Locadora investigada por fraude na Prefeitura de Palmas não tem nem metade da frota necessária para atender contratos, diz PF

PF afirma que a Marca Representações possui 392 veículos registrados, mas que para atender a demanda seriam necessários pelo menos 823. Contrato foi fechado durante a gestão de Carlos Amastha.

Publicado em: 22 de Julho de 2020
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins
Fonte: G1 Tocantins
PF investiga superfaturamento em locação de veículos no Tocantins

A locadora de veículos Marca Representações Comerciais Ltda, vencedora dos contratos com a prefeitura de Palmas investigados pela Polícia Federal, não tinha nem metade da frota necessária para atender a demanda dos próprios clientes. A informação consta na decisão que autorizou a Operação Carta Marcada, deflagrada nesta terça-feira (21).

 

Segundo a apuração da PF, a empresa tinha contratos no Maranhão, Pará e Tocantins. Para atender a todos eles com as quantidades que constavam nos documentos a empresa precisaria de no mínimo 823 veículos.

 

A PF descobriu, no entrado, que apenas 392 automóveis estão registrados no CNPJ da Marca Representações. O levantamento foi feito nos Departamentos Estaduais de Trânsito de todos os estados envolvidos.

 

A empresa pertence a Marco Zancaner Gil. Ele é um dos alvos dos mandados de prisão autorizados pelo juiz federal João Paulo Abe, de Palmas. O empresário não foi localizados nos endereços dele, mas a PF recebeu dos advogados a informação de que ele vai se apresentar nesta quarta-feira (22).

 

Além de Gil, a investigação também mira outros donos de empresas do ramo.

 

Eles teriam participado da licitação apenas para direcionar o processo e teriam faltado a última fase da seleção para que as empresas fossem desclassificadas e sobrasse apenas a Marca Representações na disputa. Em alguns modelos de carros, os valores cobrados pela empresa era até 40% superiores ao valor de mercado.

 

Toda a fraude teria ocorrido com ajuda de ex-secretário da gestão de Carlos Amastha (PSB), em Palmas. Foram presos pela PF: Adir Cardoso Gentil, Chistian Zini Amorim, Claudio de Araújo Schuller e Cleide Brandão Alvarenga.

 

Adir Gentil foi preso em Florianópolis (SC) porque mora em Santa Catarina e tem atuação política no estado.

 

Amastha não foi alvo de mandado de prisão, mas teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça. Endereços dele também foram alvo de busca e apreensão, mas ele não estava nos locais quando os agentes realizaram os procedimentos.

 

A ata de preços investigada é da Prefeitura de Porto Nacional e a prefeitura de Palmas aderiu ao processo depois que ele já tinha sido realizado.

 

A Controladoria Geral da União, que também participou da investigação, acredita que houve a participação de agentes públicos em Porto Nacional, fazendo um contrato superdimensionado desde o começo para possibilitar a adesão da capital. O prefeito da época em Porto Nacional era Otoniel Andrade. A casa dele também foi alvo de busca e apreensão.

 

As prisões têm prazos que variam de três a cinco dias e podem ser prorrogadas. Os contratos investigados pela PF terminaram em 2018.

 

O que dizem os citados

 

Após a operação ser deflagrada, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha publicou nas redes sociais um vídeo em que critica a ação.

 

Ele afirma que os investigadores escreveram uma acusação de forma a "iludir o juiz" para que ele autorizasse as buscas e prisões. Amastha afirmou que "O direito de investigar é sagrado e é uma obrigação", mas questionou a forma como foi tratado pela Polícia Federal no inquérito.

 

G1 tentou contato com a Marca Representações, mas a informação repassadas pelos atendentes é de que não havia ninguém no local nesta terça-feira (21) que pudesse comentar o caso.

 

A defesa de Adir Gentil disse que pediu a revogação da prisão dele porque o teor do depoimento deixou evidente que ela não é necessária.

 

O advogado de Christian Zini informou que a prisão não tem fundamentos e que por isso vai pedir a revogação.

 

A defesa de Cláudio Schuller inrmou que considera a prisão absurda, desumana e contraria a decisões de tribunais superiores. Disse que os fatos são antigos e que está provado há muito tempo que Cláudio Schuller nada mais fez além de cumprir seu ofício como secretário.

 

A defesa Cleide Brandão, disse que prestará maiores esclarecimentos ao longo desta terça feira e declarou que contribuirá com a justiça a fim de comprovar que inexiste relação e qualquer envolvimento dela nos crimes investigados.

 

A defesa do ex-prefeito de Porto Nacional Otoniel Andrade informou que o posicionamento dele é de tranquilidade, porque a ata que em tese serviu de base para a investigação foi feita dentro da mais absoluta legalidade.

 

Disse que assim que forem chamados para se pronunciar o farão e que ficará provado que da parte do ex-prefeito não houve qualquer ilegalidade.

G1 não conseguiu localizar a defesa de Marco Zancaner Gil.

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