Queimadas ameaçam pilotos de voo livre durante período de seca no Tocantins

De acordo com meteorologista, o período de seca pode durar até o final de outubro. Conforme INPE, o Tocantins já acumulou mais de 3.500 focos de fogo de janeiro ao início de agosto deste ano

Publicado em: 11 de Agosto de 2018
Foto Por: Vilma Nascimento/Globoesporte.com
Autor: Globoesporte.com, Palmas, TO
Fonte: Globoesporte.com, Palmas, TO
Parapentistas aproveitam as correntes de ar próximas das serras

O período seco tem como fator de risco as queimadas, e de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Tocantins já acumulou mais de 3.500 focos de janeiro ao início de agosto deste ano. Esse é um dos motivos de preocupação para quem pratica voo livre no estado.

- A fumaça afeta a respiração e costuma sujar bastante o equipamento de voo. Além disso ainda temos problemas com turbulência causada por essa fumaça e o risco de pouso em uma área que ainda pode ter algum foco, e causar queimaduras no piloto e estragar o equipamento - comenta Silvio Faria Lima, que já voa há 25 anos e é instrutor há 21.

Além destes perigos, ainda há risco do parapente fechar, visibilidade afetada, dores de cabeça, enjoos, perigo de cinzas nos olhos do piloto e de brasa no tecido do velame (parte superior inflável do equipamento).

- Já tive que pousar com emergência. Em 2016 tivemos uma grande queimada. Eu estava voando e inalando muita fumaça. Me deu náusea e dor de cabeça, aí tive que ir para pouso. Intoxicação forte - conta Márcia Finelli.

Focos de queimadas continuam aumentando no período de estiagem (Foto:  Elisangela Farias/G1 TO)

Focos de queimadas continuam aumentando no período de estiagem (Foto: Elisangela Farias/G1 TO)

A piloto ainda faz um alerta para praticantes e conta que se preocupa com a queimada que está consumindo a Serra do Carmo, único lugar usado pelos atletas para realizar os voos. Márcia diz que o fogo já queimou por trás da rampa, e que a qualquer momento pode chegar lá onde tem grama sintética, prejuízo para quem ajudou a pagar pela estrutura.

De acordo com o meteorologista Sérgio Luiz Cabral, o Tocantins está em um período considerado "normal" do ponto de vista climatológico.

- Este período de estiagem deve ir até o final da segunda quinzena de outubro. Evidente, que neste mês de setembro já começa o período de transição, saindo da estiagem para entrar no período chuvoso. Por isso podem ocorrer chuvas esporádicas, como a “chuva do cajú” e a “chuva do pequi”, por exemplo - explica o meteorologista.

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