Comerciantes ficam sem renda após quiosques em praia serem fechados: "Nunca tinha dependido de ninguém"

Antônia de Freitas de 61 anos e outros vendedores tentam receber auxílio emergencial do Governo Federal. Ao todo, 30 quiosques foram fechados na praia das Arnos por causa da pandemia do novo coronavírus.

Publicado em: 22 de Maio de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins
Fonte: G1 Tocantins
Comerciante ficou sem renda após quiosque ser fechado em Palmas

Comerciantes acumulam dívidas após quiosques da praia das Arnos, na região norte de Palmas, fecharem por causa da pandemia do novo coronavírus. A praia foi interditada há dois meses e, sem visitantes, as barracas não vendem e os trabalhadores não lucram. Antônia de Freitas de 61 anos é uma das comerciantes prejudicadas. Agora ela depende do salário do filho para sobreviver. 

“Tô com a mão na cabeça, porque não tem de onde tirar dinheiro. Eu tenho 61 anos, e nunca tinha visto na minha vida o que está acontecendo. Nunca tinha dependido de ninguém. Hoje eu estou dependendo do meu filho. Ele tem três bocas para dar de comer, comigo e o pai dele são seis. Quem ganha salário mínimo dá para sobreviver? Dá para pagar dívida? Não dá”, disse Antônia Freitas.

Ela e outros comerciantes da praia tentaram realizar o cadastro para receber o auxílio emergencial de R$ 600 que é disponibilizado pelo Governo Federal. Antônia tentou garantir ainda uma cesta básica oferecida pela Prefeitura de Palmas, mas disse que não foi beneficiada com nenhuma das opções.

Ao todo, 30 quiosques funcionavam na praia antes das medidas de restrição contra a Covid-19. Três ou quatro pessoas da mesma família costumavam trabalhar em cada barraca. Com as vendas paradas, todos foram prejudicados.

Francisca Paula da Silva também trabalha na praia e agora depende da ajuda financeira de parentes. Ela tinha um fundo reserva para emergências, mas o dinheiro já acabou. “Era justamente o dinheiro da gente ficar repondo as coisas. São os meus filhos que estão me ajudando. Uma semana um ajuda, na outra semana outro ajuda. É assim que a gente está sobrevivendo”, comentou Francisca.

Francisca Chaves está preocupada com a situação. O lucro que gerava das vendas na barraca era a única fonte de renda. Ela já acumula R$ 1 mil das contas de água e energia do quiosque e não sabe como pagar.

“Eu estou muito preocupada, muito. Porque é do dinheiro daqui que eu como, que eu bebo, é daqui que eu pago as dívidas. E nós não estamos pagando mais nada. E o pessoal cobrando a gente”, comentou.

A Prefeitura de Palmas informou em nota que os comerciantes de todas as praias da capital estavam inclusos nas categorias para receber o benefício do kit-alimentação. Segundo o Município, o cadastro deveria ser feito exclusivamente pelo link http://social.palmas.to.gov.br/, disponível no site da prefeitura. Disse ainda que "a responsabilidade pela veracidade dos dados informados como critério para recebimento era do próprio trabalhador, sujeitas a conferências e cruzamentos de dados".

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