Comerciantes de Palmas temem demissões após decreto limitar horário de funcionamento

A partir de segunda-feira (13), todos os estabelecimentos comerciais considerados não essenciais devem ficar fechados das 20h às 5h. Medida vai durar por 14 dias.

Publicado em: 13 de Julho de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Comerciantes temem grandes impactos após decreto da Prefeitura de Palmas

Comerciantes estão preocupados com os reflexos da nova medida adotada pela Prefeitura de Palmas. Em um decreto publicado nesta sexta-feira (10), o município estabeleceu que os estabelecimentos comerciais não poderão funcionar das 20h às 5h. A proibição começa a valer na próxima segunda-feira (13) e segue até o dia 27 de julho.

 

A presidente da Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel) Ana Paula Setti teme os impactos, como demissões em massa.

 

"Ele pode trazer uma demissão em massa para o setor que atende somente noturno, provavelmente essas empresas não conseguem mais porque hoje é a cargo do empresário toda a folha de pagamento desses funcionários que vão ter que manter dentro de suas casas. Então provavelmente quem não retorna terá uma demissão em massa. Isso vai ter um significado muito grande para a economia".

 

A medida foi tomada após os números de casos da Covid-19 aumentarem mais de 200% na capital, entre 9 de junho e 9 de julho. O decreto não se aplica para as atividades de serviços médicos e hospitalares, farmácias e laboratórios, serviços funerários, serviços de táxi e aplicativos, transporte de cargas, principalmente gêneros alimentícios, serviços de telecomunicação, serviços de delivery e postos de combustíveis, sem o funcionamento das lojas de conveniência.

 

A surpresa foi porque desta vez os supermercados entraram na restrição. Esta é a primeira vez, desde o início da pandemia, que o setor passa por alteração no horário de funcionamento.

 

"Com o horário reduzido, a quantidade de pessoas que virão fazer as compras, sairão de suas casas, será bem tumultuado. Infelizmente ou felizmente seguiremos as regras que a prefeitura impor, mas ficamos um pouco preocupados com essa decisão", disse o gerente de supermercado, Geovane Leonel.

 

Segundo o decreto, a fiscalização vai ser feita por vários órgãos municipais, dentre eles a Guarda Metropolitana. Quem desobedecer a ordem, vai ser levado à delegacia e ainda será penalizado com a cassação do alvará.

 

O presidente da Associação Industrial e Comercial de Palmas (Acipa) Josef Madeira argumentou que haverá impactos para a economia. "Elas não afetam somente o comércio e esta última vai representar, possivelmente o fechamento, de muitos estabelecimentos", comentou.

 

Quem sente os impactos da doença como a dona de casa Gilda Sales, que não pode visitar a mãe internada com AVC, se sente confortável com medidas mais rígidas. "A gente não podem nem entrar, minha mãe está internada com 84 anos. Não é liberada visita por causa do coronavírus. Ele existe e está matando, ele é verídico. Essa medida vai ajudar, porque vai evitar a aglomeração de pessoas".

 

Relembre outras medidas já tomadas pela prefeitura

 

Em Palmas a primeira medida de contenção ao novo coronavírus foi tomada no dia 15 de março, quando as aulas da rede municipal foram suspensas. Naquela época ainda não havia casos confirmados, mas os primeiros casos suspeitos e o crescimento da doença em outros estados foram o suficiente para determinar o fechamento das escolas. Elas ainda não têm data para reabrir. Na mesma data foram suspensos eventos que pudessem gerar aglomerações.

 

A cidade confirmou o primeiro caso do novo coronavírus no dia 18 de março e na mesma data a prefeitura determinou o fechamento de todo o comércio, bares e restaurantes. A situação passou a ser monitorada diariamente pelas autoridades de saúde.

 

Prefeitura tentou também determinar a lei seca na capital, no dia 15 de maio. O decreto acabou sendo derrubado na Justiça e hoje o que está em vigor é uma ordem para proibir o consumo de bebidas em áreas pública. Os pontos turísticos, como praias e parques, também chegaram a ficar fechados, mas flagrantes de desrespeito a esta norma são comuns desde então.

 

reabertura gradual do comércio começou no dia 8 de junho, com lojas do comércio de rua e restaurantes. Os shoppings centers e academias puderam reabrir uma semana depois, a partir do dia 15 de junho.

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