Sábado,
04 de Dezembro de 2021

Greta Thunberg e COP26: as duras críticas da jovem ativista à cúpula sobre mudanças climáticas

Autor: BBC

Fonte: BBC

Publicado em 08 de Novembro de 2021 (Atualizado Há 4 semanas atrás)

Legenda: Greta Thunberg disse em um discurso diante de manifestantes em Glasgow que a cúpula do clima COP26, atualmente em andamento no Reino Unido, foi um "fracasso".

Autor da Foto: REUTERS

A ativista sueca criticou na sexta-feira (5/11) o evento durante uma marcha de protesto com milhares de jovens.

Ela se dirigiu à multidão quando chegou ao George Square, no centro da cidade escocesa, e disse que cortes "imediatos e drásticos" nas emissões de carbono são necessários.

A marcha foi organizada pela entidade Fridays for Future Scotland, um grupo fundado por jovens inspirados em Thunberg.

O ato de sexta-feira foi um dos maiores de uma série de manifestações organizadas em paralelo à cúpula, que está ocorrendo na cidade.

'Nós sabemos que nossos reis estão nus'

"Não é segredo que a COP26 é um fracasso. Deveria ser óbvio que não podemos resolver uma crise com os mesmos métodos que levaram ao início dessa crise", exclamou Thunberg.

"Precisamos de cortes anuais imediatos e drásticos nas emissões como o mundo nunca viu antes", acrescentou.

"As pessoas no poder podem continuar a viver em sua bolha cheia de fantasias, como o crescimento eterno em um planeta finito e soluções tecnológicas que aparecerão de repente do nada e apagarão todas essas crises em um piscar de olhos", disse ela.

"Tudo isso enquanto o mundo está literalmente em chamas e as pessoas que vivem na linha de frente continuam sofrendo o impacto da crise climática."

Thunberg descreveu a cúpula da ONU sobre mudança climática como uma "celebração de duas semanas, como sempre e blá, blá, blá" para "manter as coisas como de costume" e "criar brechas para beneficiar a eles mesmos [os donos do poder]".

"Sabemos que nossos reis estão nus."

Ativistas de outros países também fizeram palestras sobre como as mudanças climáticas já estão afetando seus locais de origem.

Vanessa Nakate, de Uganda, disse: "Historicamente, a África é responsável por apenas 3% das emissões globais e ainda assim os africanos estão sofrendo alguns dos impactos mais brutais da crise climática".

"Mas, embora o sul global esteja na linha de frente da crise climática, ele não está nas primeiras páginas dos jornais mundiais."

Protesto de jovens

A marcha passou pela sede da COP26 no Scottish Events Campus e, em seguida, dirigiu-se ao centro da cidade. Terminou em George Square, onde um palco e alto-falantes foram montados.

Charlie O'Rourke, de 14 anos, morador de Glasgow, faltou à escola para assistir à passeata com sua mãe, Cairsty, e irmã.

Ele disse que os líderes mundiais na COP26 devem "ouvir as pessoas": "Não busque apenas o lucro. Ouça o que o planeta precisa".

Sua mãe disse que ela estava lá para seus filhos e para "as gerações futuras para mostrar que algo tem que acontecer e isso tem que acontecer muito rapidamente".

Ato em Glasgow culminou com discursos no centro da cidade

Como parte do movimento Fridays for Future, jovens de todo o mundo não frequentam aulas nas sextas-feiras para aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas.

'Extremamente inspirador'

Anna Brown, ativista do Fridays for Future em Glasgow, disse que o evento teve como objetivo demonstrar a necessidade de tirar as discussões sobre o clima de espaços "fechados".

"A mensagem é que o sistema COP — já tivemos 26 delas — não está funcionando. Portanto, temos que erradicar esse sistema", disse Brown à BBC.

"A mensagem é que é preciso ouvir as pessoas nas ruas, os jovens, os trabalhadores."

"Temos que sair de um espaço fechado, onde as pessoas não podem se envolver, para as ruas, onde as pessoas podem ver o que está acontecendo e ter voz", continuou.

"Acho que parte disso [COP26] é pensado para que as pessoas não entendam do que se trata; se as pessoas não entendem o que está sendo dito nas negociações, não podem criticar o que está acontecendo ou as decisões que estão sendo tomadas", diz a ativista.

Alguns ativistas indígenas do Brasil participaram da marcha

O subchefe de polícia Gary Ritchie disse que foi "extremamente inspirador" ver milhares de jovens participando do "evento espetacular" nas ruas de Glasgow.

"Este foi um dia muito importante no calendário da COP26 e estamos satisfeitos por fazer parte de um evento tão memorável para esses jovens participantes e para Glasgow", disse o policial.

"Nossos agentes gostaram de interagir com os jovens. Os filhos de muitos deles participaram da marcha", acrescentou.

Ele garantiu que houve um "compromisso positivo" entre a polícia e os manifestantes durante a cúpula e que até agora foram feitas menos de 20 prisões, a maioria por crimes de desordem.

Solidaridade

A primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, disse que está comprometida com um "engajamento significativo" entre o governo escocês e os jovens para envolvê-los na tomada de decisões.

"Na Escócia, já estamos agindo para enfrentar a emergência climática, mas como ouvimos esta semana de crianças e jovens na Escócia e em todo o mundo, não é suficiente e devemos fazer mais", disse Sturgeon.

O Príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, expressou sua simpatia pela raiva e frustração dos jovens ativistas em um discurso que dirigiu aos negociadores da COP26, dizendo aos delegados que o "peso da história" está sobre seus ombros.

Ele disse que havia sido convidado a se juntar à marcha, mas que não poderia participar dela.

Em Londres, o governo disse que faltar às aulas para assistir a uma manifestação é "extremamente perturbador em um momento em que a pandemia já teve um grande impacto no aprendizado" para os jovens.

No entanto, a Câmara Municipal de Glasgow e a maioria das autoridades locais vizinhas disseram à BBC que crianças em idade escolar não seriam punidas por participarem da greve climática.

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