Primeiro gol do Atlético-MG no retorno tem 10 atletas no lance e 26 passes até cabeceio de Nathan

Dos 11 em campo quando o Galo abriu o placar contra o América-MG, só Hyoran não tocou na bola na jogada, que durou um minuto e meio; lançamento de Réver "quebrou linhas" do rival

Publicado em: 29 de Julho de 2020
Foto Por: Bruno Cantini/Atlético-MG
Autor: Guilherme Frossard e Rafael Araújo — Belo Horizonte
Fonte: Globo Esporte
Jogadores do Atlético comemoram gol de Nathan contra o América

O Atlético-MG reestreou na temporada 2020 contra o América-MG, no último domingo, e mostrou algumas evoluções e, naturalmente, algumas dificuldades.

 

empate por 1 a 1 foi um resultado justo pelo que aconteceu no jogo, mas o grande destaque positivo foi a movimentação da equipe de Jorge Sampaoli no gol de Nathan, que abriu o placar aos 30 minutos do primeiro tempo. Um gol coletivo, numa jogada trabalhada, paciente e com participação de praticamente todo o time.

 

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 A jogada começa após um passe incompleto de Junior Alonso no meio-campo. Depois do bloqueio americano, a bola volta ao defensor paraguaio, que recua para Rafael, aos 29:21 minutos de jogo.

 

Na sequência, Rafael faz o que Sampaoli exige: sai jogando com os pés.

O Galo troca passes no campo de defesa por mais de um minuto, com participações de oito jogadores, incluindo o centroavante do time, que "desce" até o meio-campo para dar opção de passe. Rafael, Alonso, Allan, Fábio Santos, Réver, Guga, Nathan e Marrony tocam na bola nessa fase da jogada.

 

Aos 30:28, o capitão Réver, um dos destaques do Galo na partida, faz o que fez muito bem em grande parte do jogo: lançamento longo buscando um dos pontas - dessa vez Savarino, que atuou bem aberto pela direita.

 

Com velocidade e habilidade, o venezuelano passa por Sávio (lateral-esquerdo do Coelho) e traz a bola para o meio-campo. A jogada é invertida (passando por Allan e Alonso) até chegar a Marquinhos, o 10º jogador do time a tocar na bola desde o início do lance.

 

O garoto domina, conduz, ajeita o corpo e faz o cruzamento no capricho para Nathan, que se movimenta bem, aproveitando o espaço na defesa rival, e aparece como um centroavante, na primeira trave, para desviar para o fundo do gol, quando o relógio mostrava 30:50.

 

 Do recuo de Alonso para Rafael na defesa ao desvio de Nathan, o relógio andou exatos um minuto e 29 segundos, com 10 atletas tocando na bolaForam 26 passes trocados até o cabeceio que deu fim (com gol) à jogada.

 

Junior Alonso, contratação pedida por Sampaoli, foi quem participou mais vezes do lance (sete). Allan e Réver tiveram a bola em quatro momentos cada, e Hyoran foi o único que não tocou nela.

 

Savarino foi quem ficou com a bola por mais tempo de forma ininterrupta, e Marquinhos recebeu o passe apenas uma vez na jogada, mas aproveitou com eficiência ao realizar a assistência. O polivalente Nathan, que no fim do jogo atuou como falso 9, mostrou que tem faro de gol ao estufar as redes.

 

- Foi nítido que no nosso primeiro gol conseguimos trabalhar a bola mais que um minuto, um minuto e meio, conseguimos circular bem a bola. (...) Fiquei feliz por ter conseguido abrir o placar. (...) As coisas aos poucos vão se ajeitando, o importante é que a gente entenda o que o Sampaoli vem passando para nós. Entendemos que é um jogo que temos que fazer exatamente o que fizemos no primeiro tempo: tentar se manter com a bola e sempre buscar o ataque - disse Nathan.

 

Goleiro ativo na troca de passes

Além da coletividade e da paciência, chamou atenção também na jogada a participação efetiva de Rafael com os pés. O goleiro foi acionado três vezes, em momentos em que o América avançou a marcação, e conseguiu desafogar o time, o que deu tranquilidade aos jogadores de defesa para tomarem a melhor decisão na transição ofensiva.

 

 Henrique Fernandes, comentarista Globo/SporTV, analisa:

- Não à toa o Sampaoli faz questão do goleiro como mais um jogador de linha para troca de passes. A saída de bola é muito sustentada com passe curto. Isso demanda muitas vezes a necessidade de uma superioridade numérica. Por isso o Rafael foi utilizado contra o América como último recurso. Uma peça a mais, recuada em relação à última linha de defesa, para girar a bola. No lance do gol isso é muito claro. Ele participa três vezes, com passes precisos, alguns até arriscados. O que significa que o treinador, a partir dos treinos, passa confiança e encoraja seu goleiro para que ele faça o passe que rompe a linha de marcação do adversário. É importantíssimo para que a saída de bola seja bem feita.

O Atlético de Jorge Sampaoli volta a campo na noite desta quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Mineirão, contra o Patrocinense, na última rodada da fase de classificação do Campeonato Mineiro.

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