Em mensagens, ex-coordenador da AL diz que funcionário fantasma 'não precisa ter medo' de ser preso

Em um aplicativo, Flávio Negreiros tentou tranquilizar Danilo Parente. Em outra conversa, ex-diretor da Assembleia disse que poderia sumir com documentos.

Publicado em: 23 de Fevereiro de 2018
Foto Por: Reprodução/TV Anhanguera
Autor: G1 Tocantins.
Fonte: G1 Tocantins.
Em mensagens, suspeito de proteger funcionário fantasma diz não ter medo de prisão

O ex-coordenador de almoxarifado da Assembleia Legislativa do Tocantins, Flávio Negreiros, escreveu em um aplicativo de mensagens que o funcionário fantasma Danilo Parente 'não precisa ter nem medo' de ser preso pelo esquema. Na conversa, Negreiros tentava tranquilizar Parente, afirmando que não haveria punição para o caso e que se fosse preso, seria por outro motivo e não por receber sem trabalhar na AL.

"Estou com medo de ir à jaula", escreveu Parente. "Tá doido moço? Por isso não vai mesmo. Pode ir por outra coisa, mas por essa não precisa nem ter medo", respondeu Negreiros.

No mesmo aplicativo, o ex-diretor geral da AL, Antônio Ianowich, insinuou que poderia sumir com documentos e arrumar dinheiro para fingir que a fraude se tratava de um 'equívoco'. Na conversa, Ianowich insinua que tinha feito manobras semelhantes em outros casos. "Eu seguro a bronca, sempre seguro", escreveu. "Se for como equívoco, vamos sumir com a documentação e eu arrumo a grana. Agora, se for confirmar, ele tem que firmar e não queimar com a gente".

Negreiros, Parente e Ianowich foram indiciados pela Polícia Civil na Operação Espectro. O único dos três que ainda era funcionário da AL é Negreiros, que foi exonerado nesta quinta-feira (22), após a polícia divulgar as informações.

Em nota, a AL disse que abriu uma investigação sobre o caso em 2017, mas que na época nada ficou provado e por isso Negreiros pode seguir trabalhando normalmente. A nova diretoria da casa disse que abriu licitação para a instalação de um sistema de registro biométrico de frequência, conhecido como ponto eletrônico, para evitar fraudes do tipo.

As investigações começaram no ano passado pelo Ministério Público Estadual e foram concluídas pela Delegacia de Combate a Corrupção, durante a 1ª fase da operação Espectro. Eles teriam causado um prejuízo de R$ 173 mil aos cofres públicos.

A Polícia Civil disse que os detalhes do esquema foram descobertos após a apreensão do celular de Danilo. Os investigadores tiveram acesso à conversa dele e dois demais suspeitos.

No inquérito, a polícia informa que pediu a prisão preventiva e temporária, busca e apreensão, suspensão de função pública, bloqueio de bens e condução coercitiva - quando os investigados são levados para depor - mas todos os pedidos foram negados pela Justiça.

No relatório, consta os depoimentos dos investigados, que negaram as acusações. Danilo Parente disse que não vai se manifestar sobre o caso. Já Ianowich informou que nesse período prestou de forma regular os serviços na Assembleia. Ele disse que foi intimado na semana passada, que prestou depoimento sobre o assunto e continua à disposição da polícia para prestar qualquer tipo de informação.

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