Caos completo, diz paciente sobre falta de UTIs para bebês e quartos lotados de grávidas à espera de cirurgias em maternidade do T

Segundo funcionários da Maternidade Dona Regina, bebês tiveram que ficar no centro cirúrgico à espera de vagas. Aumento de pacientes internados com Covid-19 pode ter provocado falta de leitos.

Publicado em: 29 de Junho de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Bebê que nasceu com hidrocefalia está na fila à espera de UTI em Palmas

Falta de leitos de UTIs para recém-nascidos e quartos lotados de grávidas à espera de cirurgias. Esse é o cenário na maior maternidade pública do Tocantins, a Dona Regina, localizada em Palmas. A situação acontece em meio ao aumento de fluxo de pacientes internados com Covid-19. "Um caos completo", definiu uma paciente sobre a unidade.

A dona de casa Janaína da Silva Sousa deu à luz no início da semana. A bebê Mariane nasceu com hidrocefalia e precisa de leito de UTI com urgência. "Amanheço o dia, eu penso: 'meu Deus mais um dia'. Mais um dia que eu vou ter que ir, ficar lá olhando para a minha filha e não poder fazer nada".

Os 40 leitos de UTI Neonatal e da unidade intermediária do Hospital e Maternidade Dona Regina estão lotados. Segundo funcionários, ao menos 12 bebês tiveram que ficar no centro cirúrgico à espera de vaga nos últimos dias.

"Um monte de recém-nascido prematuro dentro do centro cirúrgico por falta de leito na UTI. Foi interditada uma sala de cirurgia para colocar os bebês", explicou um servidor que preferiu não se identificar.

Nesta sexta-feira (26), a justiça do Tocantins determinou a transferência de sete bebês para UTIs da rede particular. Segundo a decisão, a falta de leitos tem ocorrido porque houve um aumento de pacientes internados com sintomas da Covid-19.

"Infelizmente não houve uma política de planejamento para ampliação agora no tempo de Covid. Nós estamos com uma parcela dos leitos de UTI atendendo paciente Covid e a outra parcela da rede ordinária. A vida continua, e os pacientes da rede ordinária, eles não podem ser desassistidos", argumentou o defensor público Arthur de Pádua.

A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que o hospital está operando com a capacidade máxima e que nos últimos dias houve um aumento inesperado de casos graves.

Com salas do centro cirúrgico interditadas, se formou uma fila de grávidas à espera de cirurgia. Elas ficam em espaços pequenos, sem o distanciamento necessário para evitar o contágio do novo coronavírus.

"Caos completo. Que diz que tem a pandemia e que não é para ter aglomeração, e os quartos estão tudo cheios com recém-nascidos, misturado com mulher que vai parir, outras que vão para coletagem, tudo misturado aqui", descreveu Lucimara Pereira.

No setor onde ficam as pacientes que fizeram a cirurgia ou tratam infecções, as camas estão enferrujadas e armadas com ataduras. Segundo os funcionários, pelo menos 20 servidores já se contaminaram com o novo coronavírus no hospital.

"Um quarto de cinco camas tinham 12 pessoas. Insegurança para todos os servidores e para todos os pacientes", disse um servidor, que preferiu não se identificar.

O que diz a Secretaria de Saúde do Tocantins

A Secretaria de Saúde do Tocantins reconheceu que a grande demanda acarreta maior espera para os atendimentos no hospital Dona Regina, mas negou que haja paciente aguardando leito de UTI, UCI ou clínico na unidade hospitalar. Disse ainda que quando não há leitos disponíveis, os pacientes são encaminhados para a rede privada.

Sobre a criança citada na reportagem, a nota diz que o pedido de UTI foi suspenso pelo médico porque a paciente estava estável. A criança deve passar por tomografia e depois vai ser avaliada a necessidade de neurocirurgia. Ainda conforme a nota, se for necessário, a bebê será encaminhada a UTI para que o procedimento seja feito imediatamente.

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