying sofrido por escolher ser atletaO discurso firme, mesmo com 10 anos de idade, transformou a menina em "fenômeno". Comoveu Corinthians, Cristiane, Andressa Alves e, até mesmo, Marta, além da técnica da seleção brasileira, Pia Sundhage. Referências que se viram na história da jogadora mirim.

 

Porque no futebol, principalmente no Brasil, o caminho de meninas e mulheres sempre precisou ser assim: na luta.

 

Natural do Vasco da Gama, bairro na Zona Norte do Recife, Larissa viu o discurso de incentivo preencher os dias na última semana. Transformaram as lágrimas de choro, quando reclusa no quarto da mãe, em um sorriso tímido, como ela costuma ser. Uma história que culminou no reconhecimento da própria ídola, Marta, eleita melhor do mundo por seis vezes.

 

"Quero te desejar muita força e que você siga com muita determinação na busca pelo seu sonho. Seja você a sua maior fonte de inspiração. E sempre tenha a coragem de enfrentar o não e os obstáculos que surgirem pela frente."

 

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Marta não foi a única na seleção brasileira a dedicar palavras de estímulo para a atleta mirim. A história de Larissa também passou por Cristiane, Andressa Alves e Andressinha, que se viram no relato de preconceito. Porque mesmo a elite do futebol feminino sabe que precisou enfrentar caminho semelhante para se tornar referência.

 

Há um ano recém-completo no cargo de técnica da seleção brasileira, a sueca Pia Sundhage arriscou no português para deixar uma mensagem. Ela foi a primeira estrangeira e a segunda mulher, depois de Emily Lima, em 2017, a assumir o comando do time nacional.

 

"Eu não falo português muito bem, entendo um pouco. Mas eu entendo futebol. Eu amo futebol, como você. Sou mulher e treinadora. Você consegue fazer isso. Só faça. Vá ao campo de futebol junto com seus amigos e se divirta. Ganhe jogos, perca jogos. E faça amigos."

 

Larissa se apaixonou pelo futebol ainda nas arquibancadas do estádio, ao lado do avô. Aos cinco anos, encontrou na tia, ex-jogadora, inspiração. E na mãe, Patrícia, o apoio para seguir em busca do sonho de ser atleta. Realidade rara para as meninas que escolhem este caminho. Agora, Lari vive maior parte dos dias no campinho de barro que tem na frente de casa e nos treinos na escolinha da professora Fabya Santos, com outras 14 atletas dos 10 aos 15 anos.

 

O suporte, apontado como determinante para Cristiane, atualmente no Santos, também foi a força necessária para a zagueira Zizi, do Bahia, que chegou a disputar a Copa do Mundo de 2011 com a Canarinho.

 

"Você é uma menina guerreira. Continue assim, batalhadora, não se importando com o que as pessoas vão dizer. Foque no seu sonho. Foi assim que eu fiz e consegui, com meus pais sempre me apoiando, me dando força, e não me importava o que diziam para mim. Consegui ir para a seleção, jogar fora do país e hoje estou vestindo esse manto, que é para poucos."

 

Agora, a menina de apenas 10 anos mantém ainda mais vivo o sonho. Sob a determinação do discurso em desabafo, Larissa tornou-se inspiração. Até mesmo para atletas profissionais. E tem no clube do coração, o Santa Cruz, e nas referências do futebol o incentivo para seguir em frente.

 

- Na minha época, pelo menos, a gente não tinha muitas referências do futebol feminino para seguir. Minha ídola era a Sissi, mas não tinha muita mídia, era bem difícil. Hoje essas meninas têm. A gente precisa de meninas como ela, que lutem pela modalidade. Quando ela postou o vídeo, passou um filme na minha cabeça. Parecia que eu era ela de tanta gente me xingar, insultar e falar as coisas que falavam quando eu jogava também com os meninos - reforçou a atacante Cacau, do Corinthians.

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