Adiamento no retorno das atividades do INSS preocupa usuários que precisam de benefícios

Sem conseguir atendimento na internet ou telefone, tocantinenses vão até a porta da agência na capital para tentar resolver demandas. Retorno parcial foi programado para o dia 3 de agosto.

Publicado em: 13 de Julho de 2020
Foto Por: Rperodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Usuários vão até a porta da agência do INSS em Palmas tentar reoslver pendências

O atendimento presencial no INSS seria retomado na próxima segunda-feira (13), mas o órgão resolveu adiar para o dia 3 de agosto. O problema é que, por serem idosos ou morarem longe do centro, muitos beneficiários não conseguem contato por telefone ou internet. Nesta quinta-feira (9), alguns compareceram na porta da agência em Palmas com a esperança de resolver as pendências.

 

O retorno programado para o próximo mês será parcial, com atendimento de seis horas diárias e restrito a alguns serviços, como perícia médica, avaliação social e reabilitação profissional, que não podem ser feitos de forma remota. Mas os segurados e beneficiários precisarão fazer o prévio agendamento pelos canais Meu INSS e a Central 135.

 

"Eu vim aqui hoje fazer uma consulta para uma irmã minha que mora no interior, no município de Santa Rosa, na fazenda. Ela deu entrada na aposentadoria e nunca teve resposta", disse o encanador João Ribeiro. Ele foi até a agência na capital, mas voltou para casa sem a solução.

 

Ao ver o aviso sobre a suspensão na porta da unidade, a lavradora Lidiane Costa ligou no número indicado e só conseguiu falar na terceira tentativa e ainda não conseguiu resolver a demanda. Ela precisa do extrato do benefício do filho para receber uma casa popular.


"Tinha que ter mais respeito pelo ser humano, acho que o atendimento não foi legal".

 

A aposentada Mariene Chavier precisa do número do benefício para a liberação de um empréstimo. O dinheiro é para tratar da saúde. "Eu tive 14 filhos, não me cuidaram enquanto era tempo, eu não tinha condições. Agora estou caçando socorro", disse. Ela também foi até a agência nesta quinta-feira.

 

"Toda vez que a gente precisa, vem aqui ou vai nos órgãos competentes e realiza aquilo que a gente quer pessoalmente. Agora, por telefone, nós nunca nem fizemos nada. A dificuldade é por causa disso", reclamou o aposentado Leonor Chavier.

 

A dona Irene Oliveira tenta o auxílio doença para o filho que tem deficiência mental e não consegue trabalhar. A aposentadoria dela não dá para manter os dois."E ele precisa de remédio, ele precisa de um passe, de roupa, a gente precisa de tudo".

 

A perícia exigida para o benefício foi aprovada pelo INSS em março, logo depois que os atendimentos do instituto passaram a ser remotos. Desde então, a Fabiana Oliveira, outra filha da dona Irene, tenta continuar o processo pelo telefone 135 e precisa ter paciência. A ligação tem ruídos e mal dá para entender o que a atendente fala.

 

"Os atendentes não explicam direito, a gente fica com dúvida. E a agência não está atendendo pessoalmente, aí fica difícil".

 

O INSS não respondeu sobre as dificuldades dos beneficiários no atendimento telefônico, mas disse que está simplificando os procedimentos, dispensando algumas exigências e ampliando a oferta de serviços por meio de canais remotos.

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