Treinador de lutador russo exibe tatuagem com símbolo neonazista no UFC e causa polêmica

Reportagem do site "BloodyElbow" aponta que imagem tatuada no cotovelo de Aleksey Kiser, que foi córner de Roman Bogatov em sua luta com Léo Santos, é entendida como um símbolo nazista

Publicado em: 23 de Julho de 2020
Foto Por: Reprodução / Combate
Autor: Combate.com — Rio de Janeiro
Fonte: Combate.com — Rio de Janeiro
Aleksey Kiser aparece na imagem à direita, com a tatuagem no cotovelo

Uma polêmica surgida no UFC 251, realizado no último dia 11, em Abu Dhabi, tem ganhado as manchetes da imprensa especializada mundo afora nos últimos dias. Aleksey Kiser, que é lutador de MMA e foi córner do russo Roman Bogatov na luta do companheiro contra o brasileiro Léo Santos, pelo peso-leve, tem uma tatuagem no cotovelo do braço direito que seria um símbolo nazista.

 

O jornalista Chisanga Malata, do jornal britânico Daily Star, chamou a atenção para o fato repercutindo um post de um internauta no Twitter. Na sequência, uma reportagem do site americano “BloodyElbow” noticiou o episódio.

 

A tatuagem no cotovelo de Aleksey Kiser é a mesma de um símbolo conhecido em alemão pelo nome de “Schwarze Sonne”, ou “Sol Negro” em português. Ele é utilizado na simbologia de grupos de extrema direita e em ideologias neonazistas. Segundo a “Southern Poverty Law Center”, uma organização que defende direitos civis nos Estados Unidos, o símbolo é baseado em um antigo artefato da roda do sol que foi usado por tribos nórdicas e germânicas como símbolos das crenças pagãs. Entretanto, esses símbolos antigos não se parecem com o símbolo complexo do contemporâneo "Sol Negro", que foi cooptado por Himmler, principal arquiteto do Holocausto.


A versão do "Sol Negro" no cotovelo de Kiser é a mesma que Himmler colocou no piso de mármore de Wewelsburg, o antigo castelo que abrigou a SS durante o Terceiro Reich.

 

Este símbolo foi o mesmo que causou polêmica durante uma turnê da cantora Shakira, em 2018. Um pingente vendido em seu site se assemelhava com o mesmo “Sol Negro”. Após um site alemão apontar para a semelhança, a produtora responsável pela peça alegou que o produto era baseado numa imagem pré-colombiana, se desculpou e retirou o item da coleção.

 

Outras referências de Kiser com símbolos extremistas

Aleksey Kiser, de 28 anos, é dono de um cartel de 10 vitórias e quatro derrotas no MMA, e normalmente se apresenta na divisão dos pesos-pesados. O russo vem de uma sequência de cinco vitórias, as últimas quatro na organização azerbaijana Ased Fighting Championship.

 

A primeira derrota de Kiser aconteceu em 2014, quando competiu pela organização White Rex, notoriamente uma promoção neonazista liderada pelo russo Denis Nikitin, que primeiro surgiu como uma marca de roupas, estabelecida até hoje como a preferida dos esportistas brancos nacionalistas de esportes de combate e ligados a hooligans no futebol. Segundo reportagem do site “Vice”, o logo da White Rex - um cavaleiro que veste um capacete envolto pelo “Sol Negro” - se tornou comum em academias, clubes de luta e arquibancadas de futebol na Europa.

 

Ainda de acordo com reportagem do “BloodyElbow”, algumas camisas da marca White Rex se utilizam abertamente de slogans como "Tolerância Zero", "Europeus Furiosos" e "White Rex Contra Tolerância". Durante um seminário ao lado da lenda russa Fedor Emelianenko, Kiser exibia na bermuda a logo da White Rex com o símbolo do “Sol Negro”.

 

Lutador nega simbologia nazista

Em entrevista ao “BloodyElbow” através de sua página no Instagram, Aleksey Kiser afirmou que a tatuagem se referia a um símbolo pagão eslavo.

 

“Para você, ela tem um significado, para mim, como eslavo, outro. Nem uma única pessoa de cor foi prejudicada por mim. Não tenho nada a ver com isso. Vocês exageraram e procuraram um grão de discórdia onde não há nada”, disse Kiser.

 

O símbolo eslavo a que Kiser se refere é o "Kolovrat", que alguns afirmam ser um símbolo pagão eslavo antigo do sol que estava gravado nos locais de descanso final ou nos monumentos de madeira. No entanto, o Kolovrat também foi usado para denotar uma suástica e foi cooptado por neonazistas e por grupos militantes, e também usado pelo atirador da mesquita de Christchurch, na Nova Zelândia.

 

Kiser afirmou nas redes sociais que quase teve a oportunidade de lutar pelo UFC em Abu Dhabi no card de sábado, mas teve a oferta retirada quando a organização foi informada sobre a tatuagem. O UFC não confirmou a informação, segundo o "BloodyElbow".

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